Dmitry Muratov recebeu no ano passado, juntamente com a jornalista filipina Maria Ressa, o Prémio Nobel da paz "pelos seus esforços para garantir a liberdade de expressão".

Em março, a Novaya Gazeta suspendeu as suas operações na Rússia, após a adoção de uma lei que estabelece duras penas de prisão contra qualquer pessoa que critique a incursão militar russa na Ucrânia, iniciada a 24 de fevereiro.

Muratov fundou o diário Novaya Gazeta em 1993, juntamente com um grupo de jornalistas, após a queda da União Soviética. Em 2022, o seu jornal foi a única publicação de envergadura a criticar o presidente Vladimir Putin e a sua política interna e externa.

A casa Heritage Auctions é responsável pela venda da medalha do Nobel de Muratov, cujo leilão - tanto on-line como presencial - termina na noite desta segunda, no horário de Nova Iorque.

Esta manhã, o preço estava nos 55o mil dólares. Os lucros vão reverter para a Resposta Humanitária para as Crianças Ucranianas Deslocadas pela Guerra, da Unicef.

Muratov foi agredido em abril num comboio, quando uma pessoa lhe atirou tinta misturada com acetona, causando-lhe queimaduras nos olhos.

Desde o ano 2000, seis jornalistas e colaboradores do Novaya Gazeta foram assassinados devido ao seu trabalho, entre eles a repórter de investigação Anna Politkovskaya, a quem Muratov dedicou o Prémio Nobel.

"Este jornal é perigoso para a vida das pessoas", disse Muratov à AFP no ano passado.

Em declarações transmitidas num vídeo difundido pela Heritage Auctions, o jornalista disse que ganhar o Nobel "lhe dá a oportunidade de ser ouvido".

"A mensagem mais importante hoje é que as pessoas entendam que há uma guerra e que é preciso ajudar os que mais sofrem", continuou, ao apontar especificamente para as crianças das famílias de refugiados.

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