Vieira da Silva falava hoje numa audição parlamentar sobre a situação na Associação Raríssimas - Associação Nacional de Doenças Mentais e Raras.

“Tenho a perfeita consciência de que o facto de ter, como muitos outros, apoiado como cidadão, depois de ter exercido funções governativas, aquela instituição, me coloca numa posição de particular sensibilidade. Tenho toda a consciência disso, não tenho nenhuma dúvida”, disse Vieira da Silva em resposta a um conjunto de perguntas da deputada social-democrata Clara Marques Mendes.

A deputada perguntou a Vieira da Silva se não achava que tendo feito parte dos corpos sociais de uma instituição se não deveria, perante uma denuncia, ser mais firme e rápido para evitar suspeições.

Vieira da Silva disse que nenhum dos factos apresentados na reportagem da TVI que lançou a polémica sobre má gestão na Raríssimas foram focados na denuncia que foi enviada ao seu gabinete em outubro pelo ex-tesoureiro da instituição e reencaminhada para o Instituto de Segurança Social.

Segundo o ministro, o ex-tesoureiro da instituição queixou-se de não lhe estarem a ser enviadas informações sobre a instituição às quais julgava ter direito enquanto sócio, tendo sido pedida uma fiscalização.

“O que chegou ao meu gabinete prende-se exclusivamente com esta situação. Em nenhum momento se existisse por parte deste ou qualquer membro da Raríssimas informação sobre gestão danosa e aproveitamento pessoal nunca nos foi comunicada nesses ofícios”, frisou.

Na sua intervenção o ministro assegurou que a sua participação na Raríssimas “é de facto algo excecional”.

“Em toda a minha vida pública – que tem cerca de 20 anos - nunca aceitei um convite para fazer parte de uma instituição" disse Vieira da Silva explicando ter “bem a noção de qual é a responsabilidade de um titular de cargos públicos antes, durante e depois de os exercer”.

O ministro do Trabalho, Segurança Social e Solidariedade disse ainda que aceitou fazer parte da instituição porque conhecia o trabalho que esta desenvolvia e que nunca, durante o tempo em que participou, lhe foi referido qualquer reparo à gestão da instituição.

“Conheci o trabalho da instituição, assisti e participei no nascimento das suas respostas sociais, conhecia os objetivos do seu trabalho e foi-me apresentado um quadro de responsáveis que me garantia isenção e qualidade na gestão daquela instituição”, frisou.

“Nunca ninguém levantou nenhuma dúvida sobre a gestão da instituição, entrei e saí da instituição com a mesma imagem. Nunca entrou no ministério até agora alguma denuncia de menor qualidade na ação social daquela instituição, nenhuma família de jovens e crianças com doenças raras apresentou uma queixa sobre o desempenho da instituição”, adiantou.

Uma reportagem divulgada em 9 de dezembro pela TVI deu conta de alegadas irregularidades nas contas da Raríssimas, tendo apresentado documentos que colocam a agora ex-presidente da associação, Paula Brito e Costa, como suspeita de utilizar fundos da Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) para fins pessoais.

Entre as irregularidades apontadas, conta-se a compra de vestidos de alta costura, de bens alimentares caros e o pagamento de deslocações, apesar de ter um carro de alta gama pago pela Raríssimas. Além disso Paula Brito e Costa terá também beneficiado de um salário de três mil euros, de 1.300 euros em ajudas de custos e de um Plano Poupança Reforma que rondava os 800 euros mensais.

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