O presidente da câmara municipal de Lisboa defende, numa entrevista ao ‘Público’ e à Renascença, que não é possível manter um “nível de condicionamento da vida” idêntico ao que tem sido imposto em Portugal, numa altura em que a vacinação já chegou a mais de 30% da população.

O autarca socialista diz mesmo que a atual matriz de risco, que orienta os passos em frente ou os recuos no desconfinamento, deve ser revista — seguindo a mesma linha já defendida por Marcelo Rebelo de Sousa.

Ainda assim, “mantendo o Governo a matriz e os indicadores, o que acontecerá com probabilidade a Lisboa e a outros municípios vai ser um recuo relativamente às regras do desconfinamento, que terá sobretudo um impacto ao nível dos horários da restauração, que ficarão limitados ao sábado até às três e meia”, disse Medina.

As medidas devem ser decididas já esta quinta-feira pelo governo de António Costa, que se reúnem em Conselho de Ministros.

Lisboa está “numa fase ascendente da incidência”, explicou o autarca. “Não estamos ainda sequer numa fase de estabilização, menos ainda numa fase de recuo. De acordo com a atual matriz de risco, e este é um ponto que, na minha opinião, deve ser avaliado. Isto vai significar um recuo no processo de desconfinamento”.

Medina lembra que “a matriz foi definida quando o estado da vacinação era muito mais atrasado do que é hoje”, e, por isso, “não podemos ter um nível de condicionamento da vida económica e social exactamente nos mesmos termos quando nós temos 5% da população vacinada ou quando ultrapassamos os 30% da população vacinada. Temos de fazer um grande esforço para acelerar a vacinação, acelerar e massificar o processo de testagem, mas na minha opinião devem ser avaliados os critérios para os recuos no desconfinamento”.

O Conselho de Ministros reúne-se hoje com a situação da covid-19 na agenda numa altura em que os indicadores da pandemia estão no vermelho e se perspetivam novas travagens ou retrocessos no desconfinamento.

Cem dias depois de ter iniciado o desconfinamento na zona verde da matriz de risco, Portugal encontra-se com os indicadores de controlo da pandemia no "vermelho" e começam a soar os alertas, sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo, que concentra 64,3 % do total de casos a nível nacional.

Na quarta-feira, a ministra da Saúde, Marta Temido, admitiu que Lisboa e Vale do Tejo deverá manter as medidas de restrição em vigor devido à situação epidemiológica da covid-19, enquanto o presidente da câmara de Lisboa, Fernando Medina, admitiu que o município pode dar um passo atrás no desconfinamento.

O agravamento da pandemia tem sido gradual e evidente nos últimos 31 dias, com o país a passar de 241 casos de infeção registados a 24 de maio para os 1.497 verificados na quarta-feira, o que representa uma subida de mais de 520%.

Há uma semana, a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, admitiu que Portugal venha a travar a passagem a uma nova fase de desconfinamento, prevista para a esta semana, face à evolução negativa da situação epidemiológica.

Em Portugal, pelo menos 17.077 pessoas morreram e 868.323 foram infetadas pelo coronavírus SARS-CoV-2, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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