“Tancos é grave, é responsabilidade dos militares, mas não atirem tudo para cima dos militares, quem dá os recursos tem de assumir essas culpas também”, afirmou o general, que ocupou a chefia do Exército entre 2014 e 2016.

Carlos Jerónimo, que falava na comissão parlamentar de inquérito ao furto de material de guerra de Tancos, recusou que durante o seu mandato como CEME não tenha atribuído prioridade àquela instalação, que apresentava lacunas a nível de segurança e das condições físicas.

O general frisou que o Exército tem outras unidades a carecer de obras de manutenção há décadas e reforçou que o poder político é que define os orçamentos e as prioridades.

Quanto a Tancos, Carlos Jerónimo disse que constava, como outras instalações do Exército, de um plano de investimentos de 2015 para “obras prioritárias e urgentes”, mas sem financiamento atribuído.

Questionado pelo deputado do PS Ascenso Simões sobre se durante o seu mandato colocou a “urgência de Tancos” aos ministros da tutela, Carlos Jerónimo respondeu que não o fez: “Não pus o problema de Tancos ao ministro Aguiar-Branco”, declarou.

O general esclareceu em seguida que também nunca falou com o ministro Azeredo Lopes especificamente sobre as necessidades de investimento em Tancos.

“Mas quantos Tancos os senhores pensam que existem? Uns mais complicados, outros menos. As coisas vão-se fazendo paulatinamente, os recursos não aparecem de um momento para o outro”, vincou o general, na reserva desde 2016.

Classificando o furto como “grave”, o general declarou que a gestão “político-militar subsequente foi completamente desastrosa para a instituição”, considerando que “serviu para enxovalhar as Forças Armadas”.

Sobre as lacunas a nível de segurança naquela instalação crítica do Exército, Carlos Jerónimo respondeu que durante o seu período como CEME, “com os recursos disponíveis, os paióis de Tancos nunca foram roubados”.

E como viu o furto?, questionou Ascenso Simões. “Afetou-me bastante Tancos, passei a tomar comprimidos para a tensão”, respondeu.

Contando que foi aos arquivos militares procurar ordens de serviço para se preparar para a audição de hoje, o general fez questão de afirmar que “os paióis de Tancos sempre tiveram oito homens a guardá-lo”, referindo que segundo os registos que encontrou era assim “pelo menos” desde 1996.

E desde 1996 até hoje o Exército viu reduzido em grande percentagem o número de efetivos, prosseguiu o ex-CEME.

Questionado sobre se as instalações de Tancos eram uma prioridade no seu mandato, o general Carlos Jerónimo respondeu que “era uma prioridade como são as outras”.

“Se estava esquecido, não”, garantiu.

O general voltou a apontar ao poder político ao lembrar quanto custou ao Estado desistir do programa de aquisição dos helicópteros NH90 para apoio aéreo: “Custou sair do programa 37 milhões de euros, tudo somado dava para construir uma muralha medieval em Tancos e ponte levadiça e por lá crocodilos”.

O caso do furto de armas em Tancos ganhou importantes desenvolvimentos em 2018, tendo sido detidos, numa operação do Ministério Público e da Polícia Judiciária, sete militares da Polícia Judiciária Militar (PJM) e da GNR, suspeitos de terem forjado a recuperação do material em conivência com o presumível autor do crime.

A comissão de inquérito para apurar as responsabilidades políticas no furto de material militar em Tancos tem previstas audições a mais de 60 personalidades e entidades, vai decorrer até maio de 2019 e é prorrogável por mais 90 dias.

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