Ontem, pela noitinha, foram revelados pela imprensa nacional os grupos prioritários de vacinação à Covid-19, definindo os doentes graves entre os 50 e os 75 anos (o que inclui insuficiência cardíaca, respiratória e renal) como dos primeiros a receber a vacina, assim como profissionais de saúde e utentes de lares de idosos. Este grupo perfaz 750 mil pessoas a vacinar.

Em seguida, de acordo com o Público, seguem-se 45 mil elementos das forças de segurança e da proteção civil e também doentes crónicos entre os 50 e os 75 anos (o que inclui diabetes ou cancro). São assim mais três milhões de cidadãos a precisar de vacinas prioritárias. Ainda entre os grupos que deverão receber a vacina mais cedo estão os idosos com mais de 65 anos, mas foram considerados de menor prioridade.

Este plano de vacinação, para saber quem arregaça primeiro a manga para a vacina, carece ainda de aprovação e muitas figuras reagiram ao longo do dia de hoje. O primeiro foi o primeiro-ministro. António Costa rejeitou a possibilidade de todos os maiores de 75 anos sem doenças graves não terem acesso prioritário às vacinas. Costa disse que "[n]ão é admissível desistir de proteger a vida em função da idade", e acrescentou que "[a]s vidas não têm prazo de validade".

Na sequência destas declarações, o Ministério da Saúde quis esclarecer "que a estratégia de vacinação contra a Covid-19 (...) ainda não foi discutida com o Ministério da Saúde nem validada politicamente" e que as "informações vindas a público estão incluídas num documento meramente técnico e são parcelares e desatualizadas". Por outras palavras, o documento é oficial, mas não final.

As reações continuaram a multiplicar-se - desta vez, da própria 'task-force' criada pelo governo para coordenar todo o plano de vacinação contra a covid-19, desde a estratégia de vacinação à operação logística de armazenamento, distribuição e administração das vacinas. O coordenador da ‘task force', Francisco Ramos, explicou que a proposta apresentada pela DGS “não tem qualquer limite de idade para as pessoas internadas em lares”. E, a existir, "será pelas características das próprias vacinas e não por uma escolha de quem tem responsabilidade de decidir quem deve ser vacinado, nomeadamente quem será vacinado numa primeira fase”, que abrangerá cerca de um milhão de pessoas, explicou, sublinhando que ainda não se sabe qual a eficácia das vacinas nos grupos mais velhos.

E guardámos uma data: Francisco Ramos disse provavelmente na próxima semana a definição dos grupos prioritários ficará fechada. Fica depois a faltar definir onde serão os locais de vacinação e toda a logística de armazenamento e distribuição da vacina.

Sabíamos que haveria discussão em torno do plano de vacinação e sobre quais os grupos prioritários. O presidente do PSD considerou que o plano vai ser "polémico", uma vez que não haverá imediatamente vacinas para todos. No entanto, Rui Rio mantém alguma fé no governo, dizendo que acredita que este vai conseguir concluir o plano "a tempo e horas".

"Confusão" e "estranheza" é o que a possibilidade de os mais idosos poderem não ser vacinados contra a covid-19 causa ao bastonário da Ordem dos Médicos. Miguel Guimarães assumiu que, pelo final da manhã, ainda não tinha lido as notícias acerca do assunto, mas advertiu que a questão da vacinação “tem de ser vista com muito cuidado”. O bastonário disse ainda que é importante "perceber qual é a evidência que a nossa diretora-geral da Saúde tem para dizer, à partida, que pessoas a partir de uma determinada idade não devem ser vacinadas: se é para as proteger ou para as expor”.

Não foi Graça Freitas a seguinte a falar, mas foi alguém que se costuma sentar ao lado da diretora-geral da Saúde: o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, que garantiu que a vacinação para a Covid-19 não terá qualquer limite de idade e que os idosos e doentes com comorbilidades serão uma prioridade. Deixou também uma nota técnica e científica: "Obviamente há determinadas vacinas que, por causa de determinados critérios e características, têm uma indicação para determinadas faixas etárias — é a única limitação e tem só a ver com as características das vacinas", justificou, frisando que o plano ainda será alvo de análise de "decisão política", a seu tempo, "com ponderação e serenidade".

À entrada para um almoço com empresários da restauração, em Évora, ouvimos o Presidente da República dizer que é "uma ideia tonta" a proposta para que os mais idosos não sejam prioritários na vacinação. Marcelo Rebelo de Sousa - que vimos não só arregaçar a manga para tomar uma vacina (neste caso a da gripe), como também tirar a camisa - disse que tem acompanhado com o primeiro-ministro os trabalhos preparatórios do plano de vacinação para a Covid-19 e vincou que o documento, "antes de ser aprovado, tem de ser submetido ao Governo". O chefe de Estado notou que "é de presumir que as pessoas responsáveis não tenham ideias tontas", insistindo que "até agora não há plano aprovado" e que "tudo o que seja dito é pura especulação técnica, científica, social, política".
A este ponto, primeiro-ministro e Presidente da República rejeitaram a ideia de que os mais idosos não são prioritários na vacinação contra a Covid-19. Uma terceira rejeição surgiu depois do ‘briefing’ do Conselho de Ministros de hoje, em que a ministra de Estado e da Presidência disse que o Ministério da Saúde comunicou que as notícias sobre o plano de vacinação "são notícias baseadas em dimensões parcelares de um documento meramente técnico que está, aliás, já desatualizado porque todos os dias têm chegado novas informações sobre as vacinas”, começou por referir.

O plano de vacinação continuará assim, "nos próximos dias, com reuniões técnicas, do lado dos critérios de vacinação, com reuniões do lado da organização da logística da distribuição”, disse, que culminará "com uma decisão política sobre todo o processo que o Governo português comunicará”.

Ainda hoje, os professores fizeram-se ouvir: querem fazer parte do grupo prioritário no acesso à vacina e ser vacinados logo após os profissionais de saúde, tendo pedido ao Governo para também serem considerados profissionais de risco.

Para a Associação Sindical de Professores Licenciados, as condições de trabalho dos professores e educadores são preocupantes, em especial por se tratar de um grupo profissional envelhecido que está em contacto direto e diário com muitas crianças e jovens.

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