O movimento começou a ação em 05 de dezembro passado, levando, ao longo de várias semanas, milhões de pessoas a protestar contra a proposta do Governo francês para rever o sistema universal de pensões, fazendo-o alinhar com outros países europeus, removendo benesses e obrigando os franceses a trabalhar por mais anos.

No auge da mobilização, o movimento chegou a ter quase dois milhões de pessoas nas ruas, de acordo com números das centrais sindicais, mas as ações de rua tinham parado em meados de janeiro, até ao regresso, hoje.

“A mobilização está aí. Quem se recusar a vê-la, deve abrir os olhos”, disse Philippe Martinez, secretário-geral da Central Geral de Trabalhadores (CGT) de França, minutos antes do início da manifestação que tomou conta das ruas de Paris.

Ao longo da tarde de hoje, 121 mil pessoas saíram à rua em várias cidades francesas, segundo o Ministério do Interior.

A CGT fala em números bem mais elevados, falando dos manifestantes que estiveram em Paris, Lyon, Marselha, Toulouse e Bordéus, entre outras cidades francesas.

Com as negociações sobre a reforma de pensões num impasse, no Parlamento francês, o movimento anunciou hoje novas formas de luta, que passam por greves em diversos setores, e espalhou a sua mensagem de protesto pelo país.

Em Nice (no sudeste de França), cerca de 50 bombeiros que estão em greve desde junho, deitaram-se hoje nos trilhos do metropolitano, que ficou bloqueado durante várias horas.

Mas as ações de rua envolveram igualmente outros setores profissionais, embora as autoridades francesas digam que os transportes foram pouco afetados pela greve convocadas por vários sindicatos.

Em Marselha, as operações nos portos foram alvos de paralisações que provocaram atrasos nas chegadas de navios, ao mesmo tempo que o lixo se acumulava na cidade, por causa da greve dos trabalhadores municipais.

O parlamento francês retomou esta semana os trabalhos na comissão que analisa as propostas de revisão das pensões, examinando mais de 20 mil emendas, incluindo 19 mil apresentadas por deputados do partido de extrema-esquerda França Insubmissa.

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