Miguel Pinto afirmou à agência Lusa que a unidade industrial retirou todos os colaboradores que ainda tinha em regime de ‘lay-off’ na sexta-feira, considerando que se trata de uma “boa notícia”, uma “mensagem positiva” e também uma forma de “minimizar o impacto financeiro” nos próprios trabalhadores.

A Continental Advanced Antenna Portugal, que produz componentes para automóveis, é uma “das maiores empregadoras privadas” no distrito de Vila Real, possuindo cerca de 550 trabalhadores.

Durante a crise pandémica, a empresa nunca parou de laborar, mas o trabalho foi mantido ao ritmo das encomendas.

Por causa das quebras nas vendas provocadas pela pandemia, nos meses de março e abril reduziu o número de funcionários.

Abril foi, segundo Miguel Pinto, o “mês mais crítico” e a fábrica esteve a trabalhar a "cerca de 30%".

Nesse mês, a empresa colocou também à volta de 30% dos colaboradores em regime de ‘lay-off’, número que foi reduzido para metade no mês de maio, em que a produção aumentou, atingindo os quase 60%.

“Até ao final do ano não vamos chegar àquilo que seriam os 100%, o normal do antes covid-19, mas com uma atividade nesta ordem, dos cerca de 80% e esperemos que continue a crescer, e com o bom senso que houve por parte dos nossos colaboradores que aceitaram usar as férias e também algumas horas, conseguimos não penalizar mais ninguém e evitar o prolongamento do ‘lay-off’”, salientou.

A unidade de Vila Real é uma das principais especialistas e fabricantes mundiais de antenas para veículos e a quase totalidade da sua produção é exportada.

Aos poucos os fabricantes automóveis mundiais vão retomando a atividade e as encomendas vão também aumentando na fábrica transmontana.

Miguel Pinto referiu que “a Ásia já abriu e está a funcionar próximo do pleno”. Na Europa, “uma grande parte das unidades dos fabricantes automóveis também já “está a funcionar com bastante atividade” e, apesar da situação ainda estar “um pouco mais complicada nos Estados Unidos da América (EUA)”, há, segundo o responsável, também encomendas para algumas fábricas.

“Mesmo não atingindo aquilo que seria a normalidade, os 100% até ao final do ano, esperamos continuar a crescer”, afirmou.

No interior da unidade de Vila Real foi implementado um plano de contingência e estão a ser cumpridas rigorosas medidas de segurança e de higiene, como a medição da temperatura à entrada, uso de máscaras, o gel desinfetante distribuído por todo o espaço, as distâncias de segurança na cantina e na área da produção.

A fábrica dispõe ainda de um enfermeiro a tempo inteiro e médico duas vezes por semana.

Miguel Pinto salientou que as medidas são revistas numa “base diária” e referiu que, até à data, não foi detetado qualquer caso positivo de covid-19 na unidade industrial.

Em 2019, esta fábrica produziu cerca de 19 milhões de antenas que foram exportadas para todo o mundo. A unidade trabalha, essencialmente, com o segmento ‘premium’ de marcas como o grupo Daimler, BMW, Audi ou a Volvo.

A Continental Advanced Antenna, que resultou da aquisição da Kathrein Automotive em 2019, pertence à Divisão Interior do grupo Continental.

Portugal, que se encontra em situação de calamidade devido à pandemia, depois do estado de emergência, está a concretizar um plano faseado de desconfinamento e de reativação da economia.

No país, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS), contabilizam-se pelo menos 1.485 mortos associados à covid-19 em 34.885 casos confirmados de infeção.

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