Portanto, foi um ano carregado de excelentes pormenores, detalhes curiosos, aumento e dissipação de dúvidas, de pesadas deceções, de longos aguardados festejos (os famalicenses estiveram os últimos 3 anos a “namorar” a subida para depois perderem-na nas últimas jornadas) e muito mais, num campeonato que teve o mesmo líder desde a 6ª jornada, o FC Paços de Ferreira.

A liderança de Vítor Oliveira é incontestável, nos termos em que não perdeu de vista o 1.º lugar da tabela dessa jornada até ao fim, apesar de ter sido ao serviço do SC Portimonense em que esteve mais vezes no 1.º lugar (37 jornadas). E assim está apresentada a primeira curiosidade, patrocinada pelo Rei das Subidas, que anunciou o regresso à Liga NOS pela mão não dos castores, mas sim do retornado Gil Vicente.

De certa forma, foi como se se fechasse um ciclo na carreira do sexagenário, pois a 1.ª equipa que ajudou a subir de divisão foi precisamente o FC Paços de Ferreira, em 1991, e agora é esperar por aquilo que vai fazer ao serviço dos gilistas.

E que pormenores há mais para descobrir? Bem, vamos então à procura!

Goleadores em crise, equipas B em retirada e uma luta louca pela descida

Começamos logo por uma “crise” que se abateu na Ledman LigaPro desta temporada, com o surgimento de poucos goleadores por entre os 18 emblemas que compuseram a competição.

Ao fim de sete épocas, o goleador máximo terminou abaixo dos 19 golos, com Pires a levantar a sua terceira bota de ouro da Segunda Liga com 16 golos, sendo que em 2.º e 3.º lugar seguiram-se Fabrício Simões (15) e Kwame Nsor (14).

Olhando para o ranking das últimas 14 temporadas, no que ao número total de golos diz respeito, a edição deste ano fica abaixo da linha-de-água, no 10.º posto, e o pormenor de ter sido a pior edição dos últimos 6 anos em termos de golos marcados pode levantar alguma preocupação em relação à dimensão e propensão ofensiva dos vários emblemas que mediram forças.

De qualquer forma, Pires ultrapassou a fasquia dos 100 golos em jogos da Segunda Liga, afirmando-se como um dos goleadores e jogadores mais históricos desta divisão do futebol português, revelando-se imprescindível para a manutenção do Penafiel.

Em termos de feitos inéditos, Christian Fiel, médio-centro do Paços de Ferreira, conquistou pela 2.ª vez consecutiva o título de campeão da Ledman LigaPro depois de ter ajudado o CD Nacional da Madeira a chegar ao 1.º lugar na época passada . O brasileiro junta-se a assim a André Carvalhas (CD Tondela e Moreirense FC), Arsénio (CF “Os Belenenses” e Moreirense FC) e Pedro Araújo (SC Beira-Mar e Gil Vicente), que conseguiram esse feito nos últimos 15 anos.

Os plantéis mais jovens ficaram logicamente entregues às equipas B, com o FC Porto, SL Benfica, Vitória SC e SC Braga a apresentarem a mesma média de 21 anos de idade. Úmaro Embaló, Gonçalo Ramos, Tiago Dantas (todos do SL Benfica), Tiago Matos (FC Porto) e Victor Yan (Cova da Piedade) foram os mais novos a entrar em campo, com 17 anos de idade. Contudo, o lançar de “sangue novo” acarreta não só ricos como pesadas consequências…

Nesta edição da Ledman LigaPro mais duas equipas B foram despromovidas ao Campeonato de Portugal, depois de nos últimos anos as equipas secundárias do Sporting Clube de Portugal e Sport Clube Marítimo terem sofrido o mesmo destino. Infelizmente, a ausência dos bracarenses será sentida, até porque lançaram uma série de jovens de qualidade alta como Xadas, Trincão, Tiago Sá, Luther Singh ou Carlos Fortes.

E em relação ao “fundo” da tabela, foi das lutas mais complicadas e sofridas nas últimas 10 edições, já que entre o 16.º lugar (o antepenúltimo) e o 10.º só ficou um intervalo de 3 pontos. Varzim, Arouca, Varzim, Mafra, Cova da Piedade, Oliveirense, Académico de Viseu e Farense estiveram nesta situação até ao apito final no domingo, 19 de maio, provando que esta é uma liga que deixa tudo por decidir (neste aspeto) até ao último momento.

A “fava” do 3.º bilhete para a descida de divisão calhou a um emblema que em 2016 esteve na Liga Europa e entramos no capítulo das Desilusões.

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créditos: OCTAVIO PASSOS/LUSA

E cai mais um dos novos europeus para os confins do Campeonato de Portugal

O FC Arouca tinha conseguido o apuramento para a Liga Europa em 2015/2016, um feito inédito para o emblema do centro de Portugal, que na altura era comandado por Lito Vidigal. De lá para cá, os arouquenses viram todo o seu sucesso esfumar-se e em dois anos confirmaram a queda para o 3.º escalão de futebol em Portugal e muito se deve a maus planeamentos de época, como Quim Machado, treinador do Arouca, explicou.

“É um dia triste. É um clube que há dois anos estava na Liga Europa e hoje desce da segunda divisão. Cometeram-se erros, toda a gente tem de assumir responsabilidades. No futebol não dá para brincar, porque senão os resultados são estes”.

O caso do Arouca não é de todo único, uma vez que o União da Madeira também passou da Primeira Liga para o Campeonato de Portugal em duas épocas, assim como Olhanense, Trofense ou Portimonense (que recuperou da queda como poucos), isto nas últimas 7 épocas.

