Corria o ano de 2001. New England Patriots e Rams defrontavam-se para o Super Bowl. Os Rams tinham ganho o desejado “anel” dois anos antes e defrontavam no jogo decisivo um underdog, os Patriots. Pensava-se, então, que o futebol americano iria assistir ao nascimento de uma nova dinastia sob o signo dos Rams.

Puro engano. A dinastia começou sim, mas do lado daquele que então era o elo mais fraco. Um domínio assente em Bill Belichick (treinador) e Tom Brady (quarterback). Venceram por 20-17 e conquistaram o primeiro título dos Patriots.

Os pilares do sucesso iniciado no novo milénio, a dupla Belichick-Brady, sobe, 18 anos depois, ao Mercedes Stadium, no Arizona, inaugurado em 2017 com o custo de 1,5 mil milhões de euros, o segundo estádio mais caro do mundo e com capacidade para 71 mil espetadores (podendo ser ampliada a capacidade máxima para 75 mil).

A equipa da zona de Boston poderá, caso saia vencedora da noite mais longa da América, atingir o seu sexto título, o que faria dos Patriots, a par dos Steelers, a equipa com mais títulos da história da NFL. Seis ao todo.

Tom Brady
créditos: Kevin C. Cox/Getty Images/AFP

Os recordes não se ficam por aqui. Brady soma nova presença no Super Bowl, número que não encontra paralelo em nenhum outro jogador ao longo da história da NFL. Os Patriots somam 11 presenças numa final e Bill Belichick surge pela 12ª vez no jogo decisivo enquanto treinador (nove vezes enquanto treinador principal com o emblema de Boston) ou treinador adjunto (3), tendo ganho por cinco ocasiões.

Para chegar à 53ª edição do Super Bowl, Patriots e Rams conquistaram o título de campeões das suas divisões, depois de ambos terem ficado em 2º lugar na Fase Regular na AFC e NFC, as duas conferências da NFL.

Num jogo de incertezas quanto ao resultado final, uma coisa é certa: o treinador que vencer o Super Bowl este domingo será o mais velho ou o mais novo de sempre a consegui-lo. Se Belichick vencer, não só alcançará George Halas e Curly Lambeau como treinador com mais títulos, num total de seis, como será o mais velho treinador a alcançar a vitória, com 66 anos e 293 dias. Caso sejam os Rams campeões, então Sean McVay será o mais novo de sempre a vencer, com 33 anos e 10 dias.

Belichick já treinava na NFL antes de McVay nascer, sendo a diferença de idades entre os dois treinadores - 33 anos e 283 dias - a maior de sempre.

Patriots, a equipa do império Kraft. Rams, o emblema campeão em três cidades

Fundada em 1936, os Rams são uma das mais antigas equipas da NFL. Cleveland, no Ohio, foi a sua primeira cidade sede. Depois de conquistarem um título nacional, pela primeira vez, em 1945, num tempo pré-Super Bowl, mudaram-se para Los Angeles e para o Los Angeles Memorial Coliseum. Foram mesmo o primeiro franchise a mudar de cidade na NFL.

Em 1994, nova mudança de cidade: St.Louis, no Missouri. Cinco anos depois venceram o Super Bowl. Regressaram a LA em 2016, 22 anos depois, com a curiosidade de voltarem a jogar no estádio de 1946, naquela que é a casa temporária dos Rams até 2020, ano em que se mudam para o novo Los Angeles Stadium.

Los Angeles Rams
créditos: Scott Cunningham/Getty Images/AFP

Contas feitas, os Rams são a única equipa da NFL a somar três títulos de campeão em três cidades distintas, sendo que duas são antes da era Super Bowl: Cleveland, em 1945, Los Angeles, em 1951, e St. Louis, em 1999, durante o Super Bowl XXXIV, conquistando o “anel” diante os Tennessee Titans (23-16).

1959 é o ano de fundação dos New England Patriots. Boston foi o berço e o primeiro nome de batismo da equipa: Boston Patriots. A mudança para o estádio Foxborough, em New England (a 35km de Boston) rebatizou o emblema.

Ao longo dos anos os Patriots mudaram de donos por diversas vezes até irem parar às mãos de Robert Kraft, que adquiriu o franchise em 1994. O empresário que dá nome ao império Kraft mudou, em definitivo, a face da equipa da zona de Boston.

Assim, vencem a final de 2001, mudam-se para a nova casa, o Gillette Stadium, inaugurado em 2002, e tornam-se a equipa com mais títulos no século XXI e presenças no Super Bowl. E são a segunda equipa na história a vencer três Super Bowl em quatro temporadas.

Esta é a terceira final seguida. Venceram em 2017, na maior reviravolta de sempre num Super Bowl, frente aos Atlanta Falcons, precisamente a equipa que joga no palco da edição deste ano, e perderam há um ano, frente aos Philadelphia Eagles. Se baterem os Rams atingirão a sua sexta vitória no Super Bowl e igualam o registo de três vitórias, 2001, 2003 e 2004, na década passada, sendo que venceram nesta década em 2014, 2016 e (no caso) 2018.

100 milhões a ver na TV. 5 milhões por 30 segundos de anúncio. 14 mil milhões de hambúrgueres

Já se sabe que o hino será entoado por Gladys Knight, um ícone da Soul e R&B norte-americana, vencedora de sete grammys, que é natural de Atlanta. Na noite em que a América para e senta-se diante o ecrã mágico, prevê-se uma audiência de mais de 100 milhões de telespetadores só nos EUA, alargando-se a 30 a 50 milhões contabilizando o resto do planeta.

Transmitido em 180 países em 25 línguas (a Eleven Sports é responsável pela transmissão para Portugal), um anúncio de 30 segundos no intervalo custa 5 milhões de dólares (4,3 milhões de euros). Um intervalo que será preenchido no estádio com um concerto dos Maroon 5.

No jogo de e para as famílias, cada norte-americano gasta em média 82,19 dólares (71,74€) em comida durante a partida, ascendendo a 324 dólares (282€) o custo médio de uma festa para o efeito.

Como os americanos são muito dados a estatísticas, prevê-se que sejam consumidas cerca de 1,3 mil milhões de chicken wings, 14 mil milhões de hambúrgueres, 9 milhões de fatias de pizza da cadeia Domino’s, 3,6 milhões de kg de guacamole, 14 toneladas de batatas fritas e 51,700 milhões de canecas de cerveja naquele que é o segundo dia com mais comida consumida nos EUA, atrás Dia de Ação de Graças – o Thanks Giving Day.

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