Se muitos países são uma ‘via verde’ para a Uber, a Europa é o local onde as plataformas tecnológicas norte-americanas que permitem pedir carros de transporte de passageiros descaracterizados, com uma aplicação para ‘smartphones’, encontram tradicionalmente maior oposição.

Em junho deste ano, um tribunal francês considerou a Uber culpada de criar um negócio de aluguer automóvel “ilegal”, de “violar práticas comerciais” e de ser “cúmplice no exercício da atividade de táxis ilegal”. A empresa foi multada em 800 mil euros e os seus dirigentes locais em 50 mil euros.

Mas França foi apenas um caso de uma série de contratempos impostos no ‘velho continente’ ao gigante de São Francisco, que desde 2009 não tem parado de ganhar mercado às operadoras de táxi em todo o mundo – incluindo na Europa, apesar de ter enfrentado proibições ou restrições da atividade em tribunais em Espanha, Itália, Alemanha e, eventualmente, na Holanda, Bélgica ou Reino Unido, se os processos aí em curso tiverem desfechos semelhantes.

O que aconteceu na Hungria em julho foi ainda mais radical. A Uber anunciou então a primeira saída de um país da União Europeia, depois da promulgação pelo Governo húngaro de uma lei que tornou “impossível” o seu funcionamento e pondo fim a um braço-de-ferro que durava há dois anos.

O gigante norte-americano levou o caso para o Tribunal Europeu.

Em declarações reproduzidas pela edição do Financial Times em 06 de junho, Dieter Schlenker, líder do sindicato do Taxi Deutschland, um sindicato de taxistas alemão, considerou que o desfecho do julgamento da Uber em Frankfurt – que obrigou a empresa a utilizar apenas motoristas credenciados e esteve na origem da saída da Uber dessa cidade, mas também de Hamburgo e Düsseldorf – “beneficia todos os que têm dificuldade de se defender contra os interesses das grandes corporações”.

Os utilizadores da Uber e a popularidade da empresa em todo o mundo – incluindo a Europa - questionam este “benefício”.

Alguns analistas norte-americanos também têm uma visão peculiar sobre o tema.

David Ellwood, professor de Estudos Europeus e Eurasiáticos na Universidade de John Hopkins, nos Estados Unidos, considera a história da Uber como “um exemplo clássico de uma inovação norte-americana” que “rompeu com as formas europeias de organização da vida, do governo, dos negócios, cultura e muito mais”.

Num artigo publicado no final de junho no blogue OUP, da Oxford University Press, Ellwood considera que a Uber representa o “verdadeiro desafio do ‘soft power’ norte-americano: demonstrando a força de um exemplo que é excecionalmente grande, dinâmico e atraente, e portanto não pode ser constrangido”.

“Invariavelmente”, inovações como as que a Uber traz colocam “as instituições europeias, as economias e as populações perante o quebra-cabeças de decidirem se são progresso ou não e como lidar com isso”, acrescentou.

Em Portugal, a instalação da Uber e, posteriormente, da Cabify tem levado a fortes críticas do setor do táxi, devido à falta de regulamentação da atividade.

Alegando concorrência desleal e exigindo leis que legalizem estas plataformas, os taxistas voltam na segunda-feira às ruas de Lisboa numa marcha lenta de protesto.

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