O objetivo foi o de “ver se [estes partidos] têm condições para pegarem em algumas das reivindicações e preocupações, muitas delas sociais, e verificar se podem ser acomodadas na discussão do Orçamento do Estado para 2017”, disse o dirigente da União Geral de Trabalhadores (UGT).

A sua satisfação com as reuniões foi patente quando disse: “Não posso mentir se afirmar que, quer um, quer o outro partido – um que apoia e é o Governo, o outro que está a apoiar o Governo à esquerda do parlamento – têm um conjunto de preocupações que são muito convergentes com aquilo que a UGT defende”.

Em concreto, pormenorizou Carlos Silva, estas preocupações respeitam “à valorização dos salários e das pensões, ao aumento do indexante dos apoios sociais, à necessidade de dinamizar a negociação coletiva, à possibilidade de haver em sede de IRS um benefício fiscal ou uma dedução à coleta das quotizações sindicais”, além do emprego, desemprego e diálogo social.

O secretário-geral da UGT recordou também que durante o dia de hoje esteve em Portugal a comissária europeia Marianne Thyssen, “que veio apresentar o pilar social europeu”.

A este propósito, salientou que este pilar corresponde à defesa do modelo social europeu, “que valorize os rendimentos do trabalho, o diálogo social e o Estado social, por contraponto ao que têm sido as políticas de austeridade” em Portugal nos últimos quatro anos.

Estas políticas, acusou, “levaram a cortes de salários, de pensões, de complementos de reforma, ao bloqueio da negociação coletiva e fizeram incidir sobre os rendimentos do trabalho e as pensões o grosso da coluna de suporte ao pagamento daquilo que é o resgate financeiro que Portugal sofreu”.

Por fim, disse que lhe foi “percetível, sobretudo por parte do PS, uma grande preocupação em querer continuar a dar aos portugueses alguns sinais de atenuação da austeridade, nomeadamente ao nível da política fiscal e do desagravamento das condições remuneratórias, mas percebe-se que há aqui constrangimentos externos e internos”.

E foi nestes constrangimentos que Carlos Silva radicou “a grande dificuldade e o desafio para 2017”, a saber: “Compaginar a vontade de dar mais rendimento aos trabalhadores, apoiar as empresas, mas simultaneamente promover o crescimento económico e cumprir com os compromissos internacionais”.

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