Este ano, o Rio de Janeiro teve direito a dois "Carnavais". Depois do primeiro, em fevereiro, na sua data habitual, o segundo acontece este fim de semana em que o Flamengo conquistou dois grandes títulos em menos de 24 horas.

Tudo começou no sábado, com uma vitória na Libertadores, e continua este domingo com o título do Brasileirão, este último sem sequer pisar o relvado.

Era sabido que Jorge Jesus e o Flamengo podiam entrar na história neste fim de semana. O Mengão atacava a final da Copa Libertadores e sabia que, caso o Palmeiras não batesse o Grémio em jogo a contar para o Brasileirão, seria campeão brasileiro, 10 anos depois do último título.

E foi isso mesmo que aconteceu enquanto ainda se celebrava nas ruas do Rio a vitória de ontem.

Depois de uma primeira parte sem golos, o Grémio, quarto classificado, colocou-se em vantagem aos 69 minutos, através de uma grande penalidade de Everton, mas o Palmeiras responde aos 83, também de penálti, por Bruno Henrique.

Quando a equipa da casa procurava chegar à vitória, num lance de contra-ataque, Pepe, aos 90+4 minutos, deu o triunfo ao Grémio e confirmou o título do Brasileirão ao Flamengo e Jorge Jesus.

Com ainda quatro jornadas por disputar, o Flamengo de Jorge Jesus sagra-se assim campeão brasileiro antecipado, o sétimo título da sua história (ainda que essa contagem seja polémica), colocando fim a um jejum de uma década.

Fazer aquilo que só Pelé fez

Chegado ao Flamengo no primeiro dia do mês de junho, Jorge Jesus demorou algum tempo até convencer a comunidade Rubro Negro que a dobradinha, que só tinha sido alcançada pelo Santos de Pelé na década de 60, era possível.

No entanto, uma vez unido, o Mengão e Jesus tornaram-se unha com carne. O técnico recebeu a equipa no terceiro lugar, atrás de Palmeiras e Santos, mas não demorou a ultrapassá-los e a ganhar grande avanço, que lhe permite colocar as ‘mãos’ no ‘Brasileirão’ com apenas 34 jornadas disputadas.

O técnico brasileiro estreou-se a 14 de julho, com uma goleada caseira por 6-1 sobre o Goiás, em encontro da 10.ª jornada, mas, depois, só ganhou um dos três jogos seguintes – 1-1 fora com o Corinthians, 3-2 ao Botafogo e 0-3 no reduto do Bahia.

O embate na Arena Fonte Nova aconteceu em 04 de agosto e foi a primeira e também a única derrota do Flamengo no campeonato sob o comando de Jorge Jesus.

Depois desse desaire, há três meses e 20 dias, o conjunto carioca já vai em 21 jogos sem perder (18 vitórias e três empates, com 48-14 em golos), para um total, em 25 jogos, de 20 vitórias, quatro igualdades e um desaire, com 58-21 nos golos.

A história culminou neste fim de semana histórico para o Flamengo com a conquista da Libertadores e  do Brasileirão.

O campeonato brasileiro é o 17º título da carreira de Jorge Jesus. Depois de uma curta passagem pela Arábia Saudita onde treinou o Al Hilal, e onde venceu a supertaça. Estes são troféus que se somam aos três campeonatos, seis Taças da Liga, uma Taça de Portugal, duas Supertaças, um troféu Intertoto e uma segunda divisão que conquistou em Portugal.

Nos festejos do título junto dos adeptos, Jesus disse que tinha provado "que não era só mais um".  Agora, depois de se tornar no primeiro treinador português a vencer ambos os títulos conquistados este fim de semana e apenas o segundo estrangeiro a vencer o campeonato brasileiro, será difícil não concordarmos com ele.

Jesus sonhou e a obra nasceu. Agora, o povo Mengão não quer que o mister se vá embora

Aclamado pelos 'flamenguistas', que chamam o técnico português de 'mister', Jesus estava visivelmente emocionado e teve seu nome gritado em diversos momentos pelos adeptos da equipa mais popular do Brasil durante a parada deste domingo no Rio de Janeiro.

Assumindo-se comovido pela demonstração de afeto por parte dos adeptos, Jesus assumiu já por diversas vezes que o seu sonho é treinar um grande clube europeu esquivando-se às questões sobre se vestirá as cores vermelha e preta na próxima temporada.

O atual contrato de Jesus com o Flamengo tem validade de um ano e deverá terminar no primeiro semestre de 2020. Informações divulgadas pelos 'medias' do Brasil e Portugal indicam que o Flamengo terá oferecido uma renovação de contrato, mas o acordo ainda não foi assinado.

A única certeza que existe por agora é que a próxima competição que se avizinha é o Campeonato do Mundo de Clubes, que vai acontecer no Qatar em dezembro, e que vai contar com a participação da sua antiga equipa, o Al Hilal, e do Liverpool de Jurgen Klopp e atual campeão europeia.

Jesus, contrariou a 'sorte' portuguesa fora da Europa

Os técnicos lusos não têm grande historial na América, ao contrário do que acontece na Europa, em África e na Ásia, já que, na Oceânia, não há registo de triunfos.

Na Europa, os portugueses já ganharam em 12 países diferentes, além, obviamente, de Portugal, com destaque para os sucessos em quatro dos cinco principais campeonatos do ‘velho continente’, sendo exceção a Alemanha.

Para este currículo, o maior responsável é José Mourinho, que foi o único a ganhar em Espanha, pelo Real Madrid, em 2011/12, em Inglaterra, onde foi tricampeão pelo Chelsea (2004/05, 2005/06 e 2014/15), e em Itália, num ‘bis’ pelo Inter (2008/09 e 2009/10).

‘Mou’, de regresso ao ativo no Tottenham, nunca esteve na Alemanha ou em França, país onde triunfaram Artur Jorge, pelo Paris Saint-Germain, em 1993/94 e 1994/95, e, mais recentemente, em 2016/17, Leonardo Jardim, ao serviço do Mónaco.

Nos restantes países da Europa, os portugueses ganharam ainda na Bulgária, Chipre, Israel, Roménia, Rússia, Suíça, Ucrânia e ainda na Grécia, onde quatro técnicos (Leonardo Jardim, Vítor Pereira, Marco Silva e Paulo Bento) ganharam pelo Olympiacos.

Em África, há registos de títulos em cinco países, numa lista de vencedores em que se destacam os seis cetros egípcios de Mnuel José, no Al-Ahly, e os cinco de Bernardino Pedroto em Angola, três pelo ASA e dois pelo Petro Luanda.

Os técnicos lusos já arrebataram, igualmente, Moçambique, nomeadamente Rui Caçador, que, em 1988, tem o primeiro registo vitorioso de um técnico luso num campeonato estrangeiro, ao comando do Mexaquene. Também há vitórias em Marrocos e Tunísia.

Na Ásia, há nove países com ‘bandeiras’ lusas, na Arábia Saudita, China, Coreia do Sul Líbia, Malásia, Qatar, Vietname e até em Macau e nas Maldivas, onde Bernardo Tavares se impôs pelo Benfica local e o New Radiant, respetivamente.

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