“Aquilo que nós estamos a precisar é de um fundo de emergência e não de um concurso”, reivindicou hoje o ator e encenador Rui Spranger, um dos elementos da comissão organizadora da vigília no Porto.

Rui Spranger alerta para a situação de muitos profissionais da Cultura, que só não estão a passar fome, porque “felizmente o meio está a mexer-se para ajudar esses profissionais”, com a criação de cartão de compras, distribuição de cabazes com comida e dinheiro da Associação Cultural e Filantrópica.

O participante e organizador da vigília critica o Ministério da Cultura por ter proposto “um concurso para o futuro” e não “para o presente”, e acrescenta que foi um concurso “tão simplificado que ninguém sabe quais foram os [seus] critérios”, para uns ficarem de fora e outros não.

Foi às 15:00 em ponto que o primeiro grupo de 10 pessoas ergueu hoje vários cartazes pretos em formato A3, com a inscrição “E se tivéssemos ficado sem cultura?”.

“Estamos a lutar por um estatuto que dê proteção especial, ou seja, um estatuto de intermitência de espetáculo”, explica Rui Spranger, referindo que também reivindicam “políticas culturais, porque tem havido um subfinanciamento constante do Ministério da Cultura” e porque “nunca houve um critério que definisse claramente aquilo que devia ser a função desses apoios, nomeadamente a função do serviço público”.

Os organizadores da vigília indicam ainda que, durante o próximo mês, “as coisas vão-se agravar muitíssimo” para o setor da Cultura, porque as poupanças dos artistas estão a esgotar-se.

“Há pessoas que estão já com dívidas acumuladas de eletricidade, de água, renda e de Segurança Social. Neste momento existe uma acumulação de dívidas e a tendência é isto piorar”, alerta Rui Spranger, explicando que, por causa da precariedade em que se habituaram a viver, os “artistas estão habituados a terem sempre algum dinheiro de lado, porque nunca sabem se vão ter trabalho no futuro”.

Rui Spranger refere que o setor da Cultura sempre viveu na precariedade, mas que, com a pandemia da covid-19, essa precariedade veio “pôr a nu” tudo aquilo que tem sido a vida dos artistas.

“Neste momento os apoios que aconteceram são escassos. Há muitas pessoas que ainda estão com os seus processos em análise na Segurança Social [SS]. Os apoios da SS são diminutos (…), com um teto máximo de 635 euros. E continua a fazer-se as contribuições. (…) Estamos a falar de migalhas que não dá para as pessoas viverem”.

Um grupo informal de profissionais da Cultura e das artes está a promover esta tarde, até às 19:00, a Vigília Cultura e Artes em várias cidades portuguesas – Funchal, Faro, Caldas da Rainha, Setúbal, Almada, Porto, Aveiro, Évora, Vila do Conde, Coimbra, Santa Maria da Feira -, com os manifestantes divididos em turnos de 10 pessoas que se vão revezando para cumprir a regra do distanciamento social devido à doença de covid-19.

Por causa da covid-19, os espaços culturais começaram a encerrar e a adiar ou cancelar espetáculos no início de março transato.

De acordo com um inquérito promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, Audiovisual e Músicos, com resultados anunciados no início de abril, 98% dos trabalhadores de espetáculos viram trabalhos cancelados e, 33%, por mais de 30 dias.

Em termos financeiros, para as 1.300 pessoas que responderam ao questionário, as perdas por trabalhos cancelados representam ainda dois milhões de euros, apenas para o período de março a maio deste ano.

Em resposta, o Governo criou uma linha de apoio de emergência, com uma dotação inicial de um milhão de euros, reforçada entretanto com 700 mil euros, que vai apoiar 311 projetos em 1.025 pedidos recebidos.

Foi ainda anunciado um apoio de 400 mil euros na área do livro e agilização de procedimentos no acesso a concursos de apoio ao cinema.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 328 mil mortos e infetou mais de cinco milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 1,8 milhões de doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 1.277 pessoas das 29.912 confirmadas como infetadas, e há 6.452 casos recuperados, de acordo dados hoje divulgados pela Direção-Geral da Saúde.

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