Os grandes clubes de Manchester, o United de José Mourinho e o City de Pep Guardiola, dois dos emblemas mais ricos da liga inglesa, abriram os cofres na pré-temporada para tentar destronar o campeão Chelsea na Premier League, que começa já esta sexta-feira.

Os red devils e os citizens, contudo, não serão os únicos aspirantes ao título do campeonato mais rico e mediático do planeta: Liverpool, Tottenham, Arsenal e o próprio Chelsea também sonham com a glória.

Guardiola e Mourinho: Sim, o dinheiro traz felicidade

Se o título fosse atribuído ao clube que mais gastou, o nome do Manchester City já estaria a ser gravado no troféu. Com 230 milhões de euros desembolsados, a equipa treinada por Pep Guardiola pelo segundo ano consecutivo não encontrou, dentro de fronteiras, rival no mercado.

Após um dececionante terceiro lugar (a 15 pontos do Chelsea) na sua temporada de estreia, Guardiola promoveu uma limpeza no plantel dos citizens para trazer jogadores que encaixassem melhor na sua filosofia de jogo, reforçando principalmente o setor defensivo, que deixou muito a desejar na temporada passada.

Chegaram os laterais Kyle Walker (Tottenham) e Benjamin Mendy (Monaco), os dois defesas mais caros da história - cada um deles custou 57 milhões de euros. Um terceiro lateral, o brasileiro Danilo, oriundo do Real Madrid, veio para fortalecer o elenco, e o guarda-redes brasileiro Ederson (Benfica) chegou com o encargo de defender a baliza do City e de fazer os adeptos esquecer os repetidos erros do chileno Claudio Bravo no ano passado.

créditos: PAUL BUCK/EPA

Do meio-campo para a frente, o português Bernardo Silva (Monaco) terá a missão de dar dinamismo a um ataque de peso em que se mantiveram nomes como Gabriel Jesus, Sergio Agüero, Leroy Sané, Kevin de Bruyne e Raheem Sterling.

Assim como o vizinho, José Mourinho foi aos cofres na sua segunda temporada em Old Trafford para tentar recolocar o United no caminho de um título que não conquista desde 2012/13.

Sexto classificado na última edição da Premier League, o United salvou a temporada com a conquista da Liga Europa, o que lhe permitiu disputar a Liga dos Campeões. Para regressar à maior competição de clubes do mundo, Mourinho foi buscar reforços de peso, como o atacante belga Romelu Lukaku (Everton), por quem desembolsou mais de 85 milhões de euros. Assim como o defesa-central sueco Victor Lindelof (Benfica) e o médio-defensivo sérvio Nemanja Matic (Chelsea).

"Normalmente, a segunda temporada deverá ser melhor que a primeira", espera Mourinho, que venceu osseus maiores títulos nas segundas temporadas no FC Porto, no Inter, no Real Madrid e nas duas passagens no Chelsea.

Conte sofre com elenco reduzido

O técnico italiano Antonio Conte parece ter pela frente uma temporada mais difícil, após ganhar o título inglês com o Chelsea no ano passado. Os blues reforçaram o elenco com o Caballero (City), Rudiger (Roma), Bakayoko (Monaco) e Morata (Real Madrid). Ao mesmo tempo, viram abandonar Stamford Bridge, Aké, Loftus-Cheek, Zouma, Begovic, Matic, entre outros.

A situação não melhora quando olhamos para o caso Diego Costa, o artilheiro da equipa no ano passado, que, traçado o plano para reconquistar o título, está riscado da lista final de Conte. As últimas notícias sugerem que o hispano-brasileiro está a forçar um regresso ao Vicente Calderón e à batuta de Diego Simeone. 

As condições de trabalho, em teoria, não serão as mesmas que na época passada. É que, contrariamente à anterior, em 2017/2018 terá que conciliar Premier League e Liga dos Campeões, o que obriga a uma maior gestão dos seus atletas durante o ano. Tendo em conta a saída de uma peça vital como Matic (e provavelmente Diego Costa), conseguirá o italiano tirar o mesmo rendimento e partido dos seus jogadores? 

Arsenal: Recuperar o tempo perdido

A vitória de domingo frente aos 'blues' na Community Shield (Supertaça inglesa) (1-1 durante o tempo regulamentar, 4-1 nos penáltis) diminuiu um pouco as críticas dos adeptos do Arsenal, revoltados com a renovação do contrato do técnico Arsène Wenger depois de uma temporada decepcionante, na qual o clube falhou a qualificação para a Liga dos Campeões — a primeira vez em duas décadas.

