O Alqueva, “notável infraestrutura pública pela qual foi preciso lutar tanto”, e que tem “potencialidades imensas para contribuir para a segurança e a soberania alimentar”, transformou-se “na galinha dos ovos de ouro de grupos económicos do capitalismo agrário”, disse Jerónimo de Sousa, em Serpa, no distrito de Beja.

Segundo o líder comunista, “uma boa parte” daqueles grupos económicos é constituída por “multinacionais” que “vêm exercer a sua atividade de garimpo” para a zona do Alqueva, “com culturas superintensivas, seja do olival, seja de amendoal”.

“O caminho não pode ser o deste modelo agrícola insustentável, apoiado e acarinhado pelo Governo, que não contribui para fixar populações, antes pelo contrário, se estrutura em mão de obra de passagem, em regime de sobre-exploração”, alertou.

E, do ponto de vista ambiental, continuou, aquele “modelo agrícola insustentável” está a ser desenvolvido, “degradando solos e destruindo património, fazendo sobre uso da água ao serviço de interesses particulares, e pondo em causa a saúde humana”.

Jerónimo de Sousa falava numa sessão pública da CDU, coligação que junta PCP e Partido Ecologista “Os Verdes”, no âmbito da pré-campanha para as eleições autárquicas de dia 26 deste mês.

A sessão contou com a participação dos candidatos da CDU às presidências da Câmara e da Assembleia Municipal de Serpa, João Efigénio Palma e Tomé Pires, respetivamente.

No seu discurso, o líder do PCP voltou a exigir o aumento do salário mínimo nacional para 850 euros, considerando tratar-se de “uma medida inadiável, justa e emergente”.

Também voltou a acusar o Governo PS ter vindo a colocar “atrasos e limitações” para “entravar a concretização de um conjunto significativo de medidas” inscritas no Orçamento do Estado para este ano.

“Ou seja, o que era automático e o Governo não podia empatar, entrou em vigor. Em quase tudo o resto é o que se vê. Atrasos, desculpas, fingir que faz, mas não faz”, afirmou.

Segundo Jerónimo de Sousa, “não faltarão, nas próximas semanas” de campanha eleitoral para as autárquicas, “o agitar de novas promessas, o acenar dos milhares de milhões, a tentativa do PS de condicionar e chantagear os eleitores com esses investimentos”.

“Na CDU não fazemos das eleições um leilão de promessas, nem fazemos como outros, a começar pelo PS e o próprio Governo, que mil vezes prometem de novo o que mil vezes antes tendo prometido, não executaram”, sublinhou.

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