Na conferência de imprensa de antevisão ao dérbi desta sexta-feira, Bruno Lage, treinador dos encarnados, utilizou a amizade de Pizzi e Bruno Fernandes para ilustrar uma rivalidade saudável entre SL Benfica e Sporting CP.

"O mais importante para cada adepto é apoiar a sua equipa. O que mais espero é que não haja problemas antes, durante e após o jogo. O melhor exemplo é olhar para a relação do Bruno Fernandes e do Pizzi: dentro de campo, se tiverem de meter o pé, metem, podem chamar nomes um ao outro e depois cada um vai para sua casa e trocam piropos no Instagram. Há que viver de forma apaixonada durante 90 minutos", disse.

Bruno e Pizzi são os jogadores mais influentes dos leões e das águias. Mas se, naturalmente, esperávamos deles as maiores proezas no dérbi, fomos bem enganados. Se no passado foi o capitão verde e branco a ir mandar um "piropo" à conta de Instagram do jogador dos encarnados, escrevendo "Como jogas, Luís Miguel", depois do jogo desta sexta-feira o 'bromance' poderia passar a ser protagonizado pelos 'Rafaeles'.

Havia um de cada lado. No Sporting, Rafael Camacho, um jovem de 19 anos formado em Alcochete, resgatado de Inglaterra este verão, depois de uma saída prematura para o Manchester City quando ainda era muito jovem, que jogou a titular no lugar do lesionado Vietto. Do outro lado, Rafa Silva, um dos principais amuletos de Bruno Lage na conquista do título na temporada passada e que, fruto de uma paragem por lesão de quase três meses, começava o jogo no banco, apesar de já ter tido alguns minutos no embate diante do Rio Ave a contar para a Taça de Portugal a meio da semana.

A única razão pela qual o título deste artigo é "Como jogas, Rafael Alexandre" e não "Como jogas, Rafael Camacho" é sorte. Ou azar, neste caso. Tivesse aquele remate ao poste do extremo leonino, aos 13 minutos, entrado, não tivesse aquele cabeceamento em resposta ao cruzamento de Acuña sido travado por uma grande defesa de Vlachodimos e, talvez, o Rafael fosse outro.

Mas o direito de titular o artigo foi ganho pelo outro Rafael, aquele que escreve o seu nome com menos duas letras e que nas duas primeiras épocas ao serviço do Benfica esteve longe de ser consensual entre os adeptos. Enquanto uns o comparavam a Simão Sabrosa, pequeno, rápido, como quem faz da ala uma Route 66, de festejo de braços abertos como uma ave de rapina, outros sentenciavam o extremo pela fraca capacidade de finalização.

Os números dizem-nos que na época de estreia na Luz, 2016/17, Rafa fez apenas dois golos e seis assistências. No ano seguinte, três golos e cinco assistências. O mesmo número de participação em golos, portanto.

Foi preciso esperar pela chegada de Lage para o rendimento do internacional português disparar. Colado á ala por Rui Vitória, nos primeiros anos de águia ao peito, o novo treinador dos encarnados ofereceu a Rafa um caminho direto para a baliza que se traduziu na melhor época da carreira do ex-Sporting de Braga: 21 golos e três assistências.

No modelo de Bruno Lage, a velocidade e finalização de Rafa fizeram dele uma peça-chave no onze inicial de um Benfica que assenta o seu jogo num contra-ataque poderoso e nos passes em profundidades dos seus médios à procura dos espaços nas costas da linha defensiva adversária. Com a saída de Félix, esperava-se que a preponderância do extremo fosse ainda maior, mas o início da época foi agridoce. Depois de ter marcado um golo e ter assistido para outros dois na goleada por 5-0 ao Sporting CP em jogo a contar para a Supertaça Cândido de Oliveira, e de alinhar como titular nas primeiras sete jornadas da Liga NOS, onde somou dois golos e uma assistência, Rafa lesionou-se e ficou ausente das competições oficiais, tendo regressado no encontro da fase de grupos da Liga dos Campeões diante do Lyon. Na liga milionária voltou aos golos, mas voltou a ser tramado por uma lesão que o retirou dos relvados durante quase três meses.

Depois de ter jogado um minuto no jogo dos quartos-de-final da Taça de Portugal diante do Rio Ave, que as águias venceram por 3-2, saltou do banco, esta sexta-feira, para desembaraçar o jogo diante do Sporting CP. Em 22 minutos Rafa fez dois golos em dois remates tentados.

A pontaria não é de estranhar uma vez que Rafa já mostrou ter especial gosto em marcar aos leões. O jeito não é de agora, começou no tempo em que o extremo jogava no Minho, ao serviço do Sporting de Braga, altura em que apontou dois golos aos leões, um deles na final da Taça de Portugal em que os verdes e brancos, então comandados por Marco Silva, levaram a melhor sobre os bracarenses. Já pelo Benfica soma três golos, distribuídos por dois dérbis consecutivos, tendo se tornado no primeiro suplente a bisar num dérbi em Alvalade.

Numa noite em que Pizzi não conseguiu resolver, cabe a Luís Miguel passar o testemunho a Rafael Alexandre.

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