Pode ler-se na nota enviada às redações que "sem embargo de os abaixo assinados [o plantel principal de futebol do Sporting] considerarem não ter condições anímicas e psicológicas para de imediato retomarem a sua atividade de uma forma normal, porque a final da Taça é uma festa do futebol português, um espelho do desporto nacional, no qual estão em causa todos os profissionais de futebol, o bom nome de Portugal e a dignidade das instituições do futebol, e também por respeito pelos colegas e pelo clube Desportivo das Aves e por todos quantos amam e vivem o futebol, sem prejuízo das decisões que cada um tomará, os abaixo assinados [os atletas do Sporting] honrarão a sua condição de profissionais disputando o jogo da final da Taça de Portugal no dia 20 de maio".

Referem ainda os jogadores de Alvalade nesta nota que os factos ocorridos em Alcochete "são de enorme gravidade e impõem uma reflexão séria, calma e racional no que respeita às suas consequências e eventuais medidas a tomar por cada um, de acordo com os termos e prazos legais".

O documento, com data de hoje, está assinado pelos jogadores do Sporting. A nota foi divulgada na sequência de uma reunião entre os atletas e os representantes do sindicato.

A decisão de ir a jogo no domingo é coincidente com as declarações, ontem à noite, do presidente dos leões, Bruno de Carvalho, que também garantiu a presença da equipa na final da Taça de Portugal frente ao Desportivo das Aves.

Fica por saber, todavia, se haverá lugar a rescisões por justa causa por parte dos atletas e equipas técnicas depois deste jogo.

A presença da equipa sénior de futebol profissional masculino, alvo de agressões esta terça-feira no centro de estágios do Sporting, no Jamor era um dos esclarecimentos mais aguardados na sequência dos acontecimentos de ontem.

Esta terça-feira, 15 de maio, cerca de 50 indivíduos de cara tapada, alegadamente adeptos ‘leoninos’, invadiram a Academia e, depois de terem percorrido os relvados, chegaram ao balneário da equipa principal, agredindo vários jogadores, entre os quais Bas Dost, Acuña, Rui Patrício, William Carvalho, Battaglia e Misic, assim como o treinador Jorge Jesus e outros membros da equipa técnica.

A GNR anunciou entretanto que efetuou 23 detenções, apreendeu cinco viaturas e recolheu depoimentos de 36 pessoas, entre jogadores, equipa técnica, funcionários e vigilantes ao serviço do Sporting, na sequência da invasão à academia do clube, em Alcochete.

Em declarações à  Sporting TV, Bruno de Carvalho, assumiu que o incidente foi "chato", repudiou as agressões aos jogadores e comprometeu-se rever as condições de segurança em Alcochete. Por fim, apontou o dedo à "inércia" do Governo. “Lamento ter ouvido o secretário de Estado do Desporto a dizer que é preciso tomar medidas corajosas, mas não disse quais são essas medidas”, referiu o presidente do Sporting, acrescentado que o clube anda “há muito tempo a alertar para a violências das claques”, disse.

O caso foi hoje condenado pelo Presidente da República, que disse sentir-se "vexado", alertou para o risco de uma "escalada" do clima de violência e salientou que não se pode "normalizar ou banalizar, sob pena de permitirmos escaladas que são más para o desporto e para a sociedade portuguesa".

O Governo também já repudiou os incidentes na Academia do Sporting, que considerou atos de vandalismo e criminosos. Numa declaração conjunta da secretária de Estado Adjunta e da Administração Interna, Isabel Oneto, e o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, o Governo confirmou a detenção de 21 presumivelmente envolvidos.

Estes são momentos de grande tensão em Alvalade. Além das agressões em Alcochete, o clube é alvo de suspeitas de corrupção no andebol e futebol, estando esta quarta-feira a ser alvo de buscas.

A final da Taça de Portugal opõe o Sporting e o Desportivo das Aves no domingo, no Estádio Nacional, em Oeiras, a partir das 17:15.

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