Melhor negócio: Cristiano Ronaldo é vecchio signoro

Aos 33 anos, Cristiano Ronaldo continua a bater recordes, tanto dentro como fora do relvado, e o verão de 2018 não fugiu a esta regra. O português foi a transferência mais cara realizada entre junho e agosto (não contando com Kylian Mbappé, uma vez que o Paris Saint-Germain apenas ativou a cláusula de compra obrigatória que tinha ficado estabelecida no acordo de empréstimo assinado em 2017 com o Mónaco) com a Juventus a ter desembolsado 120 milhões de euros (ME) pelo avançado português.

É, portanto, o atleta veterano (e temos de ter cuidado com esta palavra quando associamos a atletas como Cristiano Ronaldo) mais caro da história do futebol mundial. Mas precisava, realmente, a Juventus do astro luso?

A equipa de Turim conquistou facilmente a Serie A (a época passada foi a mais equilibrada, com o Nápoles de Sarri a fracassar na conquista do título por muito pouco) e fracassaram sempre na Liga dos Campeões, foram duas finais nos últimos seis anos perdidas sempre para emblemas espanhóis.

Cristiano Ronaldo vem adicionar inteligência nas decisões na frente de ataque, mobilidade na grande área, poder de choque e de remate, mística nos momentos mais difíceis (note-se que contra o Parma não efetuou um bom jogo, mas foi uma voz sempre presente a puxar pelos seus colegas e a entusiasmar as linhas num jogo de aperto) e solidez na combinação de jogadas.

É o melhor avançado a nível mundial, sem ser um ponta-de-lança de “gema”, uma vez que Mandzukic continua a titular.

O antigo presidente da UEFA, Michel Platini, dizia que se perguntava “se foi a Juventus a contactá-lo ou se terá sido o agente dele, [Jorge] Mendes, a oferecê-lo". "Não consigo compreender esta operação", confessou o dirigente.

Bastava para isso perceber o valor de CR7 como jogador e atleta, do carinho que os adeptos nutriram pelo português sempre que visitou Turim e a fome de Cristiano Ronaldo incessante sempre à procura de mais títulos, metas e recordes.

Negócio mais duvidoso: Kepa Arrizabalga em Londres por  80 milhões de euros

O negócio mais duvidoso deste mercado de verão levou Kepa Arrizabalaga para o Chelsea por 80 ME. O espanhol chega a Londres para substituir Courtois que rumou a Madrid. Mas quem é, afinal, este jovem guarda-redes que é atualmente o mais caro da história?

Kepa tem 23 anos, 1,89m e duas épocas na La Liga ao serviço do Atlético de Bilbau. Kepa é um dos melhores guarda-redes da sua geração. Tem um excelente posicionamento entre os postes e reflexos extraordinários. É muito forte nas saídas, no um para um e tem uma margem de progressão fantástica.

Mas afinal, se Kepa é um guarda-redes tão bom e com tanto para progredir, porque é um negócio duvidoso? Melhor, porque é o negócio mais duvidoso deste mercado?

Principalmente pelo valor investido pelo Chelsea. 80 ME é, agora, o recorde de transferência para um guarda-redes. Uma compra deve ser avaliada pelo retorno que o comprador consegue extrair do jogador, seja ele financeiro ou desportivo. Financeiramente será complicado o Chelsea vender o espanhol por um valor superior. Desportivamente é uma aposta de risco. Kepa é, na nossa opinião, pior guarda-redes do que os rivais De Gea, Ederson e Alisson.

Outro dos problemas é o jogo de pés de Kepa. Não sendo mau, também não é extraordinário, principalmente para jogar numa equipa de Sarri. Isto pode trazer problemas ao guarda-redes, já que a isto se junta uma pressão à qual o espanhol não está habituado. Em Bilbau, Kepa lutava pela Europa enquanto que em Londres todos os jogos contam na luta pelo título.

Kepa pode ser um sucesso no Chelsea e justificar todos os milhões investidos, mas, agora, é o negócio mais arriscado de do mercado.

MELHOR NEGÓCIO POR POSIÇÃO

Guarda-Redes: Thibaut Courtois (Chelsea -» Real Madrid)

No que toca à baliza, o belga Thibaut Courtois, um dos melhores guarda-redes do mundo, protagonizou, neste verão, uma mediática transferência do Chelsea para o Real Madrid. O valor (35 milhões de euros) é quase irrisório face à qualidade do belga, que será agora o número 1 da baliza madrilena.

Esta era, há muito, uma aquisição desejada pelos blancos, depois da contratação falhada  de David De Gea no passado. Keylor Navas, ainda que uma das principais figuras das últimas conquistas da Liga dos Campeões, sempre foi visto como o patinho feio da equipa, sendo muitas vezes desvalorizado.

Assim, chega Courtois, com a sua reconhecida valia, vindo de um Mundial em que esteve em grande forma tendo inclusive sido eleito o melhor guardião do torneio, podendo ser esta a etapa derradeira do seu caminho até ao estrelato, e tudo por um valor muito baixo no mercado dos dias de hoje.

