Abril está longe de ser um mês tranquilo na sede do Twitter. No dia 4 de abril, Elon Musk anunciou ter comprado 9,2% das ações da empresa, tornando-se assim no seu maior acionista. No dia seguinte, disse que ia integrar o Conselho de Administração da rede social, informação desmentida no último domingo, quando anunciou que não ia integrar a direção do Twitter. Hoje, por fim, declarou estar disponível para comprar as restantes ações da empresa a 54,20 dólares por ação. Um negócio que, a concretizar-se, rondaria os 43 mil milhões de dólares.

Num documento enviado ao regulador da bolsa de valores dos EUA na quarta-feira, Elon Musk sublinha que esta é "a sua melhor e última oferta" e ameaça, em caso de recusa, "reconsiderar a sua posição como acionista" na rede social.

"Investi no Twitter porque acredito no seu potencial para ser a plataforma de liberdade de expressão em todo o mundo, e acredito que a liberdade de expressão é um imperativo social para uma democracia funcional", diz Musk no documento.

"Contudo, desde que fiz o meu investimento, apercebi-me que a empresa não irá prosperar nem servir este imperativo da sociedade na sua forma atual. O Twitter precisa de ser transformado numa empresa privada", afirmou.

Nas várias intervenções que fez sobre a rede social, aquele que é o homem mais rico do mundo, insistiu sempre nesta ideia de querer fazer o Twitter uma plataforma de liberdade.

Antes de anunciar que tinha comprado as primeiras ações da empresa, Elon Musk assumiu que estava a "ponderar seriamente" criar uma nova rede social, numa publicação que era acompanhada por uma sondagem em que perguntava se o Twitter cumpria “rigorosamente” o princípio da liberdade de expressão, um valor “essencial para uma democracia saudável”.

“As consequências desta sondagem serão importantes. Por favor, votem com responsabilidade”, escreveu. Os seguidores manifestaram-se e foram claros: na opinião de mais 70% dos votantes, o Twitter não é escrupuloso no cumprimento da liberdade de expressão.

Esta pergunta é o ponto de partida para a cronologia de altos e baixos que não satisfaz as perguntas de ninguém. Porque se o milionário gosta de utilizar o Twitter para ironias, memes e trolling no geral, também a Internet é pródiga em olhar para lá do óbvio e em criar inúmeras hipóteses. Por isso, já há várias teorias da conspiração a circular sobre a verdadeira razão de Musk querer comprar a rede social.

Há quem diga que o milionário está a fazer tudo isto para "trollar" a Securities and Exchange Commission (SEC), a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos. Porquê? Porque em 2018, Elon Musk anunciou que iria comprar todas as ações da Tesla por 420 dólares cada para tirá-la do mercado. Como consequência, estas dispararam aumentando assim a sua fortuna.

O anúncio causou um conflito com a SEC, que chegou a colocar como opção mais extrema limitar a capacidade de Musk tweetar. Esta podia ser uma forma de se rir na cara da comissão.

Outra teoria prende-se com um possível cenário mais simples: Elon Musk lançou a OPA, as ações dispararam, nem todos os acionistas aceitam vender a sua parte, o negócio cai e o milionário vende a sua quota parte a um valor muito mais alto do que as comprou fazendo assim facilmente algumas centenas de milhões de euros.

Uma coisa que sabemos é que Musk defende um caminho para o Twitter semelhante aquele que o co-fundador Jack Dorsey e o atual CEO Parag Agrawal  defendem e que se baseia numa descentralização da plataforma. Neste cenário, a moderação do conteúdo passa para os utilizadores, que passam também a ter mais liberdade para controlar as suas timelines.

No entanto, tudo isto carece de detalhes. Ficamos à espera dos próximos 280 caracteres.

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