“Duvido que tenhamos de esperar tanto quanto a administração Biden esperou antes de o nosso Governo se juntar novamente às negociações de Viena”, disse Said Khatibzadeh numa entrevista ao jornal francês Le Monde.

“Quando o Presidente Joe Biden assumiu o poder, quantos dias demorou até os norte-americanos voltarem às negociações?”, questionou.

As negociações foram retomadas a 06 de abril em Viena, 77 dias depois de Joe Biden ter assumido o cargo, a 20 de janeiro.

“Não se passaram mais de 50 dias desde que o novo Governo iraniano tomou posse”, observou o porta-voz, lembrando que o novo Presidente iraniano, o ultraconservador Ebrahim Raïssi, foi investido a 05 de agosto pelo parlamento, que aprovou um voto de confiança 20 dias mais tarde.

Sexta-feira passada, em Nova Iorque, o novo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Hossein Amir-Abdollahian, afirmou que o Irão regressaria às negociações “muito em breve”, sem, porém, adiantar pormenores.

Também hoje, o Governo francês pediu à China para trabalhar ao lado da França para convencer Teerão a regressar à mesa de negociações.

“Contamos com a China para usar os argumentos mais convincentes com Teerão”, disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Anne-Claire Legendre, numa conferência de imprensa.

O “rápido” regresso do Irão é a “única maneira coerente com o interesse coletivo”, acrescentou Legendre, que foi questionada sobre se Pequim estava a desempenhar um papel “suficientemente construtivo” com Teerão.

“A França, os parceiros da E3 [Alemanha e Reino Unido], os outros parceiros do Plano de Ação Conjunto Global [JCPOA – Rússia e China e União Europeia] e os Estados Unidos estão unidos no pedido de regresso sem demora do Irão às negociações de Viena com o objetivo de concluir rapidamente as negociações”, continuou o porta-voz.

Assinado em Viena, em 2015, o acordo nuclear ofereceu ao Irão o levantamento de parte das sanções do Ocidente e da ONU em troca do compromisso de nunca adquirir armas atómicas e de uma redução drástica das armas nucleares e das atividades do seu próprio programa nuclear, colocado sob estrito controlo da ONU.

Mas, após a retirada unilateral dos norte-americanos do acordo, em 2018, uma decisão tomada pelo então Presidente Donald Trump, Teerão abandonou gradualmente a maioria dos seus compromissos.

As negociações de Viena, nas quais os Estados Unidos participam indiretamente, visam, ao mesmo tempo, reintegrar Washington no acordo e garantir que o Irão respeite os seus compromissos para impedir que adquira armas nucleares.

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