Nas bancadas, mais de duas centenas de pessoas 'puxam' pelos atletas. Na 'pista', 24 máquinas - os ergómetros - colocam à prova a força de braços, a capacidade mental e a concentração de competidores de diferentes faixas etárias, desde benjamins a veteranos, atletas da seleção portuguesa de remo e praticantes de dezenas de clubes e associações, bem como individuais.

"Esta prova tem vindo a crescer e é uma boa forma de promovermos o remo fora da comunidade do remo. Temos a participação de vários ginásios, associações de desporto adaptado e pessoas individuais que querem participar neste desafio que é muito duro", contou à agência Lusa o presidente da Federação Portuguesa de Remo (FPR), Luís Neto Ahrens Teixeira.

O Campeonato Nacional e o Open de Portugal de Remo Indoor juntam hoje, no multiusos de Gondomar, concelho que é este ano Cidade Europeia do Desporto, atletas, dirigentes e público no mesmo propósito: provar que há remo para além do rio.

"Esta é uma máquina que é muito utilizada até para treino em outras modalidades: atletas de rali, jogadores de râguebi e velejadores, por exemplo. Tem muita versatilidade. Podemos ter uma máquina destas em casa e treinar. É muito completa do ponto de vista físico", acrescentou o presidente da FPR.

Já em nome da organização, Ildeberto Ribeiro, líder do Naval Infante D. Henrique - clube de Gondomar com perto de 100 anos, considerado uma referência também no desporto para pessoas com deficiência -, lembra que no Inverno é necessário encontrar alternativas para remar, enaltecendo o remo indoor como uma "forma saudável, ainda que dura" de contornar a impressibilidade do caudal do rio e das condições climatéricas.

"Isto até serve para os pais que numa primeira fase têm medo de deixar os filhos enveredar no remo por temerem o rio. Serve para atrair mais atletas e divulgar o remo", apontou Ildeberto Ribeiro, indo ao encontro da convicção de Luís Neto Ahrens Teixeira de que a modalidade, para "crescer em qualidade e quantidade", tem de se modernizar.

"Hoje em dia existem muitas modalidades com diferentes atrativos, trail, maratonas, triatlos, e nós se não nos modernizamos ficamos para trás", referiu o presidente.

Neste sentido, o mesmo espaço recebeu no sábado 300 crianças de escolas da zona, que participaram num campeonato interescolar. Para alguns miúdos foi a primeira vez que contactaram com máquinas deste género.

Mas a prova de hoje, fazendo parte do calendário oficial de remo, também serviu para treinar e testar atletas de topo.

Joana Branco, do Sport Clube do Porto, uma das referências do remo nacional, estabeleceu um novo recorde pessoal em remo indoor feminino ligeiros, passando dos 7.24,9 minutos para 7.23,6.

Já Carlos Cruz, do Viana Remadores Lima, foi campeão de masculinos ligeiros pelo terceiro ano consecutivo, com o tempo de 6.21,8.

"É uma prova muito dura, mas importante para avaliarmos a nossa posição, condição física e vermos o que podemos vir a fazer", disse à Lusa o atleta, que tem como ambição representar Portugal no Campeonato do Mundo de remo, que decorre em setembro nos Estados Unidos.

Também Joana Branco avalia esta prova como "muito física e muito desgastante mas ao mesmo tempo desafiante", aconselhando "todas as pessoas a experimentar".

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