Este será o vigésimo quarto encontro, a contar para todas as competições, entre José Mourinho e Pep Guardiola e a balança está bastante desequilibrada. Ainda que Mourinho tenha levado a melhor em seis encontros, Guardiola já leva 11 vitórias sobre o rival.

No registo do treinador espanhol, José Mourinho poderá mesmo passar a ser o treinador que Guardiola mais venceu em toda a carreira uma vez que o português se encontra empatado com Manuel Pellegrini, também com onze derrotas ante o catalão.

Dito isto, o Tottenham de Mourinho não só se encontra em melhor posição na tabela, como está claramente em melhor forma, ou, pelo menos, apresenta resultados mais consistentes. Será que a consistência e melhor início de época serão suficientes para Mourinho levar a melhor sobre Guardiola, ou a história repetir-se-á e, no final dos noventa minutos, o Manchester City levará a melhor?

Como conseguiu Mourinho mudar este Tottenham para melhor?

Nos dias que antecedem a nona jornada da Premier League a equipa de Mourinho está confortavelmente em segundo lugar da tabela, em segundo lugar em golos marcados (19) e em primeiro lugar na diferença de golos (+10), empatado com o Chelsea. Quais as razões para o bom início de temporada?

  • A não obsessão de sair a jogar de trás. Não só essa nunca foi uma obsessão do treinador português, como este possui, em Harry Kane, um avançado capaz de reter a bola como poucos, tornando a bola longa, mas com critério, num opção extremamente viável e credível;
  • A forma de Harry Kane. Precisamente o avançado que dá extrema flexibilidade à forma de jogar da equipa, encontra-se também ele nunca forma incrível. Tendo participado em 23 golos, através da marcação do próprio golo ou através de assistência, nos últimos 14 jogos a contar para todas as competições;
  • Son Heung-min. O momento do jogador sul-coreano tem continuação desde a época transata e, atrás de Kane, é o segundo jogador com mais intervenção em golos esta temporada em Inglaterra, com 10 golos e 5 assistências;
  • A solidez do meio campo. Tem sido aqui, em minha opinião, que tem estado a chave dos sucessos e insucessos do Tottenham.

É justamente do meio campo da equipa de José Mourinho que passamos a falar de seguida.

A inclusão de três médios que permitem ter uma reacção à perda de bola superior ao invés de ter apenas dois foi aqui mencionado como essencial no início de época após a derrota frente ao Everton. Tal veio a verificar-se e desde então, apenas com a excepção de uma partida, José Mourinho alinhou sempre com um trio de médios que não só dão solidez à equipa, como também apresentam soluções várias a sair a jogar e a apoiar a equipa em manobras ofensivas sempre, claro, com responsabilidade e preocupações de cobertura defensiva. E esse tem sido o segredo.

O trio de que falamos é composto por Tanguy Ndombele | Pierre-Emile Højbjerg | Moussa Sissoko.

Com os três em campo, a equipa apresenta quatro vitórias e um empate - cuja vantagem era de três bolas a zero até ao desfazer do trio, como se pode ver na informação em destaque.

Com um trio que não o apontado, a equipa apresenta um vitória, curiosamente com um terceiro elemento também ele com preocupações no equilíbrio defensivo, Harry Winks, um empate em que o trio passou a dupla, alterando a tática para 4x2x3x1 e, por fim, uma derrota, também ela com um médio mais criativo em Deli Alli.

Coincidência, ou não, os número provam que a solidez defensiva do Tottenham de José Mourinho beneficia em grande parte de um trio de meio campo que tenha uma mentalidade de protecção dos espaços defensivos e de reação à perda de bola, ao invés de um elemento com maior criatividade e poder de criação de oportunidades de golo, deixando de lado alguma capacidade de trabalho, recuperação e perseguição defensiva.

