Numa conferência de imprensa, uma porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês sublinhou que “não há razão para controvérsia” sobre a questão, insistindo na ideia de que “Marrocos é soberano”, pelo que cabe a Rabat decidir sobre as necessidades e a organização da ajuda às vítimas.

Rabat “decidiu receber a ajuda por fases”, afirmou a porta-voz, desdramatizando o facto de Marrocos ter aceitado o apoio de Espanha para apoiar as operações de resgate e humanitárias de um sismo que provocou mais de 2.800 mortos e de 2.500 feridos, bem como danos generalizados na região de Marraquexe.

A resposta de Paris, considera a agência noticiosa espanhola EFE, “é uma forma de minimizar a importância da recusa” de Rabat ao envio de ajuda oficial francesa como a que foi aceite por Espanha, que enviou especialistas da Unidade Militar de Emergência (UME) e da Unidade Especial de Emergência e Resposta Imediata (Ericam) da Comunidade de Madrid.

A Espanha é um dos quatro países, juntamente com o Reino Unido, Qatar e Emirados Árabes Unidos, cuja ajuda de emergência foi aceite por Marrocos, embora não tenha fechado a porta à possibilidade de a solicitar a outros, se necessário.

Este tratamento diferenciado não passou despercebido em França aos analistas, que, salienta a EFE, recordam as recentes incompreensões e rejeições de Marrocos.

A porta-voz dos Negócios Estrangeiros sublinhou a “solidariedade” que se manifestou em França desde a notícia do sismo, uma reação que, sublinhou, “veio de toda a sociedade francesa”, acrescentando que o governo francês também manifestou, desde o primeiro momento, a “vontade de ajudar Marrocos”.

Segunda-feira, na ausência de uma operação oficial de salvamento, a chefe da diplomacia francesa, Catherine Colonna, anunciou uma dotação de cinco milhões de euros para as organizações não-governamentais francesas e internacionais, que já estão a trabalhar no terreno.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros insistiu na ideia de que que a proposta oficial francesa de ajuda vai além de um mecanismo de emergência, pois “está enquadrada a médio e longo prazo” e, para isso, estão ainda “em contacto com as autoridades marroquinas”.

Entre os atritos entre Paris e Rabat estão as revelações na imprensa sobre a alegada responsabilidade de Marrocos na infiltração ou tentativa de infiltração nos telemóveis do Presidente francês, Emmanuel Macron, e de vários membros do Governo.

Por outro lado, insiste a EFE, Rabat “não vê com bons olhos” a vontade de Macron em procurar uma aproximação à Argélia, o rival secular no Magrebe (os dois países não têm relações diplomáticas) e também gostaria que a França se alinhasse com o reconhecimento total da soberania de Marrocos sobre o Saara Ocidental, a antiga colónia espanhola que agora ocupa em grande parte.

A clivagem entre a França, antiga potência colonial, e Marrocos é visível ainda no facto de o Governo de Rabat não ter um embaixador em França desde fevereiro deste ano e de, durante meses, as autoridades francesas terem deixado de falar de uma visita de Macron ao reino alauíta, que deveria ter-se realizado no início de 2023.

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