Defesa: Stefan de Vrij (Lazio -» Inter de Milão)

Esta não era uma decisão fácil, tendo em conta todas as movimentações de mercado que ocorreram. No entanto, o central holandês acaba por levar o “prémio".

Primeiro que tudo, foi uma transferência a custo zero, visto que o jogador estava em final de contrato com a Lazio, revelando-se assim uma autêntica pechincha para o seu atual clube, o Inter de Milão, que bem precisava de um central forte.

Depois, a sua inegável qualidade. De Vrij já foi pretendido noutras paragens, nomeadamente pelos tubarões da Premier League e da La Liga, mas acaba por permanecer em Itália, um campeonato que já conhece muito bem, e sobe um patamar, pelo menos do ponto de vista teórico.

Enorme upgrade para os nerazurri, que ganham um defesa no seu auge, com capacidade de desarme, liderança e até golo acima do normal.

Médio: Leon Goretzka (Schalke 04 -» Bayern Munique)

Mais uma aquisição a custo zero, desta vez na Alemanha. Leon Goretzka já não é uma promessa, é uma certeza. É um jogador de muita classe e que, certamente, será um caso a seguir nas próximas épocas.

No Schalke 04, ganhou uma preponderância enquanto médio centro que lhe permitiram chegar à seleção, com participações na Taça das Confederações e no último Mundial.

O contrato de Goretzka chegou ao fim, tendo o atleta protagonizado uma transferência para o Bayern, fortalecendo de sobremaneira o miolo, numa perspetiva de futuro do clube bávaro.

Desde a sua passada à capacidade de remate e passe, passando pela sua inteligência, o alemão tem tudo.

Avançado: Riyad Mahrez (Leicester -» Manchester City)

Esta é a transferência mais avultada das aqui mencionadas, mas uma que leva o argelino a dar um grande salto na sua carreira. Depois do título com o Leicester há duas épocas, tem sido sempre a subir e a ganhar destaque.

O pé esquerdo do atleta faz maravilhas, com uma estonteante capacidade de drible e os seus remates colocados, mas a verdade é que tudo isso custou 67 milhões ao Manchester City.

Caro, mas vale todos os cêntimos em si gastos. Riyad é daqueles jogadores que não surgem todos os dias, que consegue praticamente fazer tudo o que quer da bola. No City, o extremo vai encontrar uma equipa que joga a toda a largura, com toque de bola, características que encaixam que nem uma luva na equipa de Pep Guardiola. Excluindo Ronaldo, esta é a melhor transferência do setor mais avançado.

Melhores negócios das 5 principais ligas

Premier League

Alisson Becker (As Roma -» FC Liverpool)

créditos: PETER POWELL/EPA

Os reds de Jürgen Klopp foram novamente a uma final europeia no último ano e voltaram a falhar a conquista. Se em 2016 caíram perante o Sevillha (3-1) agora, em 2018, sucumbiram perante o Real Madrid. Pode parecer que não, mas os ingleses teriam tido mais hipóteses com um guarda-redes de topo, pormenor que nunca tiveram.

Depois de golos estranhos em ambas as finais e falhas gravas durante a Premier League, a direção do Liverpool decidiu abrir os “cordões à bolsa” e recrutou um dos guardiões mais em alta no mundo do futebol: Alisson Becker.

Titularíssimo na canarinha, é o típico guarda-redes clássico com um upgrade estupendo na recolocação de bola, muito similar a Ederson Moraes do Manchester City, por exemplo. Pode não ser tão forte nas saídas da área, mas é superior entre os postes, nos voos de contestação nos cantos ou livres, tendo uma leitura de jogo fenomenal para um guarda-redes.

Klopp ganhou um cavalo depois de ter tido vários peões entre os postes do xadrez do Liverpool. Foram os 62,5 ME um preço demasiado caro? Se não fosse a Premier League, até poderíamos dizer que sim. Contudo, todos os emblemas da liga inglesa podem gastar autênticas fortunas e Alisson comparado com o que vale e garante foi um valor bem aplicado!

La Liga

Gonçalo Guedes (PSG -» FC Valência)

créditos: CRISTINA QUICLER / AFP

Existiram transferências mais “caras” na liga espanhola, mas vamos atribuir ao extremo/avançado português o mérito de ser a melhor muito devido ao que complementa no Valencia.

Não é um jogador extraordinário, tendo algumas pechas no apoio ao meio-campo defensivo, na atitude dentro da área ou em momentos capitais.

Contudo, é um jogador imenso quando tem espaço, não só pela boa velocidade que apresenta como também pela capacidade em criar situações de perigo iminente numa questão de microssegundos lançando-se em direção à área… depois é escolher entre um passe bem articulado para os dianteiros do Valencia ou arriscar naquele remate-bomba que habita no pé de Gonçalo Guedes.

