A primeira vez que atingiu uma final de um ‘major’ foi no ano de 1992, onde perdeu no Grand Prix, frente a um dos nomes maiores da modalidade, Jimmy White. Uma final perdida na “negra”, mas que apenas com dois anos como profissional já mostrava bem aquilo que aquele menino de outrora poderia a vir fazer no snooker. E demorou apenas mais um ano até atingir mais uma final, para desta feita ser bem mais feliz e erguer o troféu de vencedor. Foi no ano de 1993 e num dos torneios mais míticos do snooker a nível mundial, o Welsh Open, onde bateu na final o escocês Alan McManus por 9-7.

Seguiram-se três anos de travessia no deserto no que toca a títulos mas, apesar disso, as finais foram aparecendo com alguma regularidade. Atingiu mais uma final em 1993, o Grand Prix pela segunda vez, o UK Championship em 1994, onde se sucumbiu frente ao enorme Stephen Hendry, naquela que tinha sido a sua maior final até então; em 1995 caiu na final do German Masters para John Higgins e em 1996 no encontro decisivo do Thailand Open.

Tardavam em aparecer os títulos e era chegado o ano de 1997, uma temporada onde Ken Doherty não tinha sido particularmente feliz no que toca a resultados, e onde a sua confiança estava longe de estar nos píncaros, tal como confidenciou em entrevista ao Fair Play.

Chegou a esse Campeonato do Mundo pressionado pelo facto de ter de vencer pelo menos a primeira ronda para se manter no top-16, algo que naquela época era crucial para o jogador irlandês. Nessa ronda inicial teve pela frente o inglês Mark Davis. O encontro, que para Doherty ia ser jogado como uma final, acabou mesmo por sorrir ao jogador nascido em Ranelagh, nos arredores de Dublin, que venceu Davis por 10-8 e cumpriu, de certa forma, o seu grande objetivo nesse mundial.

Na segunda ronda seguiu-se nem mais nem menos que Sir Steve Davis, um ícone do mundo do snooker e, de certa forma, um ídolo do irlandês. Mas Doherty não se deixou intimidar e venceu de forma mais do que esclarecedora por 13-3. Sentia a sua confiança a crescer a “olhos vistos” e percebia que podia fazer algo "engraçado" naquele mundial. Mas, para tal, teria de bater aquele que viria a ser outro dos nomes grandes da modalidade: o escocês John Higgins.

"Senti um grande crescimento da minha confiança nesse torneio (Campeonato do Mundo 1997), mas o mais engraçado é que estava mais preocupado com o confronto frente ao Mark Davis na primeira ronda, do que estava quando fui jogar com o Stephen Hendry na final, e isto pode parecer estranho mas é a verdade."

E Ken Doherty não vacilou e deixou mesmo pelo caminho o escocês, com o resultado final a fixar-se em 13-9. A final estava ali ao virar da esquina e o último obstáculo era o canadiano Alain Robidoux. Não era teoricamente o adversário mais difícil do mundo, ainda para mais quando Doherty já tinha vencido Steve Davis e John Higgins nas rondas anteriores, pelo que o irlandês confirmou o seu favoritismo e venceu Robidoux por 17-7.

Um resultado esclarecedor e que o colocava o na final frente ao seis vezes consecutivas campeão do mundo, Stephen Hendry. Não haveria, nessa altura, um jogador mais complicado para defrontar do que Hendry, mas Doherty estava confiante das suas capacidades e foi para aquela final como se fosse a última da sua vida. E não poderia ter saído do Crucible mais feliz, já que se sagrou campeão do mundo com uma vitória por 18-12, quebrando assim a hegemonia de Hendry, que durava há seis épocas consecutivas. Foi recebido de forma apoteótica na Irlanda e tornou-se assim um símbolo do desporto no seu país.

No ano seguinte, e embalado pela vitória da época anterior, chegou novamente à final do mundial, acabando, contudo, por perder para John Higgins, por 18-12. Depois disso atingiu por mais duas vezes a final do UK Championship, a segunda e terceira da sua carreira, onde perdeu para Ronnie O’Sullivan e Mark Williams, nos anos de 2001 e 2002, respetivamente.

A sua terceira final em mundiais ocorreu no ano de 2003, onde perdeu novamente mas aí para o galês Mark Williams. Numa final altamente equilibrada e onde o resultado se fixou em 18-16. O seu último 'major' data do ano de 2006, ano em que venceu o Malta Cup, numa reedição da final do mundial de 1998, onde aí ganhou a Higgins por 9-8.

Já na época passada e depois de vários anos longe dos bons resultados, Doherty ficou fora do top-64, num ‘ranking’ onde estão 128 jogadores, e iria perder por isso a oportunidade de jogar a época atual como profissional. No Campeonato do Mundo deste ano, que decorreu em Abril e Maio deste ano, foi premiado com um wild card para jogar mais dois anos como profissional, algo que aconteceu devido ao mérito e excelência do irlandês para com o snooker.

Esta época atingiu já a meia-final do Riga Masters, o que é um excelente indicador, tendo já garantido presença nos próximos torneios que vão ser jogados.

Está provavelmente, e segundo palavras do próprio, a jogar o snooker da sua vida, tal como confidenciou em entrevista exclusiva ao Fair Play, onde tmbém falou sobre o passado e o presente do snooker, a sua paixão pelo Manchester United, a admiração por Mourinho e Cristiano Ronaldo e o fascínio que tem por Portugal.

Xavier Oliveira é o editor de snooker do Fair Play, e acompanha a par e passo aquilo que vai acontecendo nos panos verdes.

Fair Play é um projecto digital que se dedica à análise, opinião e acompanhamento de diversas ligas de futebol e de várias modalidades desportivas. Fundado em 1 de Agosto de 2016, o Fair Play é mais que um web site desportivo. É um espaço colaborativo, promotor da discussão em torno da actualidade desportiva.

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