Pedro Matos Chaves, ex-piloto de F1 (equipa Coloni, em 1991, escuderia com a qual nunca chegou a qualificar-se para as 13 corridas em que participou) e antigo bicampeão nacional de ralis (Toyota Corolla WRC), é um dos quatro portugueses, que desde as 6h00 de Portugal Continental, enfrenta a primeira etapa do East African Safari Classic Rally— o maior e mais duro rali de automóveis clássicos do mundo ao volante de uma “normal” Renault 4 L.

A seu lado terá Marcos Barbosa, um nome conhecido no meio jornalístico no desporto automóvel. A outra dupla lusa tem o peso da história da competição das quatro rodas. António Pinto dos Santos tem a companhia de Nuno Rodrigues de Silva.

À espera dos quatro portugueses, Team Renault 4L 60th Anniversary, está uma odisseia de nove dias e cinco mil quilómetros nas duras picadas do Quénia ao volante de duas 4 L. “É um grande desafio participar. Pessoalmente, será a primeira vez que participo numa prova em que o objetivo não é… ganhar”, disse Pedro Matos Chaves.

31 anos depois de ter inscrito o nome da categoria rainha do automobilismo, um dos quatro pilotos nacionais a consegui-lo até ao presente, Pedro Matos Chaves extravasa  alegria dos tempos de corredor. “Estou retirado há 17 anos mas isto entusiasma-me mais que voltar a guiar um carro tão fantástico como os que hoje disputam o WRC”, acrescentou durante a conferência de imprensa que antecedeu a partida para o país africano. “Antigamente, corria para ser o mais rápido. Agora vamos correr para chegar ao fim”, rematou.

Marco Barbosa será o copiloto. O antigo jornalista que veste a pele de cronista da viagem, amigo do piloto nortenho, guiou o SAPO24 pelos preparativos do ataque aos antigos troços do WRC com passagem pelas regiões quenianas de Nakuru, Elgeyo Marakwet, Baringo, Laikipia, Kajiado, Taita Taveta e Kilifi.

“A prova está reservada a automóveis históricos de duas rodas motrizes, anteriores a 1986”, explicou ao telefone quando faltavam pouco mais de 10 horas para a largada do primeiro carro.

34 cv, 120 km/h e jantes 13 para enfrentar paisagem queniana  

Realizados os testes em Naivasha, quartel-general a 100 km de Nairobi, dá os pormenores do que terá em mãos ao lado de Matos Chaves. Nada mais, nada menos, que uma comum 4L, “à civil”, cujos motores nada sofreram de preparação extra.

“São de série, debitam 34 cavalos de potência. O conta-quilómetros atinge nas estradas portuguesas uma velocidade máxima que não é superior aos 120 quilómetros hora”, descreveu. Dotado de jantes 13, “a direção, de origem, não é assistida e tem a caixa de quatro velocidades, com a alavanca ao lado do volante”, acrescentou. “Apenas beneficiaram de reforços de carroçaria e de suspensão, bem como dos equipamentos de segurança exigidos pela FIA (Federação Internacional do Automóvel)”, ressalvou.

O mítico modelo que celebrou no ano passado 60 anos, e que em breve ganhará uma nova vida elétrica, com mais de 8 milhões de unidades vendidas, em mais de 100 países, “é a grande atração”, do rali queniano, garante.

“As duas Renault 4L, de matrícula nacional, não consigo confirmar se produzidas na fábrica da Guarda, mas são nacionais, têm sido muito comentadas” entre as 46 equipas, formadas por pilotos de cerca de 15 nacionalidades, dos EUA à Rússia.

“Mais que os 15 Porsche 911, um deles guiado pelo americano Ken Block”, um dos cabeças de cartaz do East African Safari Rally, revela o navegador que, juntamente com os demais três portugueses, estreia-se na prova que vai na 10ª edição. Uma prova, realizada pela primeira vez em 2003, que reacende o espírito do original Safari Rally, que colocou a África Oriental no mapa do automobilismo e que ganhou a reputação do mais difícil rali do mundo.

António Pinto dos Santos é o outro piloto de serviço. Com o número 47, uma casa acima da dupla Matos Chaves/Barbosa, conduzirá a sua famosa Renault 4L de matrícula JD-21-03.

Decorada com as cores do xisto da Aldeia Histórica do Piódão, o icónico quatro rodas de tração à frente compete há quase três décadas em diversas provas do WRC e, nos anos mais recentes, nos mais importantes ralis de clássicos do mundo. “Acrópole, San Marino, da Catalunha à Córsega, Suécia e Finlândia”, revelou Marco Barbosa, contador oficial da aventura ao referir-se a António Pinto dos Santos. O engenheiro natural de Arganil soma milhares de quilómetros ao volante de um veículo que fez 12 ralis do campeonato europeu e que se estreou no Rally de Portugal Vinho do Porto, em 1992.

O piloto de Coimbra volta a ser navegado na “quatro-ele” por Nuno Rodrigues da Silva,um histórico dos ralis nacionais que, em 1995, venceu a Taça FIA de Grupo N, fazendo dupla com Rui Madeira.

 “Vamos alinhar com duas carrinhas rejuvenescidas, que contamos nos permitam concluir a prova e erguer a bandeira portuguesa à chegada”, alvitrou António Pinto dos Santos. Uma classificação realisticamente longe do segundo lugar no Rally Paris-Dakar alcançado registado há 43 anos. É que mais do que uma luta contra o cronómetro será uma prova de força de pilotos e máquinas, das duas Renault 4L.

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