O treinador português chegou esta segunda-feira a Portugal, acompanhado da mulher e do filho e relatou uma viagem difícil, da qual destacou a sensação de "perigo".

"Obviamente que estamos exaustos, foram muitas horas de viagem. Gostaria de agradecer a algumas pessoas que foram importantes para estarmos aqui. Gostaria de agradecer ao Shakthar que nos acolheu nos primeiros dias, à embaixada portuguesa que nos transportou de Kiev para a Roménia e que nos ajudaram a passar a fronteira, e um agradecimento muito especial a uma pessoa que estava em Portugal, mas que esteve sempre muito preocupado com a nossa situação: o presidente da FPF Fernando Gomes, que entrou em contacto com o presidente da federação ucraniana e foram muito importantes para a nossa passagem na fronteira", disse o técnico português em declarações aos jornalistas no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.

Questionado sobre se pensa em voltar à Ucrânia, o treinador respondeu sem hesitar: "claro, que penso". "Foi um alívio para mim e para a minha família, mas custou-me muito deixar para trás aquele povo, que está a lutar de forma heróica. Custou-me muito ver o que se passava em Kiev. Sinto-me aliviado por mim e pela minha família, mas, ao mesmo tempo, sinto uma tristeza muito grande".

O técnico contou ainda que ele e a família tinham "a viagem programada para as 10 horas de quinta-feira" e que iam "fazer um voo com ligação à Suíça", mas "às quatro horas da manhã começámos a sentir as bombas a cair em Kiev" - momento ao qual se referiu como sendo "o mais difícil".

"Entrámos um pouco em pânico, só tivemos tempo de pegar nas malas e sair para a rua. Quando chegámos à estrada principal, o trânsito era tanto que já não conseguimos sair. Ficámos no hotel do presidente do Shakthar, juntamente com os jogadores do Shakhtar. Mas o momento em que sentimos mais medo foi quando sentimos as bombas a cair perto de nós. Não nos deixou dúvida nenhuma de que a guerra tinha começado", relatou.

Sobre o percurso, relatou "uma viagem difícil": "Vimos colunas militares, parámos uma vez ou outra e ouvimos sirenes, aviões a passar. A viagem foi muito longa, quase sem parar, sempre com o sentimento de perigo. Isso era o pior. Havia filas de trânsito em todo o lado, não havia comida e gasolina em áreas de serviço".

Paulo Fonseca salientou ainda que no país ficaram os amigos "que se alistaram e estão a defender a Ucrânia" na frente de batalha.

Katerina Fonseca também falou aos jornalistas: “O meu coração não está aqui, está na Ucrânia com os meus amigos, com os ucranianos que ficaram lá debaixo das bombas. Estou aqui para partilhar a mensagem com Portugal e a Europa que o que está a acontecer no meu país é uma guerra cruel, totalmente inaceitável e é tão difícil de ver as crianças mortas, as mulheres, civis”.

Katerina recordou ainda o momento em que esperava pelo voo de repatriamento e soube que a segunda maior cidade da Ucrânia, na qual estudou, tinha sido bombardeada e que muitas pessoas tinham morrido.

Concluída primeira operação de repatriamento de portugueses e luso-ucranianos

A operação de repatriamento dos primeiros 38 cidadãos portugueses e luso-ucranianos provenientes da Ucrânia, que abandonaram aquele país do leste europeu devido à invasão russa, foi hoje concluída com a chegada a Lisboa.

Falando aos jornalistas no Aeroporto Humberto Delgado, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva detalhou que "dois grupos atravessaram a fronteira da Ucrânia com a Moldávia e depois dirigiram-se à Roménia, onde convergiram".

"A partir da Roménia, de Bucareste, foi possível organizar uma ligação aérea e é essa que agora termina", observou.

Santos Silva indicou ainda que algumas pessoas ficaram em solo romeno.

"Algumas delas [pessoas] ficaram na Roménia, desde logo o senhor embaixador [na Ucrânia], os militares […] e outros funcionários da embaixada, que estão alojados na Roménia, enquanto não há condições para regressarem a Kiev", disse o ministro.

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