A contratação do ponta-de-lança francês Alexandre Lacazette, que deverá formar trio na frente de ataque ao lado de Mesut Ozil e Alexis Sánchez, e o facto de se poderem concentrar apenas no Campeonato Inglês, como o Chelsea no ano passado, os gunners podem sonhar com toda a legitimidade por um lugar no pódio ou, efetivamente, até mesmo com o título. 

Os adeptos, porém, não darão tréguas ao técnico até que o Arsenal recupere a aura vencedora do início do século.

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Estabilidade no Tottenham e no Liverpool

O Tottenham, vice-campeão inglês com a melhor defesa e ataque da competição, aposta na estabilidade para dar outro passo rumo a um título que não conquista desde 1960/1961.

A equipa continua sob comando do técnico argentino Mauricio Pochettino, que nesta temporada jogará provisoriamente em Wembley, enquanto aguarda a conclusão da construção do seu novo estádio. Os spurs só perderam o lateral Kyle Walker (City), conseguindo manter a base da equipa, como o goleador Harry Kane e os talentosos Delle Alli e Christian Eriksen. Facto curioso: trata-se do único emblema na Europa que não efetuou nenhuma contratação. O plantel é exactamente o mesmo do ano transacto, tendo-se apenas registado, como mencionado anteriormente, a saída do seu lateral direito.

Uma situação parecida vive o Liverpool. Os reds, quartos classificados no ano passado, reforçaram-se com três jogadores (Salah, da Roma, Solanke, do Chelsea, e Robertson, do Hull), mas sofrem com as dúvidas em relação à capacidade do técnico Jurgen Klopp de gerir um elenco curto e ao mesmo tempo disputar duas competições tão exigentes como a Premier League e a Champions. Na temporada passada, o Liverpool pecou justamente pela irregularidade.

Klopp também luta para se defender dos incessantes ataques do Barcelona fora de campo. O clube catalão tem como maior meta da pré-temporada contratar o brasileiro Philippe Coutinho, ídolo de Anfield Road, para ser o substituto de Neymar, vendido ao PSG. A BBC fala inclusive numa proposta de 100 milhões de euros já rejeitada

Em caso de saída do habilidoso brasileiro, o Liverpool perderá o seu maior criativo e um dos virtuosos que fazem os defesas tremer com o seu temido pontapé de meia distância. Seria sem dúvida um duro golpe nas pretensões numa corrida ao título da equipa.

créditos: PETER POWELL/EPA

Mas nem só dos crónicos candidatos é feito o espetáculo da Premier League. Os grandes do futebol inglês tem que ficar obrigatoriamente de olho no Everton: é que, ainda que as tropas do técnico Ronald Koeman já não contem com o belga Lukaku, reforçaram-se com o médio Klaassen (Ajax), Pickford (Sunderland), Keane (Burnley) e Sandro Ramírez (Málaga, Ex-Barcelona). Isto, claro, sem nunca esquecer o regresso a casa do filho pródigo: Wayne Rooney. O inglês, aos 31 anos, voltou ao clube que o viu nascer para recuperar o protagonismo perdido nas últimas temporadas no United.

Só que menos não se deverá esperar do West Ham. O próprio José Mourinho colocou-os ao lado das equipas do topo da tabela no que toca aos reforços. Só esta temporada, aos hammers  já chegaram nomes como Zabaleta, Chicharito, Joe Hart ou Arnautovic. "Parece que também vão lutar pelo título", disse o técnico português numa conferência da pré-temporada sobre o seu primeiro adversário no campeonato.

Nota ainda para o outro português em prova. Depois de não ter conseguido aguentar o Hull City entre os maiores conjuntos ingleses, após chegar a meio da prova, Marco Silva ataca o segundo ano na 'Premier League' com o crédito do trabalho ainda assim realizado.

Agora a oportunidade de preparar toda a época surgiu no Watford, clube que já foi presidido pelo cantor Elton John, normalmente a lutar por fugir à despromoção, o treinador português vai querer mostrar-se a clubes com ambições mais sólidas no campeonato.

Marco Silva viu chegar este defeso ao seu plantel dos hornets, os avançados Andre Gray (a transferência recorde do clube, agora cifrada nos 20,4 milhões de euros) e Richarlison (brasileiro, 20 anos, Fluminense). Ao elenco, juntaram-se também os médios Will Hughs (22 anos, joga na posição 8 e marcou dois golos em 42 jogos realizados ao serviço do Derby County) e Tom Cleverley (ex-Everton).

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