No total, e com uns esmagadores 430 milhões de libras (cerca de 490 milhões de euros) gastos num mês, os clubes ingleses provaram mais uma vez que estão dispostos a tudo para subir na tabela classificativa. Este valor é também um reflexo daquilo que se tem falado ultimamente relativamente ao equilíbrio que pauta a metade inferior da tabela e que está a colocar em risco de descida de divisão muitos clubes. Como tal, tudo é permitido para se saltar fora do ‘barco de dinheiro’ que são a Premier League e os contratos televisivos que se seguem.

Analisemos então as movimentações mais marcantes do mercado de inverno e vejamos quem saiu mais beneficiado e com alguma vantagem em relação à restante concorrência.

Arsenal e Liverpool

De entre todos os clubes do ‘top 6’, Gunners e Reds são os exemplos que mais reflexão exigem neste mercado de inverno.

O Liverpool de Klopp reforçou-se muito bem. Obviamente que precisa de mais jogadores e de mais qualidade se quiser ser um rival à altura de Manchester City num futuro próximo mas, ainda assim, os Reds agiram "com cabeça". Tendo o seu maior ativo em Philippe Coutinho, que já no verão tinha tentado abandonar o clube, o Liverpool aproveitou a injecção de capital que a sua saída gerou e reforçou-se no seu sector mais frágil, a defesa.

Os números são muito fáceis de analisar: com o segundo melhor ataque do campeonato mas apenas com a sexta melhor defesa, era claro o clube do norte de Inglaterra precisava de mais qualidade na linha defensiva e, como tal, comprou Virgil van Dijk. Ficam a faltar dois ou três reforços para este Liverpool poder dar mais e, quem sabe, lutar por títulos em Inglaterra.

Já o Arsenal parece não ter aprendido grande coisa com o Liverpool. As contas também seriam muito fáceis de fazer. Os Gunners são, do ‘top 6’, aquele que menor diferença de golos (entre marcados e sofridos) tem. Dentro do ‘top 5’, o melhor (Manchester City) tem uma diferença de 55 golos positiva e o pior (Chelsea) tem uma diferença positiva de 26 golos. Olhando para o Arsenal, vemos uma diferença positiva de apenas 12 golos. Assumindo que o Arsenal é uma equipa bastante ofensiva, não apresentando problemas de maior em marcar golos, seria de esperar que Arsène Wenger fosse um pouco mais criativo e tentasse colmatar algumas falhas neste mercado de transferências, como são o caso do meio campo defensivo e do eixo central da defesa.

Para fins de comparação o United e o City têm ambos 18 golos sofridos cada um. O Arsenal, por seu lado, já leva 34, os mesmo que o último classificado West Bromwich Albion. Ainda assim, a prioridade foi renovar o ataque. As entradas de Henrikh Mkhitaryan e Pierre-Emerick Aubameyang são inquestionáveis mais-valias, até porque vieram para os lugares do insatisfeito Alexis Sánchez e de Olivier Giroud (vendido ao Chelsea), avançado francês que, apesar da sua qualidade, está uns furos abaixo do gabonês que chegou do Borussia Dortmund.

Manchester United e Chelsea

Ambos os clubes são dois excelentes exemplos de reforço necessário. Tendo United e Chelsea 18 e 19 golos sofridos, respectivamente, a necessidade mais premente é a de marcar golos. Como tal, o United pensou a médio prazo, apetrechou-se com aquele que, provavelmente, é o melhor reforço de inverno de toda a liga. Assim que Alexis Sánchez estiver novamente na sua melhor forma poderemos esperar um aumento de rendimento dos Red Devils.

Já na equipa londrina, o caso é parecido. Ross Barkley vem dar mais velocidade e criatividade às alas, enquanto Olivier Giroud, com 73 golos marcados pelo Arsenal, vem fazer concorrência a Álvaro Morata e dar mais opções sempre que seja necessário jogar com mais poder físico dentro da área. Se pensarmos que Giroud jogou 180 partidas ao serviço do Arsenal, mas que em 61 desses jogos teve que sair do banco de suplentes, constatamos que o registo de 73 golos é bastante bom.

Manchester City e Tottenham

No Manchester City, uma única entrada: Aymeric Laporte. No Tottenham igual: Lucas Moura foi o único jogador a chegar a White Hart Lane, oriundo do PSG. Duas equipas muito equilibradas, tanto na forma de jogar, como nas contratações de inverno.

O Manchester City peca apenas por não ter conseguido contratar mais dois jogadores, um defesa e um extremo, com o objectivo único de atacar a Liga dos Campeões (ainda para mais quando Leroy Sané estará de fora por aproximadamente sete semanas). Riyad Mahrez foi apontado à equipa de Guardiola, mas o preço elevado exigido pelo Leicester deixou não só o City à beira de um ataque de nervos, como agora o Leicester terá que lidar e reintegrar um activo insatisfeito. Ainda assim, Laporte já sofreu rasgados elogios após a sua estreia e ao que tudo indica será uma grande mais valia para a equipa.

No caso de Lucas Moura, mesmo que não seja um nome que reforce o sector onde os Spurs mais necessitavam de reforços, é, ainda assim, uma aquisição que tem grande potencial e promete animar ainda mais a Premier League. De forma a dar um salto qualitativo e a garantir uma maior regularidade de resultados, o Tottenham precisa urgentemente de reforçar as segundas linhas. E Lucas Moura será isso mesmo.

Notas de destaque

A ida de Islam Slimani do Leicester para o Newcastle por empréstimo até ao final da temporada é uma excelente notícia para quem é fã do argelino e já não conseguia mais vê-lo desperdiçado no banco de suplentes do Leicester City todas as semanas.

Guido Carrillo do Monaco para o Southampton é uma boa notícia para Mauricio Pellegrino. O técnico argentino precisava urgentemente de golos e vitórias, e viu no seu compatriota a solução para recuperar posições na última metade da temporada.

A norte, o Everton contratou Theo Walcott que parece, à primeira vista, ter renascido. Com dois golos no seu jogo de estreia, é já a sensação do plantel dos azuis de Liverpool.

Por fim, a ida de João Mário para o West Ham, à procura de encontrar a forma e a titularidade regular. O médio português decidiu rumar a Inglaterra para reconquistar um lugar na Seleção Nacional e, quem sabe, já a pensar numa eventual transferência para um "grande" inglês para a próxima temporada.

Esta semana, na Premier League

Os jogos a realizar vão dividir-se entre sábado e segunda-feira, sendo que o destaque principal vai para o Liverpool vs. Tottenham. Conseguirão os Spurs ganhar pontos aos adversários diretos por duas semanas consecutivas ou, por outro lado, o Liverpool mostra, de uma vez por todas, que quer lutar por voos mais altos e pressiona o Manchester United e o seu segundo lugar, que já só está a 3 pontos de distância dos comandados de Klopp? A não perder um jogo promete ser recheado de golos e emoção, no domingo, dia 4, pelas 16:30.

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