Segundo adiantou à Lusa a Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE), os problemas agravaram-se na quarta-feira e hoje, uma vez que, tendo a unidade integrada no Centro Hospitalar do Entre Douro e Vouga (CHEDV) implementado a informatização de todas as atividades, há uma série de procedimentos para os quais já não existem formulários em papel.

"Tem sido um caos. Não se conseguem fazer tarefas tão básicas quanto registar os nascimentos do serviço de Obstetrícia e, mais grave ainda, as pessoas estão sem acesso ao sistema telefónico interno", diz a associação.

Contactada pela Lusa, a administração do CHEDV descreve a avaria como "um caso de rede intermitente" e diz que o problema está confinado "à consulta externa e às áreas administrativas".

Acrescenta que a solução tem sido "proceder a registos manuais sempre que possível", o que, admite, "está a tornar o atendimento mais lento e a obrigar ao reagendamento de grande número de consultas".

A ASPE identifica outras consequências do problema informático: análises que não podem seguir para laboratório porque "não se consegue aceder ao sistema para emitir a respetiva prescrição"; um atendimento de utentes "muito mais lento", que já vem implicando o adiamento de consultas externas; e consultas menos rigorosas porque "não se poder aceder ao historial clínico do doente para saber que problemas ele vinha apresentando".

A mesma fonte da ASPE identifica dificuldades também no hospital de dia do serviço de oncologia, que, devido à covid-19, está desde abril a funcionar no centro médico privado Lenitudes, a alguns quilómetros de distância do CHEDV, mas com recursos do próprio São Sebastião.

"Não conseguem imprimir as vinhetas para rotular as colheitas de sangue nem emitir as receitas", explica.

À Lusa, um funcionário administrativo do Hospital São Sebastião que pediu para não ser identificado reforçou a ideia do "caos total" que se vive na unidade nestes últimos dias.

Outro administrativo acrescenta: "Só conseguimos aceder ao sistema um minuto de cada vez, se tanto, e depois vai-se tudo abaixo uma hora ou duas, para andarmos nisto todo o dia. É enervante".

Ainda segundo a ASPE, "as falhas surgiram após uma atualização ao sistema informático do hospital, para introdução de novas funcionalidades".

O problema, diz a mesma fonte sindical, "é que não se fez um planeamento apropriado das implicações nem se acautelou que o hospital teria que continuar a funcionar normalmente enquanto se realizava esse ‘upgrade'".

Quanto à reparação da avaria, o CHEDV não adianta data para o efeito, mas informa que o caso está a ser analisado não apenas pela equipa de informáticos do próprio hospital, mas também "por uma empresa de manutenção externa especializada", sendo que a situação já foi comunicada à empresa pública Serviços Partilhados do Ministério da Saúde.

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