A reunião do Conselho de Segurança começou com Guterres a pressionar “por um cessar-fogo humanitário imediato, pela protecção dos civis e pela entrega urgente de ajuda vital”. No final, um voto contra dos EUA (membro permanente, com poder de veto), 13 a favor e uma abstenção (Reino Unido) chumbou a proposta.

Como já o tinham explicado antes, os Estados Unidos da América (EUA) votaram contra a resolução, da autoria dos Emirados Árabes Unidos e que foi apoiada por dezenas de Estados-membro, de apelo ao cessar-fogo em Gaza.  Através do seu representante na ONU, Robert Wood, os EUA começaram por afirmar que “não apoiamos o apelo a um cessar-fogo imediato. Isso apenas lançaria as sementes de outra guerra, porque o Hamas não quer uma paz duradoura, nem uma solução de dois Estados”.

Robert Wood também explicou que o voto contra é culpa do Hamas e da sua recusa a libertar jovens mulheres reféns e a falha das Nações Unidas de condenarem o grupo pelos ataques a Israel.

Do lado do Hamas, em comunicado: "Pedimos ao Conselho de Segurança, à comunidade internacional e a todos os países do mundo para que ponham fim a esta guerra brutal e salvem a Faixa de Gaza antes que seja demasiado tarde", declarou o gabinete de imprensa do Hamas citado pela AFP.

Do lado palestino, o representante nas Nações Unidas, Riyad Mansour, acusou o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, de procurar sobreviver politicamente à custa dos ataques e bombardeamentos na Faixa de Gaza.

“A pessoa que lidera este ataque sacrificaria o povo palestiniano e israelita pela sua sobrevivência política egoísta e é um inimigo declarado da solução de dois Estados. Toda a sua vida foi dedicada à aniquilação do povo palestiniano”, afirmou Mansour perante o Conselho de Segurança.

O embaixador sublinhou que o primeiro-ministro israelita procurou uma “oportunidade” política para “acabar com as aspirações nacionais do povo palestiniano”.

“Esta é a guerra de Netanyahu. Esta é a guerra da coligação mais extremista que permanece no poder em Israel”, advogou. “Devemos fingir que não sabemos que o objetivo é a limpeza étnica da Faixa de Gaza?”, questionou o diplomata, acrescentando que qualquer país que se opõe à destruição e à deslocação forçada da população palestiniana deve ser a favor de um cessar-fogo.

Neste sentido, apelou aos Estados-membros para que acordem e não se deixem enganar por Israel, que continua a “brincar” com os países, obrigando-os a discutir, entre outras coisas, o número de camiões com ajuda humanitária que entram em Gaza.

Após a votação e o chumbo da resolução de apelo ao cessar-fogo, Portugal, através do ministro dos Negócios Estrangeiros João Gomes Cravinho, lamentou a decisão.

“Naturalmente que lamentamos. Nós tínhamos precisamente apoiado a resolução que está ser vetada”, disse João Gomes Cravinho, à agência Lusa à margem da cerimónia de entrega dos prémios, que decorreu em Luanda.

Cravinho sublinhou que esta é a posição que Portugal tem assumido e insistiu que é urgente haver um cessar-fogo humanitário.
“É preciso que haja acesso da ajuda humanitária à população de Gaza, consideramos também fundamental que haja libertação sem condições dos reféns em Gaza e acreditamos que o cessar-fogo iria nesse sentido”, sublinhou.

Questionado pela agência Lusa sobre o que poderia fazer os EUA mudarem a sua posição face ao conflito, Gomes Cravinho considerou que isso já está a acontecer, embora nem sempre de forma visível.

“Mas quando se fala com os responsáveis políticos americanos, percebemos que a posição deles não é tão distante da nossa, a interpretação que eles fazem do caminho para lá chegar é que pode ser diferente”, notou.

*Com Lusa.

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