Qual destas hipóteses o/a descreve melhor?

a) Entre Outubro e Junho não durmo.
b) Vejo um jogo ou outro de quando em vez.
c) Sem Kobe, Duncan e Garnett não vai ser a mesma coisa.
d) Antigamente é que a NBA era boa.

Fãs, como chapéus, há muitos. Mas, quer tenham vibrado pela última vez com um cesto quando Michael Jordan gelou o Delta Center em 98, se interroguem sobre o que vai ser da vossa equipa sem o seu herói, quer espreitem as melhores jogadas no YouTube ou exultem diariamente com os feitos de LeBron, Curry e companhia, há algo que todos têm em comum: não devem mesmo perder a temporada que aí vem.

Márcio Martins (MM): Esta é uma temporada que marca o início de uma nova era. Três dos maiores jogadores da sua geração (e de sempre), Kobe Bryant, Tim Duncan e Kevin Garnett, despediram-se dos campos ao fim de, respetivamente, 20, 19 e 21 anos de carreira. Mas as suas equipas têm razões para estar otimistas. E esse é o primeiro motivo para não perderem esta temporada: Wolves e Lakers são duas equipas jovens e com potencial, recheadas de jogadores talentosos e com um futuro brilhante à frente. Karl-Anthony Towns, Andrew Wiggins, Zach LaVine e o rookie Kris Dunn formam um dos grupos mais excitantes de seguir no próximo ano; e D’Angelo Russell, Jordan Clarkson, Brandon Ingram e Julius Randle um dos mais promissores. Já os Spurs estão entregues às grandes mãos de Kawhi Leonard e LaMarcus Aldridge, pelo que a continuidade da equipa nos lugares cimeiros parece assegurada.

Por isso, pode demorar um pouco até nos habituarmos a ver os Lakers sem Kobe Bryant ou os Spurs sem Tim Duncan, mas não faltam razões para continuar a seguir estas equipas. E a NBA. Não é verdade, Ricardo?

Ricardo Brito Reis (RBR): Sim, Márcio, razões não faltam, mesmo para os mais saudosos fãs da NBA dos anos 80 e 90. Nessa altura, todos vibrámos com os clássicos confrontos entre Celtics e Lakers ou entre Bulls e Pistons, mas os anos mais recentes deram-nos novas rivalidades na liga norte-americana. Apesar da maior ligação entre jogadores de equipas diferentes, por causa das redes sociais, ainda há vários exemplos de atletas e equipas que provocam faíscas sempre que se encontram dentro das quatro linhas.

A rivalidade entre Warriors e Cavaliers é, porventura, a maior da NBA actual. Nem que seja pelo facto de as últimas duas Finais terem colocado estas duas equipas frente-a-frente, com um título para cada lado. No que diz respeito a ódios, os Warriors são os maiores colecionadores. A recente contratação de Kevin Durant (KD) rotulou o conjunto de Oakland como os vilões da NBA, quando há bem pouco tempo eram os meninos bonitos da liga. E Russell Westbrook, que agora lidera uns Thunder órfãos de KD, já deve ter assinalado a vermelho no calendário as datas dos jogos contra os Warriors.

Os Cavaliers são outra equipa a abater. Não há emblema na conferência Este que não tenha colocado um alvo nas costas de LeBron James e companhia, mas parece que, apesar dos seus quase 32 anos de idade, o número 23 dos Cavs ainda tem combustível no tanque. Concordas, Márcio?

MM: Plenamente. LeBron ainda está aí para muitas curvas e continua a ser um dos grandes candidatos a MVP (Most Valuable Player; jogador mais valioso) da temporada. Mas há outros. E essa é outra razão para não perder esta época: a luta pelo MVP nunca esteve tão aberta. Os vencedores do prémio nos últimos três anos, Kevin Durant e Stephen Curry, vão dividir protagonismo e produção estatística, à semelhança do que acontece com Chris Paul e Blake Griffin nos Clippers, e isso vai reduzir as suas chances. E LeBron vai guardar o seu melhor para os playoffs. O que abre a porta a outros jogadores para entrar nessa corrida. Como, por exemplo, Paul George e Russell Westbrook.

Sem Durant na equipa, o base dos Thunder vai virar WestBeast. Estão a ver o que ele fez em 2014-15, quando Durant se lesionou e perdeu uma parte da temporada? Agora imaginem uma temporada inteira assim.

E Paul George já afirmou que quer ser o MVP. Ver o que estes dois vão fazer este ano é outro par de razões para ficar acordado. E dirias que são também razões mais do que suficientes para seguir de perto estas duas equipas, Ricardo?

RBR:  E não só, Márcio. Há equipas de quem se espera uma grande evolução. Desde logo, os Pacers, do agora-totalmente-recuperado Paul George, sobretudo depois das contratações de Jeff Teague, Thaddeus Young e Al Jefferson. Não só se espera que consolidem a sua prestação na conferência Este, como estão apostados em acabar com a hegemonia dos Cavaliers.

Os Utah Jazz também se reforçaram muito e bem, na tentativa de atacar os playoffs. George Hill, Joe Johnson e Boris Diaw trazem qualidade e experiência ao conjunto orientado por Quin Snyder, que já conta com vários jovens de grande potencial, como Gordon Hayward, Derrick Favors, Rudy Gobert, entre outros.

