Num discurso no Ohio, Donald Trump anunciou ontem as medidas que pretende lançar no que respeita à imigração com o objectivo de conter, na sua perspectiva, a ameaça terrorista.  O republicano propôs a introdução de um "exame exaustivo" a todos os imigrantes nos Estados Unidos de forma a proteger o país. Este "exame" tem associado uma outra medida que implica, nas suas palavras, a suspensão temporária da imigração oriunda de alguns países.

Comparando a época atual com a Guerra Fria, Trump disse estar disposto a trabalhar estreitamente com a NATO e com os aliados de Washington no Médio Oriente, insistindo na necessidade de "uma nova abordagem". "O meu governo irá continuar com as operações militares conjuntas e da coligação para destruir o grupo Estado Islâmico", prometeu, destacando também a urgência de uma "cooperação internacional para liquidar o financiamento" obtido pelo EI.

"Da mesma maneira que ganhámos a Guerra Fria ao expor os males do comunismo e as virtudes do mercado livre, devemos derrotar a ideologia do Islão radical", afirmou o republicano num discurso em Ohio, um estado considerado chave para as eleições de novembro.

Trump também propôs instituir uma "comissão sobre o Islão radical que inclua vozes reformistas" de forma a identificar sinais precoces de radicalização e a desmantelar as redes de apoio aos extremistas. "Estaremos juntos daqueles que reconheçam que essa ideologia de morte deve ser aniquilada", completou.

Suspensão temporária

"Trabalharemos estreitamente com a NATO nesta nova missão (...). Também acho que podemos encontrar um terreno comum com a Rússia na luta contra o EI", afirmou.

No mesmo discurso, Trump defendeu "uma nova política para a imigração", considerando que os atentados cometidos nos Estados Unidos desde o 11 de Setembro têm como ponto comum que, neles, estavam "envolvidos imigrantes, ou filhos de imigrantes".

"Devíamos admitir neste país apenas aqueles que partilham dos nossos valores e que respeitam o nosso povo", sublinhou. "Na Guerra Fria, tínhamos uma avaliação ideológica. Já está mais do que na hora de desenvolvermos uma nova avaliação tendo em vista as ameaças que enfrentamos hoje. Chamo-lhe um de exame exaustivo", explicou.

"É hora de uma nova abordagem", defendeu o magnata, criticando uma série de ações diplomáticas e militares decididas pelo presidente Barack Obama e pela ex-secretária de Estado e sua rival democrata na disputa pela presidência, Hillary Clinton. "Gerámos vazios que permitem ao terrorismo crescer e prosperar", continuou Trump. "A política de Hillary Clinton permitiu oferecer um cenário mundial ao grupo Estado Islâmico", acrescentou.

"O governo de Trump estabelecerá um princípio simples, que se aplicará a todas as decisões relativas à imigração. Seremos firmes, inclusive radicais", prometeu. O candidato republicano voltou a comprometer-se a "suspender a imigração de algumas das regiões mais instáveis e perigosas do mundo, que têm antecedentes de exportar terrorismo".

Alguns minutos antes do discurso do republicano, o vice-presidente Joe Biden, em campanha ao lado de Hillary Clinton pela primeira vez, disse que Trump "está totalmente, profundamente, desqualificado para ser presidente dos Estados Unidos". "Nenhum funcionário indicado por um partido na história dos Estados Unidos soube menos, ou esteve menos preparado para dirigir a segurança da nossa nação do que Donald Trump", afirmou. "O que me surpreende é que parece que não quer aprender", apontou.

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