António Guterres falava na abertura do debate geral da 74.ª sessão da Assembleia-Geral da ONU, que arrancou hoje e irá decorrer até 30 de setembro com a presença de cerca de 150 chefes de Estado e de Governo, incluindo do Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa.

“Devemos fazer todo o possível para evitar uma grande fratura e manter um sistema universal: uma economia universal com respeito universal do Direito Internacional, um mundo multilateral com instituições multilaterais fortes”, afirmou o secretário-geral da ONU, sem mencionar especificamente os EUA e a China.

Este risco "pode ainda não ser grande, mas é real", afirmou.

Diante dos vários líderes mundiais presentes na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, Guterres enfatizou que este risco de fratura está a surgir no horizonte num momento de “transição e disfunção das relações globais de poder”, mencionando as movimentações para criar sistemas rivais de Internet, financeiros e monetários, bem como estratégias geopolíticas e militares.

Numa intervenção feita em três línguas (inglês, francês e espanhol) e que focou os vários temas, cenários e desafios que marcam a atualidade global, o secretário-geral da ONU traçou a imagem de um mundo que enfrenta, entre outros aspetos, uma “crise climática”, uma “possibilidade alarmante" de um conflito no Golfo, uma ameaça do crescimento do terrorismo e um aumento das desigualdades.

A 74.ª sessão da Assembleia-Geral da ONU, cujos trabalhos irão decorrer até setembro de 2020, será presidida pelo diplomata nigeriano Tijjani Muhammad-Bande, que assumiu este cargo anual na semana passada.

O debate geral tem como tema central a união de esforços multilaterais para a erradicação da pobreza, para uma educação de qualidade, para uma ação climática e para a inclusão.

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