Dois ativistas do grupo espanhol Futuro Vegetal colaram-se hoje às molduras das pinturas “A Maja Nua” e “A Maja Vestida”, de Francisco de Goya, expostas no Museu Nacional do Prado, em Madrid, numa manifestação de protesto pela emergência climática.

O que aconteceu exatamente? 

Além de se aproximarem das pinturas, escreveram entre elas a mensagem “+1,5º”, para "alertar sobre o aumento da temperatura global que causará um clima instável e graves consequências em todo o planeta", cita a agência EuropaPress.

Os responsáveis pela manifestação — um homem de 18 anos e uma mulher de 21, ambos espanhóis — foram detidos pela polícia por perturbação da ordem pública e danos. Segundo a Agência Efe, vão a tribunal após prestarem declarações na esquadra.

O Museu do Prado confirmou que, após uma primeira inspeção, as obras não foram danificadas, mas as suas molduras sim, em particular a de "A Maja Nua".

No início da semana, o Ministério de Cultura de Espanha emitiu uma circular em que recomendava o aumento de vigilância nos museus e a maior atenção aos seus visitantes.

É o primeiro protesto deste estilo? 

Não. Este protesto soma-se a outros que ocorreram em algumas instituições museológicas na Europa, tendo atingido Espanha pela primeira vez, de acordo com notícias divulgadas.

Desde julho deste ano, vários grupos ambientalistas escolheram como palco de protestos museus do Reino Unido, Alemanha, Itália e Países Baixos, nomeadamente o grupo britânico 'Just Stop Oil’, criado por membros do ‘Extinction Rebellion’, e o alemão 'Letzte Generation'.

Os alvos escolhidos foram, por exemplo, o quadro “Girassóis”, do pintor neerlandês Vicent Van Gogh (1853-1890), em exposição na National Gallery, em Londres, ao qual foi lançada sopa de tomate, ficando ligeiramente danificado, e um quadro do pintor francês Claude Monet (1840-1926), da série “Les Meules”, em exposição no Museu Barberini de Potsdam, em Berlim, alvo de puré de batata. Esta última obra não chegou a ser danificada, por estar protegida por um vidro, segundo indicação do museu.

E em Portugal? 

Depois de vários ataques a famosas obras de arte pela Europa, sob a forma de ações de protesto contra a ineficácia dos governos na luta contra a crise climática, o SAPO24 contactou vários museus portugueses que garantem estar atentos à situação e preparados para adaptar protocolos de segurança às diferentes "circunstâncias excecionais que possam antecipar-se".

À Lusa, os diretores de museus mostraram-se também preocupados com os recentes casos de ações ambientalistas consideradas "hediondas" e de “terrorismo” contra obras de arte, e garantiram que intensificaram a vigilância do património cultural à sua guarda.

Os ambientalistas só protestam em museus?

Nem por isso. Hoje, centenas de ambientalistas impediram aviões particulares de descolarem do Aeroporto Schiphol, em Amesterdão, numa manifestação na véspera da reunião climática da COP27 no Egito.

Os manifestantes do ‘Greenpeace’ e do ‘Extinction Rebellion’ sentaram-se à volta dos aviões particulares para os impedir de descolar, enquanto outros circulavam de bicicleta em redor das aeronaves.

Dewi Zloch, do Greenpeace Holanda, disse que os ativistas querem “menos voos, mais comboios e a proibição de voos desnecessários de curta distância e aviões particulares”.

A polícia militar informou que prendeu vários manifestantes por estarem nas dependências do aeroporto sem autorização.

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