De repente, ei-la: a última semana de campanha. As armas e os barões andam todos assinalados, aqui nesta ocidental praia lusitana, a ver os quesitos que granjeiam à nobre pátria o maior número de deputados da respetiva cor.

E muitas cores há neste boletim de voto. Fui votar este domingo, aqui em Alves Redol, no Porto. Em maio o processo de voto antecipado foi confuso, levando Rui Moreira, o presidente da autarquia nortenha, a reclamar da fórmula. Todavia, embora sem mudanças legislativas, o processo foi agora organizado pela câmara como um sistema funcional de distribuição de eleitores. E resultou (ao que parece, em Lisboa também).

À parte os precoces, é só no próximo domingo que a maioria dos portugueses se abeira da urna para botar o voto. Aqui chegados, é difícil medir o pulso à campanha, não andasse ela a correr de um lado para o outro, de tema em tema, de ideia em ideia (é provável, aliás, que seja esse o objetivo).

Depois, as sondagens. Da Renascença chega-nos uma boa ferramenta para perceber a quantas andam os partidos. Usando métodos científicos (made in Universidade do Minho) e aquilo que vamos simplesmente descrever como mística estatística, a rádio católica tem-nos trazido uma “sondagem das sondagens”. O objetivo é medir o que dizem as sondagens dos outros meios e procurar um número lá dentro.

Hoje, o auscultador diz que o PS recolhe 38,68%  dos votos; o PSD chega aos 24,49%; o Bloco fica com 9,79% dos votos; a CDU com 7,03; o CDS-PP com 4,76% e o PAN com 3,74%.

O método e o histórico está na página da telefonia e vale a pena ler para descobrir como foi feito e que conclusões traz.

Mas, Pedro, conta-nos lá o que ainda se vai discutir esta semana, pede o leitor de bom senso.

É uma ótima questão. Bom, por agora há duas coisas em cima da mesa: Tancos e orçamentos.

Rui Rio, líder do PSD, combate nas duas frentes. Por um lado, é o autor dos comentários desconfortáveis que levaram o António Costa a acusar o presidente dos sociais-democratas de insinuação "absolutamente lamentável”, num caso que entrou de rompante na campanha na semana que passou, depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter vindo esclarecer que não é criminoso.

Entre acusados e arguidos, mesmo que na altura tenha sido praticamente unânime que a questão não deveria fazer parte da campanha, o PSD veio agora pedir o debate no Parlamento, por “suspeita da conivência do primeiro-ministro”.

A conferência dos líderes parlamentares reúne-se esta quarta-feira, para analisar o pedido do PSD.

O ministro Mário Centeno, na qualidade de candidato a deputado pelo PS, considerou que o PSD tem 4.750 milhões de euros por explicar no seu programa eleitoral, acrescentando que há propostas "materialmente impossíveis" no cenário social-democrata.

Centeno-candidato-a-deputado-por-Lisboa chama-lhes “4.750 milhões de euros no éter” e desafia Rio-candidato-a-deputado-pelo-Porto a debater as previsões macroeconómicas dos dois partidos: “Se houver algum candidato a deputado do PSD, em particular o Dr. Rui Rio, que queira debater estas questões comigo, não terei nenhuma dificuldade em fazê-lo", disse Mário Centeno aos jornalistas na sede do PS, no largo do Rato, em Lisboa. O PSD já nomeou um candidato-a-deputado: Álvaro Almeida.

Rio responde: “é lamentável que alguém que é o ministro das Finanças, e se deve comportar tecnicamente acima de qualquer suspeita, baralhe os números todos de uma forma absolutamente ridícula. Mas isso o professor Joaquim Sarmento vai-lhe dar uma aula - porque ele é professor - para ele saber ler o quadro macroeconómico do PSD. (...) Costa baralha os números porque não os percebe. Centeno baralha os números para enganar propositadamente os portugueses.”

Ah, mas atenção: entretanto, Joaquim Miranda Sarmento, mandatário do PSD para as legislativas, disse hoje à Lusa que os três riscos apontados por Mário Centeno no programa eleitoral do PSD não foram mais do que um 'fait-divers' (questão irrelevante) sem sustentação para que se fale menos de Tancos.

E a gente podia continuar por aqui a fora, enumerando réplicas, treplicas e sucessivos engenhos argumentativos. Não esquecer também que esta segunda-feira, PCP e BE andaram a falar da união com PS.

Que resta? Resta ouvir. E hoje até dá para ouvir os mais pequenos, esses partidos (ainda) sem representação parlamentar, que esta noite debatem na RTP.

Bem, já estamos aqui chegando à Taprobana, o que não convém, que me faltam as zonas no Andante. Findo, então, dizendo que eu sou o Pedro Soares Botelho e hoje o dia foi assim.

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