Os ecos dos insultos racistas dirigidos a Moussa Marega prolongaram-se por esta segunda-feira, abafados pelas condenações e pelas ações efetivas nos canais próprios da justiça portuguesa, mas ainda audíveis nos comentários daqueles que apelidam o caso como “síndrome Joacine” ou que parecem recusar ouvir os sons de macaco vindos das bancadas do estádio D. Afonso Henriques ou que ainda procuram minimizar o caso ao dizer que foi o avançado maliano que começou com as provocações.

A frase “não há racismo em Portugal” ou “Portugal não é um país racista”, tantas vezes proferida por certos grupos políticos no espaço público, foi esquartejada na praça pública e continua a ser esventrada nas caixas de comentários das redes sociais durante o dia de hoje.

O caso não é único, nem por cá, nem lá fora. Em Itália, França e Reino Unido tem estado na ordem do dia. Amanhã, dia em que a Liga dos Campeões está de regresso com um Atlético de Madrid Vs. Liverpool e um Borussia Dortmund Vs. Paris Saint Germain, resta-nos esperar que o espetáculo se sobreponha às palavras vindas da bancada por quem finge amar o desporto, se sobreponha aos ódios e que a esperança prevaleça como forma de combate ao racismo e à discriminação.

Perdemo-nos enquanto civilização na questão do trato. E se o futebol, desporto rei em Portugal por excelência, mostra o mais triste na relação entre seres humanos iguais, a discussão sobre a Eutanásia, num outro tom faz o mesmo, entre os que defendem a despenalização da morte, de um fim de vida digno, e os que classificam a prática como homicídio - e que ficou espelhado nas várias homilias proferidas no passado domingo.

Na política, o trato entre Portugal e Veneuzela também se vai perdendo. Hoje, o país sul-americano suspendeu os voos da TAP por 90 dias numa polémica que envolve Juan Guaidó e os alegados explosivos a bordo de um avião português.

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