A luta contra a nova ponte de Tavira está longe de terminar. Agora, um grupo de arquitetos da terra juntou-se e chamou nomes de peso na área, que prontamente se associaram e criaram um manifesto "Por um projeto de cidade para Tavira".

Ao SAPO24, Sofia Ferreira, do movimento Tavira Sempre, explica que "o manifesto foi apresentado em Assembleia Municipal e o BE, o PCP e o PSD manifestaram-se contra uma ponte rodoviária, concordando com uma ponte apenas pedonal. A bancada do PS remeteu-se ao silêncio. O executivo PS, pela presidente Ana Paula Martins, repetiu os argumentos de sempre".

A Assembleia Municipal decorreu na Biblioteca Álvaro de Campos, um projeto de Carrilho da Graça, um dos subscritores do manifesto. "O Manifesto é dos arquitetos e foi criado de forma independente. O nosso Movimento obviamente associa-se", afirma.

A ideia "partiu de arquitetos com ligação a Tavira e que sensibilizaram outros colegas para este tema e que logo no momento decidiram contribuir, visto que não se identificam nem com o processo nem com as metodologias utilizadas pela câmara, nomeadamente no que diz respeito às estratégias de reabilitação urbana e respeito pelos territórios sensíveis e complexos como são os centros históricos", realça.

Siza Vieira, Carrilho da Graça e Souto Moura são alguns dos nomes que assinam o manifesto. "Eduardo Souto Moura tem obra feita em Tavira, Carrilho da Graça tem obra e casa em Tavira. No meio da arquitetura, os profissionais falam uns com os outros e este tipo de problemática é uma preocupação comum a todos os que valorizam a preservação do património. Quando se pensa em arquitetura, há nomes que surgem incontestavelmente como uma referência. Este manifesto é rico a todos os níveis, tanto pela importância da mensagem, como pelos seus signatários. Seria um erro a Câmara Municipal de Tavira não prestar atenção a este sinal e continuar a insistir no erro", acrescentou Sofia.

Assim, no manifesto, está em causa uma reflexão "sobre o processo de concepção e construção de uma ponte-viaduto para o centro histórico de Tavira, bem como sobre as alterações que esta operação irá implicar no que se refere à manutenção e salvaguarda de valores patrimoniais, culturais e identitários fundamentais, que dizem respeito não só à população local, mas a todos os que a visitam, hoje e amanhã", pode ler-se.

Deste modo, é referida a necessidade de "'parar para refletir' a favor da definição de uma estratégia de intervenção urbana abrangente, que contemple não só o local específico de implantação da nova ponte, mas também o projeto da globalidade das frentes ribeirinhas da cidade".

Em causa está a construção de uma nova ponte na cidade, que visa substituir uma das existentes — edificada na sequência das cheias de 1989, para colmatar os danos causados na antiga ponte sobre o rio Gilão, mas que acabou por se manter ativa durante 30 anos. Como está interdita ao transito automóvel há três anos por razões de segurança, a ideia é criar uma nova, de betão.

Em novembro, a Câmara Municipal referiu que as obras estão em curso e assim vão continuar. "Face à contestação pública sobre esta matéria, a qual não espelha a posição de todos os tavirenses atendendo a que diariamente o Município é contactado por munícipes e outros que apoiam a iniciativa de construção da ponte, a obra continuará os seus trâmites, pois em caso de suspensão dos trabalhos as consequências seriam altamente danosas para o erário público e comprometedoras da estabilidade financeira da autarquia e de futuros investimentos públicos".

Segundo o Movimento Tavira Sempre, não houve até ao momento qualquer alteração da situação.

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