Questionado pela Lusa sobre os resultados das eleições diretas no PSD, que Rui Rio venceu por 53%, Paulo Rangel - que apoiou o atual e futuro presidente - comparou o modelo de escolha dos líderes do PSD ao do Presidente da República.

“São eleições unipessoais, tal como acontece nas eleições presidenciais o resultado esgota-se, dissolve-se, no dia da eleição. Não há nenhuma razão para haver qualquer dúvida ou qualquer condicionamento a uma liderança depois de haver uma eleição de tipo presidencial, no dia seguinte o presidente passa a ser presidente de todos”, afirmou.

Por outro lado, defendeu, as diretas de sábado trouxeram “uma clarificação evidente” sobre o passado recente do PSD.

“Se havia alguns setores do partido que diziam que tinha havido muito maus resultados, que o partido estava no mau caminho, e se o próprio partido disse que não, essas pessoas só podem tirar uma conclusão: a maioria do partido entendeu que o rumo que foi seguido foi correto e que os resultados menos bons se devem a razões que não têm tanto a ver com a liderança”, considerou.

O vice-presidente do Partido Popular Europeu e que também já foi candidato à liderança do PSD (em 2010, sendo derrotado por Pedro Passos Coelho) fez um apelo ao “espírito de normalidade democrática” dentro do partido.

“Os próximos dois anos vão ser anos muito construtivos. Com certeza que haver estabilidade e respeito pelos resultados não significa que não haja opiniões diferentes que o PSD sempre teve e vai continuar a ter”, afirmou, salientando que Rio, no seu discurso de vitória, disse estar aberto a diferenças de opinião, desde que respeitando a “estabilidade e lealdade”.

Sobre a sua participação nesse futuro próximo do partido - que há dois anos foi o primeiro nome ao Conselho Nacional proposto por Rio - , o eurodeputado disse ainda não ter pensado nesse assunto.

“Como disse ontem [sábado] o líder do partido, hoje é dia de descanso, sou delegado ao Congresso pela minha secção e lá estarei”, assegurou.

O atual presidente do PSD, Rui Rio, venceu no sábado a segunda volta das eleições diretas com cerca de 53% dos votos, derrotando o antigo líder parlamentar Luís Montenegro, que reclamou representar perto de 47% dos votos dos militantes sociais-democratas.

O 38.º Congresso do PSD, de consagração do novo presidente e de eleição dos restantes órgãos do partido, realiza-se entre 07 e 09 de fevereiro, em Viana do Castelo.

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