Sinal dessa reestruturação do meio campo por parte de José Mourinho é também a alteração do papel de Sissoko desde a chegada do treinador português. Com limitações de movimentação, deixando para Ndombele a maioria das aventuras ofensivas, Sissoko faz, em parceria com Pierre-Emile Højbjerg, uma parede defensiva importante para a libertação da equipa, inclusivamente dos laterais.

Kane, como referido acima, desce muitas vezes no terreno para criar situações de passe em espaços de finalização, o que ajuda na criação mas também adiciona mais um elemento à recuperação de bola, caso esta seja perdida. Prova disso são o maior número de toques na bola em zonas defensivas e de meio campo a serem superiores ao das épocas transatas por parte do avançado inglês.

A entrada de Pierre-Emile Højbjerg trouxe capacidade de sair a jogar de trás e tranquilidade ao meio campo. A solidez do dinamarquês e dos parceiros de meio campo veio ajudar a maquilhar as falhas defensivas de que sofre a equipa, principalmente no zona central da defesa a quatro.

A saída de Dele Alli do 11 inicial, tornando o 4x2x3x1, que Mourinho tanto aprecia, num mais puro 4x3x3, deu à equipa outra capacidade de trabalho e soluções várias de criação que até de outra forma não teriam, provavelmente, visto a luz do dia. Como por exemplo a integração de Kane no meio campo, fazendo com que este, já esta temporada, tenha assistido Son, para golo, por sete vezes.

Harry Winks | Pierre-Emile Højbjerg

Dele Alli

Derrota frente ao Everton por 0-1 (C)

Pierre-Emile Højbjerg | Tanguy Ndombele | Harry Winks

Vitória frente ao Southampton por 5-2 (F)

Harry Winks | Pierre-Emile Højbjerg

Giovani Lo Celso

Empate frente ao Newcastle por 1-1 (C)

Tanguy Ndombele | Pierre-Emile Højbjerg | Moussa Sissoko

Empate frente ao West Ham por 3-3 (C)

3-0 a favor com Tanguy Ndombele | Pierre-Emile Højbjerg | Moussa Sissoko

Após a saída de Tanguy Ndombele aos 73’, desfazendo do trio de meio campo, o resultado acabaria em 3-3. Coincidência ou não, mas a permeabilidade defensiva e excesso de confiança foram apontados como uma das principais razões para o deslize da equipa e o meio campo está diretamente relacionado com tais fatores.

Vitórias frente ao Man United por 6-1 (F), ao Burnley por 1-0 (F), ao Brighton por 2-1 (C) e ao WBA por 1-0 (F)

Espera-se uma equipa de José Mourinho pronta para lutar pelos três pontos, frente a um City que tem sido uma incógnita. A equipa de Pep Guardiola tanto nos surpreende pela positiva, como pela negativa. Daí a não só ocupar a décima posição na tabela — levando-se em conta que o City tem um jogo a menos comparando com todos os seus competidores diretos — e, principalmente, a diferença de golos de apenas +1. O que é irreconhecível em equipas lideradas por Guardiola, principalmente para o City, que apresenta sempre uma diferença entre golos marcados e sofridos sempre muito positiva.

Premier League | 9.ª jornada

Sábado, 21 de Novembro

12h30 | Newcastle v Chelsea
15h00 | Aston Villa v Brighton
17h30 | Tottenham v Man City

20h00 | Man Utd v WBA

Domingo, 22 de Novembro

12:00 | Fulham v Everton

14:00 | Sheffield Utd v West Ham
16:30 | Leeds v Arsenal
19:15 | Liverpool v Leicester

Segunda-feira, 23 de Novembro

17h30 | Burnley v Palace

20h00 | Wolves v Southampton

Esta semana na Premier League

Além do Tottenham vs City destacamos também o Liverpool vs Leicester. Entre o domínio ofensivo do Liverpool e as preocupações defensivas, após lesões de Virgil van Dijk e Joe Gomes, conseguirá o jogo de ataques relâmpago do Leicester City levar a melhor sobre a equipa de Jürgen Klopp e continuar a fazer desta uma das melhores edições da Premier League de sempre?

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