O que faziam os seus pais?

A minha mãe era professora de Francês, o meu pai era oficial do Exército português.

Quem são os seus amigos?

Quer nomes, a sério? Está a complicar-me a vida, são tantos. Um grande amigo é o Nuno Silvério Marques, outro é o João Viegas… Na política não tenho muitos amigos, assim amigos pessoais…

É tudo família?

[Risos] Por acaso não tenho uma família muito grande, infelizmente é até bastante pequena. Mas os meus amigos são pessoas que vêm de várias áreas como a economia ou a gestão, estão ligados a empresas.

Quem foi o pior primeiro-ministro de todos os tempos?

Em Portugal? Houve tantos… Não sei dizer.

Qual o seu maior medo?

Alguma vez não conseguir vencer o meu medo. Posso dar um exemplo?

Claro.

Sempre tive muita dificuldade em enfrentar o público, estamos a falar de trinta anos a fazer isto, mas nunca deixei de ter esse receio, de bloquear. Mas é um desafio. Ter medo é a coisa mais normal do mundo e o meu maior medo é haver uma altura em que diga que não vou porque tenho medo.

Qual o seu maior defeito?

Ser preguiçoso.

Quem é a pessoa que mais admira?

Podia dizer o meu pai e a minha mãe, mas já morreram os dois. Vou dizer uma coisa horrível e que ainda me vai condenar mais - mas já fui insultado por toda a gente, portanto: Marcelo Rebelo de Sousa.

A sua principal qualidade?

[Suspiro] Pensamento estratégico.

A maior extravagância que alguma vez fez?

Sair à rua, em Estrasburgo, no mês de janeiro, com 21 graus negativos, e levar roupa de verão. Esqueci-me até do sobretudo e fui assim a pé até ao Parlamento Europeu, ia morrendo congelado. Não me lembro de mais nenhuma (já terei feito algumas, mas não posso contar).

O seu filme de eleição?

Entre “As Pontes de Madison County”, “O Caçador” ou “Era Uma Vez na América”, não sei…

Em traços gerais que perfil tem de ter alguém para trabalhar consigo?

Ser leal.

Uma virtude que para si seja sobrevalorizada?

[Pensa] A lealdade. Porque achamos que é uma virtude fundamental, mas depende de demasiados fatores, é demasiado frágil. Percebo que a sua pergunta anterior e a minha resposta não coincidem, mas estou demasiado cansado para explicar melhor. Olhe, e lembrei-me de outro filme, a propósito disto, “A Invenção da Mentira”, de Gervais, em que toda a gente diz a verdade. É tão divertido.

O que o irrita, o que é capaz de o deixar de cabeça perdida?

Muito pouca coisa, mesmo. Tento fazer uma coisa que é, se quiser, um dos guias da minha vida: separar o importante do acessório. Acho que temos dificuldade em fazê-lo. É que até chegar ao importante é preciso muito. Portanto, a partir do importante posso irritar-me, até lá estou-me nas tintas. Mas irrita-me muito a grosseria escusada, gratuita, a escatologia. Não gosto nada, acho um disparate. No humor, ou se tem ou não se tem, mas quando não se tem é escusados usar a escatologia, porque não tem graça nenhuma. Mas estamos a viver um tempo em que o mais básico é o que triunfa. E isso irrita-me.

O que o deixa feliz?

Os meus filhos. E vou jantar com eles agora…

Se pudesse, o que mudaria na Europa, assim de caras?

A política económica alemã. A Alemanha tem mesmo de perceber que para a Europa sobreviver tem de mudar completamente de lógica, tem de começar a investir, tem de começar a comprar, tem de ter menos excedentes comerciais. A Europa está desequilibrada e muito por causa disso, que beneficia a Alemanha, mas prejudica a integração europeia.

Se fosse um herói de ficção que personagem seria?

O Homem-Aranha. É dos heróis da Marvel aquele que tem ao mesmo tempo os poderes mais fantásticos e uma grande complexidade. Sou um grande fã de banda desenhada. Na linha clara, seria talvez o Mortimer.

Como gostaria de ser lembrado?

Uma das coisas que gosto muito de fazer - mas não escreva isso…

Tenho de poder escrever…

Vou publicar um romance. Mas ainda estou a fechar as coisas com a editora. Já escrevi muitos e nunca publiquei nenhum. Publiquei um livro de poemas, mas naqueles modelos em que eu paguei, apetecia-me e pronto. Foi o primeiro livro que escrevi, todo no telemóvel, em passeios, e deu-me imenso gozo. Já foi há algum tempo, sete ou oito anos, e chama-se “A Canção dos Bichos”. Mas escrevi vários, sempre gostei de escrever, só que não editei. Depois escrevi romances, mas nunca fiquei satisfeito, a não ser com este.

Como se chama?

Deixe ver se me lembro… “As Messes do Império”. Não começa bem nesse dia, mas quase no 15 de março de 1961, nas matanças do norte de Angola.

O melhor presidente da República?

Marcelo Rebelo de Sousa.

Quem não tem direito a uma segunda oportunidade?

Um pedófilo.

Uma anedota sobre políticos?

Ó diabo, sou péssimo para isso [cora].

A pior profissão do mundo?

Coveiro.

Se fosse um animal, que animal seria? Porquê?

Águia. Porque é do Benfica [riso]. E porque é o símbolo do Império.

A nota mais baixa que deu a um aluno?

5. E a mais alta foi um 19.


Esta série de perguntas rápidas faz parte da entrevista ao cabeça de lista do Aliança às Eleições Europeias, disponível aqui. E não foi o único, leia todas as conversas com os candidatos no especial Europa 2019 do SAPO24.

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