A legislação já tinha sido aprovada no início da semana pela Câmara dos Representantes, também com uma esmagadora maioria. Com a aprovação no Senado, o documento vai agora para a secretária de Trump na Sala Oval, para que o assine ou o vete.

A medida coloca o presidente Donald Trump diante do dilema de aplicar as sanções à Rússia, país com o qual queria melhorar as relações, ou assumir o custo político de um veto. Alguns países europeus expressaram preocupação pelo impacto económico das sanções contra a Rússia, já que o fornecimento de gás ao continente pode ser afetado pelo apertar do cerco a Moscovo.

O presidente dos Estados Unidos tem agora de escolher entre vetar a resolução do senado, com a consciência de que os legisladores estão preparados para passar por cima dessa decisão, ou assinar a legislação que o impede de alterar a política de sanções a Moscovo, uma ideia que a administração Trump tem aprovado, explica o Washington Post.

Tendo em conta o que o seu novo responsável de comunicações, Anthony Scaramucci, disse na manhã desta quinta-feira à CNN, o mais certo, porém, é que Trump vete mesmo a resolução do Senado. A secretária de imprensa da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders escusou-se a dizer se o presidente ia ou não assinar o documento: "Vamos esperar para ver como é a legislação final e tomar uma decisão nessa altura", disse, citada pelo Washington Post.

No início desta semana, quando o documento foi aprovado pelo Congresso, o republicano (partido de Trump) Paul Ryan dizia que a proposta "aperta os parafusos sobre os adversários mais perigosos [dos EUA] de forma a manter os americanos em segurança", cita a emissora britânica BBC.

Com este documento, Trump passa a ser obrigado a notificar o Congresso antes de fazer quaisquer alterações à política de sanções imposta a Moscovo, tendo depois os legisladores 30 dias para impedir o presidente norte-americano de implementar essas alterações. O processo, explica o jornal americano Washington Post, é conhecido como "revisão do congresso" e é a mais vasta forma de autoridade que aquele órgão implementa para controlar a política de sanções de qualquer presidente nas últimas décadas.

A política de sanções tem tradicionalmente sido deixada para o poder executivo do presidente, autorizando o Congresso as sanções à disposição da Casa Branca. Mesmo em casos mais graves, explica o Washington Post, o Congresso evita interferir com o presidente nos assuntos de segurança nacional.

Todavia, desta vez os congressistas temem os indícios de uma aproximação entre a Casa Branca e o Kremlin, nomeadamente um eventual alívio das sanções atualmente em vigor. Em causa estão ainda ideias da administração Trump de entregar à Rússia o controlo de dois complexos apreendidos por Barack Obama no final do ano passado.

Para além da necessidade de aprovação do Congresso a eventuais mexidas na política de sanções à Rússia, a legislação agrava ainda as sanções atualmente em vigor por causa do envolvimento de Moscovo nos conflitos da Síria e da Ucrânia, bem como por causa do alegado envolvimento russo nas eleições presidenciais norte-americanas que levaram Donald Trump à Casa Branca.

Estão também previstas punições mais duras ao Irão e à Coreia do Norte, numa tentativa de obrigar aqueles dois países a refrear os testes balísticos e outras atividades ofensivas.

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