"Reuni-vos aqui para anunciar a minha candidatura", disse May em Londres, garantindo que é a pessoa ideal para "unir e governar no melhor interesse" do Reino Unido após a vitória do Brexit no referendo sobre a União Europeia (UE) de 23 de junho.

May prometeu que, se vencer, não vai adiantar as eleições legislativas previstas para 2020 e vai esperar pelo próximo ano para ativar o artigo 50 do Tratado de Lisboa para romper com a UE.

A ministra, de 59 anos, no governo desde 2010, também disse que não há volta atrás na decisão de sair da UE: "Brexit significa Brexit", afirmou.

Theresa May vai concorrer ainda com o ministro da Justiça, Michael Gove, num momento em que todos os olhares estão centrados em Boris Johnson, ex-"mayor" de Londres e o rosto principal da campanha pelo Brexit. Johnson deve anunciar a sua candidatura ainda hoje.

Como há mais de um candidato, os deputados vão eleger dois finalistas. Ambos vão ser submetidos ao voto dos 150.000 militantes do partido. No dia 9 de setembro o novo líder conservador e primeiro-ministro será conhecido.

Na sombra antes do referendo

"Ela permaneceu discreta durante a campanha (do Brexit) e pode beneficiar de um apoio mais amplo dentro do Partido Conservador para deter Boris (Johnson)", disse à AFP David Cutts, professor de Ciências Políticas na Universidade de Bath.

Boris Johnson é o favorito dos simpatizantes do Brexit, mas, de acordo com Tim Oliver, da London School of Economics, o próximo primeiro-ministro "não tem obrigatoriamente que ser alguém envolvido na campanha do referendo".

Theresa May conhecida pela sua postura eurocética, pronunciou-se no fim a favor da UE, mas o seu assessor político trabalhou para a campanha do Brexit. "Isto estabelece vínculos políticos (com o Brexit) e pode atrair o apoio de muitos conservadores eurocéticos", afirmou Tim Oliver à AFP.

"A UE está longe de ser perfeita, mas é do interesse nacional continuar como membro da UE", declarou em fevereiro, depois das reformas obtidas em Bruxelas por David Cameron. Em abril limitou-se a afirmar, durante o único grande discurso de campanha, que sair da UE "não resolveria todos os problemas de imigração" do Reino Unido.

Filha de um reverendo anglicano, segundo o jornal The Daily Telegraph, Theresa May reuniu uma equipa e trabalha nos bastidores para conseguir o apoio dos parlamentares conservadores.

"A nova Margaret Thatcher"

A postura de consenso levou o Sunday Times a apresentá-la, quatro dias antes do referendo, como "a única figura capaz de unir as alas rivais do Partido Conservador".

May, que com frequência é descrita como "a nova Margaret Thatcher", iniciou a carreira política em 1986, depois de estudar na Universidade de Oxford e trabalhar durante pouco tempo no Banco da Inglaterra.

Foi eleita vereadora do distrito londrino de Merton e em 1997 foi eleita deputada conservadora pelo distrito de Maidenhead, em Berkshire (sul da Inglaterra). De 2002 a 2003 foi a primeira mulher a ocupar o cargo de secretária-geral do Partido Conservador e de 1999 a 2010 ocupou diversos cargos no gabinete paralelo conservador, quando o partido estava na oposição.

Com a eleição de David Cameron como primeiro-ministro, em 2010, Theresa May foi promovida a ministra do Interior, cargo que mantém seis anos depois, consequência da vitória eleitoral conservadora no ano passado

O Daily Telegraph descreve-a "como a mulher mais importante da política nacional, graças a uma determinação feroz e à recusa em reprimir o seu gosto por sapatos com padrão de pele de leopardo", parte de um figurino sempre muito elegante.

Casada desde 1980 com Philip John May, um executivo do setor bancário, Theresa May não tem filhos, gosta de passeios e de cozinhar. A ministra ganhou destaque no governo pela sua linha implacável contra o crime. É protestante praticante, mas já se manifestou a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

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