E, aqui entre nós, fica um alerta para os Denver Nuggets. Atenção a estes miúdos! Falta-lhes uma grande «estrela», mas têm um coletivo sólido e com uma enorme margem de progressão. Quanto à tal «estrela» que falta, pode ser que uma eventual troca do extremo/poste Kenneth Faried possa trazer um líder para Denver.

Por falar em miúdos, Márcio, quais são os jovens que queres ver esta temporada?

MM: Acima de todos, Joel Embiid. Depois de perder duas temporadas por lesão, o jovem poste dos Sixers vai, finalmente, estrear-se na NBA. E as primeiras impressões, na pré-temporada, deixaram-nos com água na boca. Mas, para além deste “rookie com dois anos de atraso”, há mais futuras estrelas para descobrir.

A primeira escolha do draft deste ano, Ben Simmons, infelizmente, só regressa aos campos em 2017, mas há outros novos nomes que vale a pena fixar. Brandon Ingram é, a par de Simmons, um dos maiores talentos desta colheita, Buddy Hield tem “atirador e marcador de pontos” escrito por todo o lado e Kris Dunn pode estar tão pronto para contribuir imediatamente que os Wolves podem trocar Ricky Rubio e entregar-lhe as chaves do ataque. Para não falar de nomes como Dragan Bender (um projecto nos moldes de Dirk Nowitzki e Kristaps Porzingis), Jaylen Brown (mais um extremo atlético para a jovem equipa dos Celtics) ou Jamal Murray (um versátil base para formar dupla com Emmanuel Mudiay nos Nuggets). Ou, na luta pelo título de “surpresa do draft”, Thon Maker, Denzel Valentine ou Dejounte Murray.

E tão imperdível como seguir a evolução destas caras novas, é ver como se vão portar algumas caras conhecidas nas suas novas equipas. Também aí há muito para descobrir: se Derrick Rose e Dwight Howard ressuscitam as suas carreiras em Nova Iorque e Atlanta, respetivamente; como Rajon Rondo e Dwyane Wade (a transferência mais surpreendente do defeso, mais ainda do que a de Kevin Durant) se vão encaixar com Jimmy Butler em Chicago; ou se Al Horford catapulta os Celtics para o topo da conferência.

E já vão oito motivos para não perder a nova época. Arranjas mais um par deles, Ricardo?

RBR: Não é difícil, Márcio. Já que escreveste sobre rookies e caras conhecidas a manter debaixo de olho, posso sublinhar também alguns estrangeiros a seguir com atenção. Desde logo, os veteraníssimos Pau e Marc Gasol, Dirk Nowitzki, Manu Ginobili ou Tony Parker, mas também os não-tão-acabados-e-já-valores-seguros-da-NBA Nicolas Batum, Goran Dragic, Danilo Gallinari, Patty Mills, Nikola Mirotic, Ricky Rubio e Jonas Valanciunas.

Mas há mais! Este pode ser o ano da afirmação do grego Giannis Antetokounmpo, do francês Rudy Gobert e do neozelandês Steven Adams, para além de que devemos continuar a assistir à evolução de jovens como Kristaps Porzingis e Nikola Jokic, acompanhados pelos recém-chegados Dario Saric, Domantas Sabonis e o próprio Ben Simmons.

E há ainda alguma expectativa para ver como se porta o espanhol Sergio Rodriguez, neste seu regresso à melhor liga do mundo. O base teve uma primeira passagem, sem sucesso, pela NBA, decidiu voltar à Europa e ao Real Madrid, e, agora, depois de muitos êxitos no Velho Continente, tenta novamente a sua sorte pelas terras do Tio Sam.

Se tudo o que enumerámos até agora não for suficiente, fica uma última sugestão: sigam de perto os New York Knicks. Contrataram grandes jogadores, mas com um histórico ainda maior de lesões. A combinação parece perfeita para atacar o título… de 2010. Tem tudo para dar errado, mas, se os astros estiverem alinhados e os deuses do basquetebol existirem, até pode dar certo. De qualquer das maneiras, é imperdível.

Muitas mais razões haverá e poderíamos continuar a enumerá-las, mas acreditamos que, seja qual for a vossa resposta à pergunta com que iniciámos este guia, encontrarão entre estas dez alguma razão para vos obrigar a ficar acordados até tarde e más horas. Porque vai começar o melhor basquetebol do mundo e, agora, ninguém dorme até Junho.

Ricardo Brito Reis é jornalista há uma década e meia, mas apaixonado por basquetebol desde que se lembra. É um dos comentadores de basquetebol da SportTV, faz parte do departamento de comunicação da Federação Portuguesa de Basquetebol e é treinador de formação no Sport Algés e Dafundo.

Márcio Martins já foi jogador, oficial de mesa, treinador e dirigente. Atualmente, é comentador e autor do blogue SeteVinteCinco. Não sabe o que irá fazer a seguir, mas sabe que será fã de basquetebol para sempre.

Juntos, são os criadores do MVP, um podcast semanal onde comentam a atualidade da NBA.

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