Centenas de pessoas despediram-se esta quinta-feira de George Floyd, um cidadão afro-americano de 46 anos, que morreu na sequência de uma intervenção policial violenta, cujas imagens foram divulgadas através da internet. Nelas é possível ver um dos agentes pressionar o pescoço de Floyd com o joelho durante vários minutos. A cerimónia foi intimista, mas de tom político.

Ontem, manifestações, na sua maioria pacíficas e silenciosas, voltaram a acontecer por todos os Estados Unidos da América, clamando por justiça e o fim da discriminação racial. Milhares de pessoas de origens diferentes protestaram nas ruas de Nova Iorque, Washington, Seattle e Los Angeles, estas três últimas onde o toque de recolher foi suspenso. No entanto, a indignação crescente tem-se espalhado por todos o mundo. Em Viena, uma marcha reuniu cerca de 50 mil pessoas, segundo a polícia, uma das mobilizações com maior assistência nos últimos anos na capital austríaca.

O reverendo e veterano ativista pelos direitos civis Al Sharpton ficou encarregue do discurso fúnebre. Nele, afirmou que Floyd "não morreu de uma doença comum, mas sim do mau funcionamento da justiça criminal dos Estados Unidos".

"O que aconteceu com Floyd acontece todos os dias neste país", realçou Sharpton. "É o momento de nos colocarmos de pé e em nome de George, dizermos: tire esse joelho do meu pescoço", acrescentou, sob aplausos.

"Você mudou o mundo, George", disse o pastor batista depois da exibição de imagens da morte de Floyd, que levaram a um movimento inédito desde o assassinato do ativista negro Martin Luther King Jr. em 1968.

"Vamos continuar até mudarmos todo o sistema de justiça", afirmou Sharpton.

A cerimónia, acompanhada de música e fortemente marcada pelas restrições para conter a disseminação da Covid-19, juntou testemunhos íntimos da família à presença de personalidades como o reverendo Jesse Jackson, a senadora por Minnesota, Amy Klobuchar, e o mayor  de Minneapolis, Jacob Frey.

créditos: Kerem Yucel / AFP

O caixão dourado com o corpo de Floyd foi colocado à frente de uma projeção que mostra um mural pintado no local onde morreu e onde agora foi montado um memorial improvisado com flores e mensagens.

O advogado da família, Ben Crump, prometeu "justiça" no caso, no qual são processados quatro polícias.

A associação de defesa dos direitos civis ACLU e outras organizações apresentaram uma denúncia judicial contra o presidente Donald Trump, bem como contra os secretários da Justiça e da Defesa pela ação da polícia contra a manifestação pacífica em frente à Casa Branca na segunda-feira.

Crump afirmou que Floyd morreu pela "pandemia do racismo e da discriminação", depois de a necropsia ter confirmado morte por asfixia e revelado também que tinha sido infetado pelo novo coronavírus.

A maioria dos presentes usava máscaras, alguns com a frase "Não consigo respirar", as últimas palavras proferidas por Floyd quando o policia Derek Chauvin o imobilizou, pressionando o joelho contra seu pescoço durante 8 minutos e 46 segundos. Num momento da cerimónia, os presentes fizeram silêncio durante esse mesmo intervalo de tempo e quando o corpo de Floyd chegou ao local, o chefe de polícia de Minneapolis, Medaria Arradondo, apoiou um dos joelhos no chão, em sinal de respeito.

Cerimónia em Nova Iorque

Em Nova Iorque foi celebrada uma cerimónia simultânea, à qual assistiu um dos irmãos de George Floyd, Terrence.

Os presentes exibiam cartazes com mensagens como "O silêncio dos brancos é violência" e "Façamos dos Estados Unidos algo não vergonhoso outra vez".

A onda de protestos que agita há dez dias o país intensificou-se na segunda-feira, quando o presidente Donald Trump ameaçou mobilizar o Exército para restaurar a ordem, depois de os protestos pacíficos durante o dia terminaram em distúrbios à noite.

Os distúrbios forçaram muitas cidades a declarar toque de recolher obrigatório e 10 mil pessoas foram presas em todo país, de acordo com a imprensa.

Na quarta-feira, promotores encarregados do caso do homicídio de Floyd endureceram as acusações contra Chauvin, que, na semana passada, foi acusado de homicídio culposo. Agora, o ex-agente também será processado por homicídio sem premeditação, uma acusação que se soma às já existentes e acarreta penas mais severas. Se condenado, poderá passar até 40 anos na prisão, embora nos Estados Unidos haja poucos casos de condenação de polícias.

Além disso, o promotor acusará os outros três polícias que estavam no local - Tou Thao (34 anos), J. Alexander Kueng (26) e Thomas Lane (37), já detidos - por ajudarem e instigarem o assassinato.

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