"Acelerar o processo como, se não há mais vacinas?" Foi esta a resposta que António Costa deu ontem à noite na entrevista que concedeu à TVI, perante as questões dos jornalistas quanto ao porquê de não se estar a vacinar mais rapidamente.

Desde que as primeiras vacinas começaram a ser dadas um pouco por toda a Europa, começámos a olhar para a pandemia em contagem decrescente, com a sensação de que o seu fim já teve início, não obstante a gravidade que começou a assumir nas últimas semanas.

O tempo que levará até que a inoculação comece a ser expressiva, porém, não depende de nós nem dos Governos, fora o seu papel num eficiente processo de vacinação, mas sim dos laboratórios farmacêuticos e da sua capacidade de produção. Hoje, porém, vimos como esse processo é mais delicado do que gostaríamos.

A Pfizer deu uma espécie de balde de água fria à Europa ao anunciar que iria atrasar a entrega de vacinas. Não se retire nobreza à causa deste atraso, é porque o laboratório quer melhorar a capacidade de produção, que será aumentada de 1,3 para dois mil milhões de doses.

A revelação desta decisão calhou justamente no dia em que Ursula von der Leyen regressou a Portugal na visita do colégio de comissários a Lisboa no âmbito da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia (UE). A partir do Centro Cultural de Belém, a líder europeia garantiu, contudo, que até ao final de março, todas as doses previstas serão entregues, cumprindo-se os calendários.

Assim esperamos, já que é crucial que as vacinações não parem e muitas das doses de que, por exemplo, o Governo português dispõe são para a segunda dosagem para garantir uma imunização efetiva.

A vinda de von der Leyen também serviu para realçar o aspeto de solidariedade que neste momento insta garantir para que a pandemia seja o mais indolor possível. Por isso mesmo, a comissária defendeu a unidade dos 27 na compra de vacinas sem acordos paralelos que possam pôr o processo conjunto em causa. António Costa, ao seu lado, anuiu, pedindo não só um certificado de vacinação contra a covid-19 comum a todos os estados membros, como lembrando que, se Portugal quisesse comprar vacinas sozinho, pagaria mais caro e em menor quantidade.

Mas se, num plano europeu, Portugal parece alinhado quanto ao que fazer com as vacinas, a nível interno mantém-se alguma discórdia, como por exemplo, no que toca a vacinar os professores.

Mantendo-se as escolas abertas no período de confinamento que teve hoje início, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, foi questionada pelos deputados da Assembleia da República se esta classe profissional não deveria ser considerada um grupo de risco que deva ser integrado entre as prioridades de vacinação.

A responsável, todavia, disse que não, lembrando que os critérios de vacinação dependem sobretudo de grupos etários e fatores de risco, ou seja, apenas os professores que cumpram alguns destes requisitos poderão ser vacinados já nesta primeira fase, que decorre até ao final de março, contrariando assim os pedidos desta classe.

A mesma justificação deu Marcelo Rebelo de Sousa ao porquê de os mais altos responsáveis do Estado Português não serem prioritários. "Não me cabe a mim substituir-me às autoridades sanitárias, mas acho que há prioridades mais prioritárias do que essa, com o devido respeito”, disse o chefe de Estado, admitindo que gostaria de ser vacinado mas que não vai “passar à frente de não sei quantos portugueses, só por ser Presidente da República".

O que é certo é que, por agora, foram vacinadas 100 mil pessoas, uma gota de água, sim, mas melhor do que nada, e um passo dado para que possam desaparecer do nosso vocabulário palavras como “confinamento”. Esse, porém, está para ficar. Hoje foi apenas o seu primeiro dia, mas pode estender-se até março.

Interessa então recordar as palavras que António Costa proferiu hoje quanto ao combate à covid-19: "Não estamos numa corrida de cem metros. Estamos numa maratona com 42 quilómetros. Mas as maratonas também se ganham".

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