"O que se aprende no meio dos flagelos: que há nos homens mais coisas a admirar do que coisas a desprezar".
Albert Camus, A Peste

Habituámo-nos a ouvir falar de grandes surtos, mas nunca nos sentimos verdadeiramente a viver um. Estudámos a peste negra, que aparecia nos livros de história, ouvimos avós com memórias da gripe espanhola, tivemos medo da gripe das aves e de coisas que pareciam acontecer longe. Agora é real: a Covid-19 está aqui. Está em todo o lado. Em todo o mundo.

Em Portugal, a DGS apresentou-nos hoje quatro algarismos: já passámos os mil casos de infeção. Perdemos seis vidas. Recuperámos cinco pessoas. Muitas esperam resultados de testes.

Sentimo-nos numa bolha. O país está em suspenso, em estado de emergência. Os mercados e os parques infantis estão fechados. Nas ruas e nas praças não há praticamente ninguém. As fronteiras estão controladas. A população é avisada: devemos ficar em casa, se possível.

Mas temos esperança. Admiremo-nos uns aos outros por isso. E há notícias que nos fazem ver esta bolha rebentar — ou quase parecer uma bonita bola de sabão:

- Tivemos de suster a respiração quando soubemos que podia nascer uma criança com Covid-19. Hoje respirámos de alívio: a bebé que nasceu de uma mãe infetada pelo novo coronavírus está bem, apesar de continuar no Centro Hospitalar São João, no Porto. A mãe está em casa, mas pode manter o contacto com a filha, desde que siga as recomendações de isolamento.

- Pensamos na palavra crise, encolhemo-nos e assustamo-nos. Mas vem algum consolo: a Comissão Europeia anunciou hoje uma suspensão "inédita" das regras de disciplina orçamental impostas aos países da União Europeia para permitir que os Estados-membros "estimulem o quanto quiserem" as suas economias.

- Conhecemos alguém (que por sua vez também há-de conhecer alguém) que está com dificuldade em regressar ao país. A TAP alivia a sensação de aprisionamento num país estrangeiro: vai passar a operar 25 voos diários a partir de segunda-feira, dia 23, sobretudo para "dar resposta à missão de transportar os portugueses" de volta ao país.

E para continuar a pensar em coisas positivas, neste fim-de-semana que se aproxima, duas sugestões:

  • Não podemos parar, é bom continuar o exercício físico (mesmo em casa). O João Dinis e o Luís Bickman conversaram sobre a melhor forma de nos mantermos ativos durante um período de isolamento. Inspire-se aqui.
  • É preciso garantir, também, que não esgotamos as sugestões de coisas para ver, ler e ouvir. Para ajudar, o Miguel Magalhães trouxe hoje a primeira edição de "Acho Que Vais Gostar Disto", uma rubrica com várias sugestões. O que sugerimos? É ver aqui.

Por fim, deixo um alerta, partilhado pela DGS: são os gestos simples que fazem a diferença. Leia todas as indicações, cumpra tudo à risca. Já diz o ditado que depois da tempestade vem sempre a bonança.

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