“Temos que verificar se os membros do Conselho de Direitos Humanos podem ser cúmplices de medidas coercivas unilaterais. Não deveria haver um membro formal deste Conselho que as imponha ou que facilite a sua imposição, nem membros que não se atrevem a condená-las”, indicou o ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Jorge Arreaza.

O chefe da diplomacia da Venezuela salientou que os países que não condenam as sanções “talvez não estejam a violar os direitos humanos no seu território, mas estão a promover violações em países terceiros, o que os impede moral e eticamente de serem membros deste Conselho”.

Jorge Arreaza recorreu novamente ao Conselho de Direitos Humanos, como faz em quase todas as sessões, para denunciar o que o seu Governo considera uma conspiração ocidental liderada pelos Estados Unidos para forçar a saída do poder do Presidente Nicolás Maduro.

Os Estados Unidos mantêm ativos vários pacotes de sanções contra dirigentes ligados ao regime do líder venezuelano Nicolas Maduro.

Um dos pilares da economia venezuelana — que atravessa sérias dificuldades — o grupo petrolífero PDVSA está sujeito a sanções por parte dos Estados Unidos.

No seu discurso, Arreaza explicou que a intervenção sobre o PDVSA fez com que o seu país perdesse 12 mil milhões de dólares (10 mil milhões de euros) com os quais poderia pagar alimentos e medicamentos para a população venezuelana durante cinco anos.

“Nada que os Estados Unidos faça nos fará desistir do direito à autodeterminação ou a entregar um centímetro da nossa soberania”, acrescentou.

Questionado sobre a crescente tensão na fronteira da Venezuela com a Colômbia, o ministro recusou-se a comentar e assegurou que na sexta-feira abordará esse e outros assuntos numa conferência de imprensa que dará em Genebra, Suíça.

A Venezuela vive uma crise social e política, com reflexos humanitários, desde que em janeiro passado Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional – onde a oposição é maioritária -, se autoproclamou Presidente interino, questionando e desafiando a legitimidade de Nicolás Maduro.

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