Fez uma época extraordinária em 2017/2018 motivando o clube de Peter Lim a avançar com 40 ME pelo seu concurso, depois de dispensado por Thomas Tuchel no PSG. É um valor alto por um futebolista que deu muitos golos e assistências, numa liga que gosta de atletas do seu calibre.

Para além disso, há poucos avançados a fazer aquela pressão extrema e irritante do internacional pelas Quinas e esse pormenor é fundamental no seu sucesso enquanto avançado. Para o Valência foi o garantir de uma “arma-letal” para o seu ataque e dentro de pouco tempo vão reaver os euros dispensados na contratação de Gonçalo Guedes.

Ligue 1

Aleksandr Golovin (CSKA -» AS Mónaco)

créditos: EPA/PETER POWELL

Leonardo Jardim tem tido o condão de potenciar jovens jogadores a um ponto de evolução estupendo e no Principado bem que podem agradecer ao técnico esse facto. O português foi o grande responsável pelas saídas por valores recorde de Fabinho, Bernardo Silva, entre outros e em 2018/2019 volta a ter em mãos alguns novos “diamantes” para trabalhar.

Agora é Aleksandr Golovin, um dos melhores jogadores da Rússia no último Mundial, a chegar ao Mónaco, tendo o emblema monegasco pago 30 ME ao CSKA de Moscovo para adquirir médio-centro.

Será que o russo representa todo esse valor? Golovin tem sido uma das principais caras do futebol russo dos últimos cinco anos, elevando o CSKA ao topo do campeonato por uma ocasião, para além de ter feito parte daquela selecção de sub-17 que conquistou o Europeu desse escalão etário.

Ágil na cobertura ao trinco, rápido a seguir com o esférico para o ataque, é precisamente na coordenação e construção das transições e jogadas ofensivas que se denota mais o seu impacto. Com uma inteligência de ponta, Golovin lê as fraquezas do adversário como poucos, sabendo como atacar melhor ou “fechar” os caminhos para a sua defesa.

É o típico jogador que Leonardo Jardim aprecia, um lutador com cabeça, possante no segurar da bola e na recolocação da mesma nas melhores opções de ataque e que nunca desiste de um lance.
Seguramente vai ser uma das caras deste AS Monaco em 2018/2019 e os seus 22 anos são só um pormenor no seu cartão-de-visita.

Bundesliga

Axel Witsel (TJ Quanjian -» Borussia Dortmund)

créditos: Axel Witsel • STR / AFP

Finalmente, Axel Witsel está de volta à Europa. O médio-centro belga passou, sem dúvida alguma, ao lado de uma carreira extraordinária quando optou por ir para a liga russa e depois chinesa, sem ter passado por alguma das Big-5, as cinco principais ligas da UEFa.

Agora aos 29 anos de idade aceitou a proposta do Dortmund e está no Westfalenstadion para encantar os adeptos deste emblema que teve uma época para “esquecer” em 2017/2018. O que vem Witsel adicionar aos schwarzgelben? Inteligência.

Não há muitos jogadores com o toque de bola felino do belga, munido de uma perspicácia única na condução de bola, na organização e na interpretação de jogo. É facilmente a voz do treinador dentro de campo, agilizando processos, gerindo bastante bem os timings de jogo e passe, para além da sua acção junto do ataque.

De remate fácil e bom fora da grande área, faz de tabela para criar uma situação de rotura ofensiva extraordinária com o final a ser o normal: golo.

O Mundial de 2018 foi só uma pequena amostra daquilo que Witsel pode fazer e neste renovado Dortmund tem tudo para ser o porta-estandarte do clube nos próximos anos.

Serie A

Leonardo Bonucci (AC Milan -» Juventus)

créditos: DI MARCO/EPA

Ponto final na traição de um ano, Bonucci voltou para casa e a família da vecchia signora está novamente feliz. Depois de uma época infeliz em Milão, o extraordinário central italiano volta a uma casa que “amou” desde 2010.

De entre tantas transferências boas na Serie A, como Radja Nainggolan, João Cancelo, Fabián Ruiz, Javier Pastore ou a coqueluche romana Justin Kluivert, optámos pelo defesa internacional pela Itália muito por aquilo que vai conferir ao eixo-defensivo da Juventus.

A época transata até foi das melhores a nível de golos consentidos, mas no que concerne aos jogos “grandes” a Juventus atrapalhou-se em momentos decisivos… sim, sofreram um golo enorme de Cristiano Ronaldo em Turim, mas a imagem de que a defesa da Juve podia ter feito mais ficou a pairar no ar.

A experiência que Bonucci carrega nas pernas, a capacidade de ocupar bem o seu espaço e de acudir os seus colegas, de comunicar e dar outra forma à disciplina de equipa e do nível máximo exigido por si, fazem diferença dentro e fora de campo.

É uma das lendas vivas do futebol italiano e este regresso à Juventus é entendido como um all in em conquistar o título europeu de clubes que falta no currículo do central.

Não escolhemos Cristiano Ronaldo como o melhor reforço da Serie A porque já tínhamos mencionado o português mais acima, decidindo dar o palanque e destaque a outro atleta.

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