Na terça-feira, em Marraquexe, António Costa vai estar presente num almoço oferecido pelo rei de Marrocos, Mohammed VI, aos chefes de Estado e de Governo que participam na conferência do clima promovida pelas Nações Unidas e, poucas horas depois, terá uma reunião com o seu homólogo marroquino, Abdelilah Benkirane.

Numa cimeira em que a comitiva do Governo integra também o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, e o secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro, o primeiro-ministro deverá discursar na COP22 já ao final da tarde de terça-feira.

Uma intervenção em que, segundo fonte do executivo, se espera que António Costa faça a defesa de uma "rápida aplicação dos mecanismos previstos no Acordo de Paris" para o combate ao aquecimento global, depois de Portugal ter sido um dos países que esteve "na linha da frente" dos processos de ratificação interna.

Isto, numa altura em que o Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou durante a campanha presidencial norte-americana romper o Acordo de Paris alcançado no ano passado entre 194 países.

No domínio ambiental, o Governo português pretende seguir um percurso de descarbonização total da economia até 2050, estando previsto que, em breve, se inicie a revisão do Roteiro Nacional de Baixo Carbono, a concluir até 2018 - uma meta que decorre do próprio Acordo de Paris.

O Acordo de Paris, que entrou em vigor a 04 de outubro, estipula a meta de não ultrapassar os dois graus Celsius (ºC) de aquecimento global no final do século e tem como objetivo limitar a subida da temperatura a 1,5ºC para manter um risco mais baixo de alteração do clima.

A cimeira COP22 iniciou-se em Marraquexe no passado dia 07 e junta cerca de 20 mil pessoas de todos os continentes. Além das questões em torno dos processos de ratificação nacionais do Acordo de Paris, as diferentes delegações ainda têm de chegar a entendimentos sobre o modo de tornar esse acordo operacional, nomeadamente no que se refere à definição de regras de transparência, à apresentação de estratégias nacionais até 2050 e, também, em matéria de ajuda financeira aos países em desenvolvimento.

No plano das relações luso-marroquinas - e reflexo da prioridade diplomática portuguesa -, a deslocação a Marrocos de António Costa acontece depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, ter estado neste país em fevereiro e de o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em junho, ter realizado uma visita oficial, durante a qual se encontrou com o rei Mohammed VI em Casablanca.

Na quarta-feira, em Casablanca, o programa do primeiro-ministro terá exclusivamente uma componente económica, participando e discursando num almoço com empresários.

Em relação a Marrocos, no plano económico, o principal objetivo de António Costa passa pela conclusão do projeto de interconexão energética - um projeto que o próprio destacou em vários encontros empresariais durante a sua recente visita oficial à República Popular China, em outubro passado.

A nível comercial, dados do executivo de Lisboa apontam que Marrocos foi no ano passado o 11.º cliente de Portugal e o 36.º fornecedor.

De acordo com os mesmos dados oficiais de janeiro/fevereiro deste ano, Marrocos encontra-se na 37.ª posição enquanto fornecedor e em 10.º lugar enquanto cliente de Portugal.

As transações comerciais entre os dois países são tradicionalmente favoráveis a Portugal, com as exportações a apresentarem de 2011 até 2015 um crescimento médio anual de 18,5%, enquanto as importações registaram um aumento de 4,6%.

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