A audiência pública do julgamento do chamado "Vatileaks 2" foi iniciada com a presença dos acusados na sala do tribunal. Um grupo limitado de jornalistas teve acesso à sala, como já estava previsto, desde a abertura do julgamento, em 24 de novembro.

O sacerdote espanhol Lucio Vallejo, de 54 anos, que está em prisão domiciliária no Vaticano, a consultora italiana Francesca Chaouqui, de 34 anos, e um colaborador de Vallejo, Nicola Maio, de 37 anos, foram acusados de associação criminosa, com a finalidade de documentos confidenciais aos quais tinham acesso graças ao cargo que ocupavam no Vaticano.

Os dois jornalistas italianos, Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi, autores de livros sobre a corrupção na Cúria Romana, lançados em novembro de 2015, foram acusados de divulgação ilícita de documentos confidenciais.

Trata-se da primeira vez que o Estado do Vaticano processa dois jornalistas, algo que a imprensa italiana qualificou de "nova Inquisição".

"A informação não pode ser parada com julgamentos", escreveu no seu Twitter, pouco antes da audiência, o jornalista Gianluigi Nuzzi.

"Vou apenas dizer a verdade: fiz o meu trabalho e voltarei a fazê-lo novamente", declarou Emiliano Fittipaldi.

A divulgação de documentos confidenciais "contra a segurança do Estado" é um crime introduzido pelo Papa Francisco em julho de 2013 e é punido com uma pena entre os 4 a 8 anos de prisão.

O tribunal do Vaticano voltou a ordenar na semana passada a prisão do sacerdote Lucio Vallejo na sede da Gendarmeria vaticana, pela "violação da proibição de comunicação com o exterior", uma pré-condição para a prisão domiciliária, segundo fontes do Vaticano.

No sábado, depois de três meses e meio do início do julgamento, foi realizada uma sessão preliminar à porta fechada com especialistas e juízes, sem a presença dos acusados, na qual foram examinados vários assuntos técnicos.

O tribunal aceitou analisar como provas os e-mails, mensagens e conversas via WhatsApp entre os acusados, alguns deles com detalhes importantes, segundo a imprensa italiana.

Francesca Chaouqui, que está grávida de sete meses, chegou vestida de preto e acompanhada por quatro guarda-costas. Lucio Vallejo e Francesca Chaouqui fizeram parte da extinta Comissão Investigadora dos Organismos Económicos e Administrativos da Santa Sé (COSEA), nomeada pelo papa Francisco para fazer propostas de reformas sobre as finanças e a economia do Vaticano.

A defesa da concultora tentou, em vão, argumentar que o crime de que é acusada - divulgação de documentos confidenciais - foi cometido em território italiano, ou seja, fora da jurisdição da justiça do Vaticano e pediu que Francesca Chaouqui fosse julgada em Itália como "refugiada política".

O novo escândalo de divulgação de documentos confidenciais do Vaticano é o segundo caso, depois de outro em 2012, no tempo de Bento XVI, apelidado de "Vatileaks".

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