“O atual candidato que está à frente na Argentina, ele já esteve visitando o [ex-Presidente] Lula [da Silva], já falou que é uma injustiça ele estar preso, já falou que quer rever o Mercosul. Então o Paulo Guedes [ministro da economia do Brasil], perfeitamente afinado comigo, falou que se criar problema, o Brasil sai do Mercosul, e está avalizado”, declarou Bolsonaro para jornalistas ao sair do Palácio da Alvorada, em Brasília.

O ministro brasileiro Paulo Guedes já havia feito a advertência de que o Brasil poderia sair do Mercosul caso um eventual Governo de Fernández se oponha à atual abertura comercial do bloco.

“O Mercosul, claro, é um veículo de inserção do Brasil no comércio internacional, mas, se a [Cristina] Kirchner quiser fechar a economia deles, nós sairemos do Mercosul”, disse Paulo Guedes, ressaltando “a química excelente do [atual Presidente da Argentina, Mauricio] Macri com o Presidente Bolsonaro”.

Nas primárias das presidenciais da Argentina, realizadas no último domingo, o candidato Alberto Fernández, que tem como vice a ex-Presidente Cristina Kirchner, recebeu 47% dos votos enquanto Macri ficou com 32% dos votos.

“Por causa do viés ideológico, o meu sentimento é que tinha que acabar com o Mercosul. Lógico, nós chegamos, afastamos o viés ideológico, o contacto foi excelente com Macri, excelente com o Marito [presidente do Paraguai, Mario Benitez], o do Uruguai [Tabaré Vázquez], apesar de ser um pouco da esquerda”, disparou Bolsonaro.

Embora tenha voltado a fazer críticas ao candidato de centro-esquerda que lidera as presidenciais argentinas, Bolsonaro também disse que está disposto a conversar com Fernandez, mas vai esperar um sinal dele.

“Estamos dispostos [a conversar]. Ele [Fernandez] que vai ter que dar um sinal. Quando eu tomei posse, falei que ia manter a democracia, a liberdade, abrir o mercado, respeitar as religiões. É o que eu estou fazendo”, ponderou.

As declarações de Bolsonaro sobre o processo eleitoral na Argentina têm gerado críticas.

Hoje o Partido Justicialista (peronista) repudiou o silêncio do Governo argentino em relação às “insultantes” declarações do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que chamou “bandidos da esquerda” aos candidatos mais votados nas eleições primárias.

O partido que apoia a candidatura de Alberto Fernández-Cristina Kirchner para presidente e vice-presidente, respetivamente, pediu ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da Argentina que “faça [o Governo brasileiro] respeitar o princípio de não-intromissão de um Governo estrangeiro em assuntos internos de outro país, a soberania nacional e o direito à autodeterminação do povo argentino”.

“As declarações insultantes do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, representam uma falta de respeito ao povo argentino que expressou livremente a sua vontade soberana no processo eleitoral”, acusou o partido peronista, numa nota enviada ao Ministério dos Negócios Estrangeiros argentino.

Integram o Mercosul (Mercado Comum do Sul) o Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela (cuja participação está suspensa).

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