A 66ª edição do All-Star Game da NBA está, mais do que em qualquer outro ano, recheada de pequenas narrativas que tornam este fim-de-semana um dos mais especiais dos últimos tempos.

Há uma narrativa em particular que está a fazer correr muita tinta e que envolve os ex-colegas (e ex-amigos) Russell Westbrook e Kevin Durant, mas já lá vamos! Um passo de cada vez, ok? É que este All-Star teve uma polémica muito antes do seu arranque e bem longe das quatro linhas. Em Julho do ano passado, a NBA anunciou que o evento tinha sido retirado a Charlotte, por causa da aprovação de leis anti-LGBT no estado de Carolina do Norte, e o homem-forte da NBA, o comissário Adam Silver, anunciou a deslocalização do All-Star para Nova Orleães. Com esta entrada em falso, poder-se-ia julgar que a festa estava estragada. Mas não. O cenário está montado para que, de sexta a domingo, a cidade conhecida pelo multiculturalismo, pela vida noturna, pelo Mardi Gras e… por ter fama de ser mal-assombrada seja a capital mundial do basquetebol.

As futuras estrelas

A festa começa na madrugada de sexta para sábado, com o NBA All-Star Rising Stars Challenge, que é como quem diz “o jogo dos miúdos”. É um bom aperitivo para o fim-de-semana e a única hipótese de vermos alguém a defender durante os três dias. Ou talvez não. A NBA nomeou um total de vinte jogadores com potencial para serem estrelas, todos de primeiro (‘rookies’) ou segundo ano (‘sophomores’), dividiu-os em duas equipas e vai colocar norte-americanos a jogar contra estrangeiros, neste que é o terceiro ano deste formato que parece ter conquistado os fãs.

É a oportunidade ideal para ver, por exemplo, a visão de jogo de D’Angelo Russell, a capacidade de lançamento de Devin Booker e o jogo ‘all-around’ de Karl-Anthony Towns frente à visão de jogo do sérvio Nikola Jokic, à capacidade de lançamento do letão Kristaps Porzingis e ao jogo ‘all-around’ do croata Dario Saric. Infelizmente, o camaronês Joel Embiid, que é o mais sério candidato a Rookie do Ano, lesionou-se recentemente e não vai marcar presença. Nas duas edições anteriores com este formato EUA vs. Resto do Mundo, há uma vitória para cada lado. Como será este ano?

Os concursos

A noite de sábado tem sido, nos anos mais recentes, a mais aguardada pelos adeptos. Os concursos de skills (técnica individual), de lançamentos de três pontos e de afundanços são os únicos momentos de verdadeira competitividade e, sobretudo por isso, o entusiasmo é maior. Nos skills, a NBA mantém a aposta no formato de jogadores “grandes” – DeMarcus Cousins, Anthony Davis, Nikola Jokic e Kristaps Porzingis - contra jogadores “pequenos” – Devin Booker, Gordon Hayward, Isaiah Thomas e John Wall -, e espera-se que os “pequenos” possam vingar a derrota do ano passado.

No concurso de triplos, o difícil é escolher um favorito. Bem, na verdade o favorito é o vencedor de 2016, Klay Thompson, mas qualquer um dos outros sete – Eric Gordon, Kyrie Irving, Kyle Lowry, Wesley Matthews, C.J. McCollum, Kemba Walker e Nick Young - está em condições de lutar pelo troféu. Por fim, nos afundanços o cenário é o oposto, pois há um claro favorito: Aaron Gordon. O “voador” dos Orlando Magic perdeu a final do concurso da época passada para Zach LaVine – para muitos, injustamente –, mas promete voltar a dar espetáculo e, desta vez, para ganhar. Têm a palavra DeAndre Jordan, Glenn Robinson III e Derrick Jones Jr., os outros participantes no concurso.

O jogo

Na noite de domingo para segunda chega, então, o All-Star Game, o jogo que opõe as estrelas do Este e do Oeste. Não é preciso ser bruxo para adivinhar que ninguém – salvo uma exceção que dá pelo nome de Kawhi Leonard – vai defender e o jogo será um autêntico concurso de triplos e de afundanços. Apesar de uma ou outra ausência por lesão – Chris Paul e Kevin Love são os casos mais evidentes -, a grande maioria das principais figuras da NBA vai jogar em Nova Orleães.

LeBron James é o líder do Este, frente a um Oeste carregadinho de talento ou não contasse nas suas fileiras com os dois maiores candidatos a MVP desta temporada, Russell Westbrook e James Harden, e quatro jogadores dos Golden State Warriors, incluindo Steph Curry e Kevin Durant. A grande narrativa do fim-de-semana é precisamente a inclusão de Westbrook e Durant na mesma equipa. Os dois antigos colegas nos Oklahoma City Thunder não ficaram amigos depois da saída de KD rumo aos Warriors. Há quem duvide que Westbrook passe a bola ao ex-companheiro. Eu tenho a certeza.

Debaixo de olho:

Os holofotes vão estar todos em cima de Russell Westbrook. E não é só para ver se o base dos Thunder passa a bola a Kevin Durant. O base dos Thunder pode acabar a época com média de triplo-duplo (atualmente tem médias de 30.9 pontos, 10.4 ressaltos e 10.1 assistências), algo que aconteceu apenas uma vez na história da NBA, e nem por isso foi escolhido para ser titular no Oeste. O base dos Thunder ganhou os últimos dois títulos de MVP do All-Star Game e aponta ao terceiro consecutivo. É que o base dos Thunder não gosta de perder nem a feijões Azuki, que são os feijões mais pequeninos que conheço. Mas, ainda assim, há quem possa roubar o protagonismo ao base dos Thunder. O estreante Giannis Antetokounmpo - um extremo grego que joga a base, apesar de ter altura (2,11 metros) e envergadura (2,24 metros) de poste -, é a aposta de muitos analistas para brilhar no meio de tantas estrelas. E também há a possibilidade de Steph Curry acordar com a mão quente e marcar vinte triplos. Mas se o base dos Thunder quiser, o MVP é dele. Seja como for, vale a pena fica acordado para ver. E não apenas pelo base dos Thunder.

Ricardo Brito Reis é jornalista há uma década e meia, mas apaixonado por basquetebol desde que se lembra. É um dos comentadores de basquetebol da SportTV, faz parte do departamento de comunicação da Federação Portuguesa de Basquetebol e é treinador de formação no Sport Algés e Dafundo.

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