A covid-19 trouxe mudanças no mercado de arrendamento, com os preços das rendas a ajustarem-se para valores mais acessíveis ao rendimento da maioria das famílias. Mas esse ciclo de descida, conta hoje o jornal ‘Público’, terá pouca duração: o mercado continua sem oferta na quantidade necessária para travar uma nova escalada dos preços.

As estatísticas reveladas pelo Índice das Rendas Residenciais, da Confidencial Imobiliário, e consultadas pelo diário, confiram a descida dos preços: entre março do ano passado, quando a pandemia aterrou em Portugal, e o mesmo mês de 2021, as rendas das casas em Portugal Continental desceram 6%.

O ajustamento das rendas foi mais expressivo em Lisboa, com o valores das rendas nos contratos entre o primeiro trimestre do ano passado e os primeiros três meses de 2021 a caírem 18%, muito acima, por exemplo, da redução de 8% no Porto.

Mas os portais imobiliários como o Imovirtual ou o Idealista já deixam notar aumentos dos preços das rendas no mês de abril. A Confidencial Imobiliário ainda não tem estatísticas para esse mães, mas o presidente da empresa, Ricardo Guimarães, admite ao ‘Público’ que se “os preços de venda não estão a baixar [como revelam os dados do Instituto Nacional de Estatística], é normal que as rendas acabem por ter de subir”.

E isto não acontece porque a pandemia tenha acabado ou porque as casas que tinham sido do Alojamento Local estejam a regressar aos valores do mercado turístico. Segundo o ‘Público’, a explicação está mesmo no número de casas insuficiente para a procura, não impedindo o crescimento dos preços.

Se por toda a Europa cresce a tendência de construir para arrendar, Portugal não é exceção. Segundo a consultora CBRE, há 12 projetos a ser avaliados nesta área. Caso sigam em frente, podem trazer 3.200 casas a Lisboa e ao Porto — não se sabe é quando.

Dados da Associação Portuguesa dos Promotores e Investidores Imobiliários mostram que esta é uma opção de investimento atrativa ou muito atrativa para 73% dos promotores ouvidos — mas esse interesse esbarra, explica o presidente da associação, Hugo Santos Ferreira, nas atuais “condições legislativas, administrativas e fiscais”, que fazem com que sejam “muito difícil avançar”.

A culpa é também, diz Hugo Santos Ferreira, do “ambiente hostil a quem investe e a quem é proprietário”, travando as intenções de colocar habitações onde elas são necessárias. “A legislação é desequilibrada entre senhorio e inquilino, o arrendamento é vítima de um jogo político”, acusa. “Isto só lá vai com um pacto de regime”.

Porém, o presidente da Associação Portuguesa dos Promotores e Investidores Imobiliários queixa-se ainda de “conferência desleal com os privados” por o Estado estar a resolver do seu lado os problemas de oferta, com programas de apoio ao arrendamento acessível.

Mas para Hugo Santos Ferreira, isso é trabalhar “muito do lado errado”: “trabalham do lado da procura e não da oferta”, diz.

Todavia, é mesmo do lado da procura que se sentem as dificuldades. O mercado de arrendamento abusa não é, em Portugal, uma verdadeira alternativa, por exemplo, à compra de casa: mesmo estando os valores de aquisição também altos, quem tem alguma capacidade de endividamento acaba por encontrar na compra uma melhor opção: “regra geral, o valor das rendas propostas é consideravelmente superior à prestação que o interessado pagaria ao banco”, conta ao jornal Luís Lima, que presidiu à Associação de Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária.

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