As consequências de uma ida à Europa podem ser mais letais do que muitos pensam e a prova é esta queda total do Arouca, um emblema que chegou a dar problemas aos principais clubes da Primeira Liga.

A par do Arouca, a outra grande desilusão – mas que não foi nenhuma surpresa - da Ledman LigaPro dá pelo nome de Académico de Viseu. Os viseenses passaram de estar perto da subida à Liga NOS em 2017/2018 (ainda tentaram paralisar os campeonatos devido a uma suposta ilegalidade cometida pelo CD Santa Clara, mas de que nada valeu) para só garantirem a manutenção na penúltima jornada do campeonato.

A experiência de Manuel Cajuda de nada valeu e a entrada de João Gabriel de pouco serviu para a equipa de Viseu, que consentiu demasiados erros na preparação da época, a começar por ter permitido a saída de jogadores como Joel Pereira, Peçanha, Capela, Bura, Avto, Bruno Miguel, Aleksey Gasilin e Cléber Santana.

A Académica de Coimbra é a última grande desilusão, a par do Estoril-Praia, e parece que o futuro da Briosa passa cada vez mais pela Ledman LigaPro e não por um regresso à Liga NOS. Os conimbricenses chegaram a estar 5 pontos do 2.º lugar, mas, mais uma vez, a equipa consentiu maus resultados na reta final, apesar do esforço de Hugo Almeida (belo retorno do avançado internacional português aos campeonatos nacionais, com 10 golos), Peçanha, Ricardo Dias ou Yuri (um central que merece a atenção de clubes da Liga NOS).

Mas e de coisas boas, há algo para falar sem ser os feitos históricos de Vítor Oliveira ou do Paços de Ferreira?

A Travessia do deserto do Famalicão e o retorno do histórico do Algarve

Foram 25 anos de espera para o emblema famalicense, que chegou a jogar na Divisão de Honra da Associação de Futebol de Braga, precisamente há 10 anos.

Em apenas uma década, o Famalicão conquistou 5 subidas de divisão, regressando agora a um campeonato que vira pela última em 1994 (despontava Balakov no Sporting CP, Ricardo Sá Pinto prometia muito no Salgueiros e SL Benfica sagrava-se campeão com Toni no banco).

Curiosamente, o Famalicão teve dois treinadores nesta época, já que Sérgio Vieira foi despedido em março, quando o clube registava três jogos sem ganhar, mas ainda com o 2.º lugar sob controlo.

Chegou para o lugar Carlos Pinto, um treinador familiarizado com subidas de divisão, já que foi o “maestro” da promoção do CD Santa Clara na temporada passada, e os famalicenses conquistaram 7 vitórias consecutivas.

Do plantel que ajudou o clube a dar o salto da 3.ª para a 2.ª, em 2014/2015, resta apenas um jogador, que acaba também por ser uma das maiores lendas dos famalicenses e um dos principais destaques desta edição da Ledman LigaPro… falamos de Feliz Vaz.

O polivalente extremo polvilhou com magia a Segunda Liga, afirmando-se como o melhor assistente do campeonato com 16 passes para golo. Inteligente e inspirador, o extremo que já completou 150 jogos ao serviço do Famalicão liderou como poucos e teve o prémio que mais merecia… a subida de divisão.

Mas nem todos os festejos ficaram entregues aos promovidos, pois houve outro emblema que passou pelos infernos de atuar em divisões regionais nos últimos 10 anos e conseguiu nesta temporada assegurar a permanência… falamos claro dos leões do Sporting Clube Farense!

Os algarvios tiveram um ano de altos e baixos, começando logo com duas vitórias ante dois dos emblemas mais competitivos (FC Porto B e FC Famalicão) para a meio do campeonato registarem uma sequência de 8 jogos sem ganhar, caindo consideravelmente na classificação.

Para evitar a queda nos últimos lugares chegou Álvaro Magalhães (substituiu Rui Duarte) e o histórico do SL Benfica foi capaz de aguentar todas as atribulações para manter o histórico clube de Faro na Segunda Liga.

Será interessante ver o que poderão fazer na época seguinte, já que o projeto atual tem capacidade de se afirmar desde que consiga manter as revelações Christian Irobiso, Fabrício Isidro ou Cássio Scheid no clube.

Quem merece a honra do 11 da época?

Escolhemos os 11 melhores e três substituições da Ledman LigaPro com direito a treinador a liderar estes 11 MVP's, que merecem o destaque máximo.

Só considerámos jogadores que estiveram no campeonato do princípio ao fim, excluindo por exemplo Luiz Phellype, atleta que passou pelo Paços de Ferreira e acabou transferido em janeiro para o Sporting CP, ou Luís Rocha, que reforçou o Famalicão no mercado de inverno, tendo sido uma das chaves para a subida.

GR- Ricardo Ribeiro (FC Paços de Ferreira)

D – Diogo Queirós (FC Porto B)

D – Marco Baixinho (FC Paços de Ferreira)

D – Bura (SC Leixões)

MDC – Ricardo Dias (Académica de Coimbra)

MC – Luiz Carlos (FC Paços de Ferreira) / Gilberto (Sporting Covilhã)

MO – Filipe Soares (GD Estoril-Praia)

EE – Feliz Vaz (FC Famalicão) / Jota (SL Benfica B)

ED – Chris Willock (SL Benfica B)

AV – Douglas Tanque (FC Paços de Ferreira)

AV – Pires (FC Penafiel) / Fabrício Simões (FC Famalicão)

TR: Vítor Oliveira (FC Paços de Ferreira)

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