A Academia, presidida por José Bento dos Santos, assinalou o seu 25.º aniversário na quinta-feira à noite, com um jantar em Lisboa, durante o qual anunciou os prémios deste ano. José Avillez (Belcanto, com duas estrelas Michelin e outros seis restaurantes, em Lisboa e Porto) recebeu a medalha de ouro por ter conseguido "um reconhecimento da gastronomia portuguesa", que é "uma referência nas esferas gastronómicas", destacou Bento dos Santos.

Durante a cerimónia, a Academia entregou o título de sócio honorário ao Presidente da República, que não esteve presente, e ao primeiro-ministro, António Costa. O chefe do Governo sublinhou a importância da gastronomia para "a imagem e atratividade" do país e saudou a "notável vitória dessa grande seleção de chefes que teve uma bela coleção de estrelas Michelin". António Costa adiantou que os governos português e espanhol estão a preparar "um jantar ibérico" para celebrar os 30 anos da presença de Portugal na União Europeia. "É muito simbólico da forma como estamos habitualmente na vida, gostamos de estar à volta da mesa, apreciar uma boa comida e um bom vinho e foi sempre assim que construímos boas amizades", referiu.

Na quarta-feira, a Michelin anunciou que Portugal conquistou a classificação de duas estrelas para dois novos estabelecimentos e a primeira estrela para sete restaurantes, totalizando 21 distinções (cinco com duas estrelas e 16 com uma estrela) na edição de 2017 do Guia Espanha e Portugal.

Portugal e Espanha querem a cataplana e a 'paella' como património mundial

Também presente na cerimónia, o presidente da Real Academia de Gastronomia espanhola, Rafael Anson, revelou que Portugal e Espanha querem cooperar para criar o Observatório Europeu da Gastronomia e para defender a declaração, como património mundial, de elementos como a cataplana e a 'paella'.

A Academia Portuguesa de Gastronomia e a Real Academia de Gastronomia "têm projetos importantes", como a criação do Observatório Europeu de Gastronomia, recomendada por uma resolução aprovada pelo Parlamento Europeu em 2014, disse Rafael Anson. Apoiar o turismo gastronómico e favorecer uma alimentação saudável, erradicar a fome e responder à má nutrição, seja por excesso seja por defeito, são outros objetivos.

A decisão do Parlamento Europeu, sublinhou, "marca uma mudança substancial e histórica sobre a gastronomia", que "deixa de ser um prazer de uns quantos privilegiados, para se transformar numa atividade saudável, solidária, sustentável e satisfatória". Rafael Anson assinalou ainda a importância de introduzir o ensino do gosto nas escolas, "da mesma forma que se ensina o ouvido para a música ou se educa a vista para as artes plásticas".

No mesmo sentido, o presidente da academia portuguesa, José Bento dos Santos, referiu que "a gastronomia não é comer luxo, o que é raro e caro", mas sim "saber apreciar, desfrutar, ter o prazer do gosto", sem ignorar as questões da saúde e cultura. Bento dos Santos referiu que a Academia Portuguesa de Gastronomia procura, "em conjunto com o Governo", defender a candidatura de Portugal para acolher o Observatório Europeu da Gastronomia. "Temos um património que deve ser transmitido de forma correta e que não prejudique as gerações futuras", defendeu.

Mais prémios de uma gastronomia que viveu  "uma verdadeira revolução"

Além da medalha de ouro atribuída a José Avillez, a Academia Portuguesa de Gastronomia decidiu ainda atribuir ao chef Milton Anes (LAB by Sergi Arola, com uma estrela Michelin) o prémio "Arte de Cozinha", assinalando a sua "bagagem técnica", aliada a uma "sensibilidade gustativa fora do comum", que lhe garantem "uma afirmação contínua" e uma cozinha "moderna, evidente, urbana e de notável recorte artístico".

O prémio "Arte da Sala" foi entregue a Rodolfo Tristão, escanção do Belcanto, em relação a quem a Academia aponta "a forma afável e abordagem pedagógica" com que se relaciona com os clientes do restaurante, transmitindo o seu "profundo conhecimento dos vinhos".

O restaurante Vallécula (Guarda) mereceu o prémio "Cozinha Tradicional Portuguesa/Maria de Lurdes Modesto" pela sua "consistência de qualidade" e "cuidado extremo com a genuinidade dos produtos".

O prémio de "Literatura Gastronómica" foi atribuído ao sociólogo António Barreto, pela obra "Douro. Rio, Gente e Vinho", que foi considerada "fundamental para se compreender a génese e o desenvolvimento do vinho do Porto", que é "a maior riqueza gastronómica" portuguesa.

A distinção de sócios honorários foi também atribuída ao presidente da Real Academia Espanhola, Rafael Anson, e à gastrónoma Maria de Lurdes Modesto.

O presidente da Academia Internacional de Gastronomia, Jacques Mallard, notou que a cozinha portuguesa viveu, nas últimas décadas, "uma verdadeira revolução".

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